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AGRONEGÓCIO

JBS eleva dívida e aposta em processados para atravessar ciclo nos EUA

Apesar disso, o fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 55 milhões.

CNN Brasil

26 de Março de 2026 - 07:35

JBS eleva dívida e aposta em processados para atravessar ciclo nos EUA
Unidade da JBS em GREELEY, COLORADO (Photo by Matthew Stockman/Getty Images).

A JBS encerrou o segundo trimestre de 2025 com resultados que revelam um contraste relevante: enquanto o lucro segue em alta, a geração de caixa e a dinâmica de endividamento passaram a exigir maior atenção do mercado.

A companhia registrou receita líquida recorde de US$ 21 bilhões, alta de 9% na comparação anual, e lucro líquido de US$ 528 milhões — avanço de 60% na mesma base. Apesar disso, o fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 55 milhões no período, uma deterioração de cerca de US$ 1,1 bilhão em relação ao ano anterior.

Segundo a empresa, o desempenho do caixa foi impactado principalmente pelo aumento de estoques — tanto nos Estados Unidos, com preços mais altos de gado, quanto na operação da Seara, afetada pela gripe aviária — além de maiores investimentos (Capex), pagamento de impostos e efeitos de operações de hedge.

Ao mesmo tempo, a dívida líquida da companhia subiu para US$ 16,5 bilhões, crescimento de 12% em relação ao ano anterior. A alavancagem encerrou o trimestre em 2,27 vezes o Ebitda, ainda dentro do intervalo considerado administrável, mas acima do registrado no trimestre anterior, de 1,99 vezes.

O movimento ocorre em um contexto em que a empresa também ampliou a remuneração ao acionista, com pagamento de dividendos (US$ 1,5 bilhão) e anùncio de recompra de ações (US$ 400 milhões), o que contribui para pressionar o caixa no curto prazo.

Ciclo do gado pressiona operação nos EUA

O principal fator operacional por trás dessa dinâmica segue sendo o ciclo adverso da pecuária nos Estados Unidos. A unidade de bovinos da companhia na América do Norte registrou Ebitda negativo no trimestre, refletindo o aumento do custo do gado em um ambiente de oferta restrita.

Esse cenário tem comprimido margens e reduzido a geração operacional justamente no maior mercado da empresa. A disponibilidade limitada de animais para abate elevou os preços do boi a níveis historicamente altos, superando a capacidade de repasse para os preços da carne.

Diversificação e alimentos processados ganham peso

Para compensar esse efeito, a JBS tem acelerado sua estratégia de diversificação geográfica e de portfólio. Operações como a Pilgrim's Pride e a divisão na Austrália apresentaram forte desempenho, com margens mais elevadas e crescimento de resultados.

Além disso, a companhia vem intensificando investimentos em produtos de maior valor agregado, especialmente no segmento de alimentos processados nos Estados Unidos, como carnes preparadas e itens prontos para consumo.

A aposta reflete uma tentativa de reduzir a exposição aos ciclos de commodities e ampliar a previsibilidade de margens no longo prazo.

Equilíbrio entre crescimento e disciplina financeira

Mesmo diante da pressão de curto prazo, a empresa mantém um nível confortável de liquidez, com cerca de US$ 3 bilhões em caixa e linhas de crédito disponíveis. Segundo a JBS, a estrutura atual é suficiente para cobrir suas obrigações financeiras até 2032.

O desafio, segundo analistas, passa a ser equilibrar essa estratégia de expansão e retorno ao acionista com a recomposição da geração de caixa — especialmente enquanto o ciclo do gado nos Estados Unidos permanecer desfavoráve