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Sidrolandia

Sobre uma nascente, Aldeia Nova Tereré convive com alagamentos e problemas com fossas

No período de chuva, a comunidade convive com um duplo problema: os alagamentos e o risco de desabamento das casas construídas nas partes mais baixas dos terrenos

Flávio Paes/Região News

19 de Agosto de 2013 - 09:25

Expansão da Aldeia Urbana Tereré, três anos depois de sua criação, a Nova Aldeia Tereré, sofre o impacto de ter sido implantada sobre uma área de preservação ambiental, nascente do Córrego Cortado. O lençol freático superficial (basta perfurar de 1 metro a 1,5 metro para a água aflorar) está ameaçado de contaminação pelas fossas abertas das 90 casas construídas no terreno de topografia irregular, onde deságua com força toda a enxurrada que desce do Morada da Serra e do Jardim Petrópolis, ocupações vizinhas situadas numa região mais alta.

No período de chuva, a comunidade convive com um duplo problema: os alagamentos e o risco de desabamento das casas construídas nas partes mais baixas dos terrenos, onde a enxurrada cai diretamente sobre os telhados. Há também o problema de saneamento básico. As fossas transbordam trazendo para superfície os dejetos que acabam escoando pelas valetas abertas pelas ruelas ou misturados a água potável dos regos d’água que brotam das nascentes e deságua no córrego.

Com o acumulo de folhas e areia, em alguns trechos dos regos (espécie de dutos naturais)  secaram neste período de estiagem e nos locais de maior umidade desce lixo, especialmente plásticos e garrafas. O temor dos moradores é a proliferação de focos do mosquito da dengue.

Quem tem esta preocupação são moradores como dona Lauriane Gabriel, casada, mãe de quatro filhos, um deles ainda de colo. Ela já contraiu duas vezes a dengue e teme que as crianças fiquem doentes. Dionizio Pereira, 50 anos, reclama do descaso e diz que a comunidade foi abandonada pelas autoridades. "Estamos isolados". Ele é aposentado por invalidez e a esposa faz bicos de diarista.

Segundo o vereador Sérgio Bolzan, que estava empenhado em viabilizar a construção de casas na Nova Tereré (por meio do Programa Minha Casa, Minha Vida Rural), na comunidade não é possível viabilizar o projeto. “É uma área de preservação que não poderia ser ocupada”, reclama. Para minimizar o problema será preciso fazer um pesado investimento em drenagem no Morada da Serra e no Jardim Petrópolis que desvie a enxurrada da parte alta.

O problema é de difícil solução segundo o vereador Waldemar Acosta, que denuncia a mbiental de área de 3 ,2 hectares  adquirido em 2010 pelo então prefeito Daltro Fiuza para ampliar os limites da Aldeia Tereré. “Esta área não poderia ter esta destinação. O pouco de mata que havia foi desmatado para a construção das casas. As fossas estão contaminando o lençol freático e isto vai acabar afetando o córrego”, afirma.