BRASIL
Tribunal de Londres responsabiliza BHP por tragédia de Mariana; mineradora vai recorrer
A decisão reconhece que a empresa é “parcialmente culpada” pela tragédia, considerada o maior desastre ambiental da história do Brasil.
Primeira Página
14 de Novembro de 2025 - 11:00

O Tribunal Superior de Londres concluiu, nesta sexta-feira (14), que a mineradora BHP tem responsabilidade direta no rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), ocorrido em 2015. A decisão reconhece que a empresa é “parcialmente culpada” pela tragédia, considerada o maior desastre ambiental da história do Brasil.
A ação foi movida por milhares de brasileiros, dezenas de municípios e cerca de duas mil empresas, que responsabilizam a BHP pelos danos humanos, sociais e ambientais causados pelo colapso da estrutura, operada pela Samarco — joint venture entre a BHP e a Vale. O processo, que já era estimado por advogados em até 36 bilhões de libras (equivalente a mais de US$ 48 bilhões), segue em disputa judicial.
Decisão aponta falhas diretas na operação
No resumo da sentença, a juíza Finola O’Farrell apontou que a BHP não deveria ter continuado a elevar a altura da barragem nos anos que antecederam o rompimento. Para ela, essa decisão operacional foi uma causa imediata do colapso, o que torna a empresa objetivamente responsável pelo desastre.
A BHP afirmou que irá recorrer da decisão, mantendo sua estratégia de contestar o processo no Reino Unido.
Tragédia deixou 19 mortos e devastou o Rio Doce
O rompimento da barragem liberou milhões de metros cúbicos de rejeitos, destruiu comunidades, matou 19 pessoas, deixou milhares de desabrigados e contaminou toda a extensão do Rio Doce, atingindo Minas Gerais e Espírito Santo. A lama tóxica devastou áreas de preservação, matou fauna, arrasou lavouras e interrompeu sistemas de abastecimento.
Empresa tenta reduzir impacto da ação coletiva
Após a decisão, o presidente da BHP Minerals Americas, Brandon Craig, afirmou que 240 mil requerentes que integram a ação em Londres já receberam algum tipo de indenização no Brasil. Segundo ele, isso deve reduzir parte das reivindicações financeiras no processo britânico.
Mesmo com essa argumentação, a decisão do Tribunal Superior reforça a responsabilização internacional da BHP pelo desastre, ampliando a pressão sobre a empresa e sobre os mecanismos de reparação ainda pendentes quase uma década depois da tragédia.




