BRASIL
Morre Tiago Pitthan, advogado que fez velório em vida: ‘Eu venci todos os dias’
Ele tinha câncer no estômago e decidiu celebrar a vida com um velório festivo.
Midiamax
06 de Julho de 2026 - 09:20

“Eu venci todos os dias. A vida valeu. Um beijo do Bom Sujeito”. Assim se despediu o advogado e turismólogo Tiago Martins Pitthan nas redes sociais, horas antes de morrer, aos 49 anos. Com câncer em fase terminal, ele decidiu fazer um velório em vida no fim de maio. Após “combater o bom combate”, Tiago partiu na noite deste domingo (5), no Hospital da Cassems, em Campo Grande.
Por volta das 19h de domingo, ele também publicou que a equipe hospitalar pediu que a família se reunisse no local. “Talvez eu volte aqui e conte como foi. Talvez não… Na dúvida, amo vocês”, escreveu aos 69,3 mil seguidores, em fotografia no leito hospitalar, com oxigênio nas narinas. Meses antes, Tiago emocionou o Brasil ao celebrar a vida, quando já sabia que a morte estava próxima.
A publicação seguinte mantém o tom de despedida: “Só para falar para vocês não se preocuparem. Eu estou bem, estou em paz, estou feliz. Valeu a pena. Tudo valeu a pena. A vida é boa, e é isso: eu venci. No final, eu venci, porque eu venci todos os dias. A vida valeu. Um beijo do bom sujeito”.
A cerimônia de despedida do advogado será realizada nesta segunda-feira (6), a partir das 10 horas, no Memorial Park, na Rua Francisco dos Anjos, 442, bairro Universitário. O velório deve ser, na verdade, um gurufim — celebração fúnebre festiva de origem afro-brasileira que combina luto e alegria em vez de tristeza e choro.
‘Decidi que não ia morrer todos os dias’
“Só se morre uma vez. Quando eu tive o diagnóstico, decidi que não ia morrer todos os dias. Eu ia morrer uma vez só.” Foi com esse pensamento que o advogado e turismólogo Tiago Martins Pitthan, de 49 anos, encarou o diagnóstico de um câncer no estômago.
Diante de uma doença já em metástase, Tiago decidiu ressignificar a despedida. Em vez de um velório tradicional após a morte, escolheu reunir familiares e amigos para uma celebração em vida, onde pudesse ouvir pessoalmente as homenagens e compartilhar momentos com quem ama.
Diagnosticado em 2024, ele contou que a ideia surgiu durante o velório do pai. Enquanto parentes e amigos recordavam histórias e celebravam a trajetória do falecido, Tiago percebeu que faltava justamente a pessoa homenageada para ouvir aquelas lembranças.
“Foi lindo o velório. As pessoas contando histórias, lembrando momentos felizes e celebrando a vida dele. E eu pensava: ‘Pô, só faltou meu pai aqui’. Naquele momento eu decidi que não ia faltar ao meu velório”, relatou ao Jornal Midiamax, no dia do velório em vida, em maio.
Lembrado por celebrar a vida
Desde então, Tiago passou a olhar para a finitude de outra forma. Em vez de se entregar à doença, escolheu dedicar seu tempo à realização de sonhos e experiências que sempre desejou viver.
“Eu não estou morrendo, eu estou vivendo. E eu quero que as pessoas entendam isso. Enquanto a gente está aqui, vamos viver. Vamos viver, vamos ser felizes”, afirmou à reportagem após a despedida em tom de festa.
Como legado, Tiago disse que gostaria de ser lembrado por uma característica simples, mas essencial: sua capacidade de celebrar a vida. Ele conseguiu.




