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Economia

Ainda sem equipe econômica, especialistas comentam alternativas para investimentos

Indefinições no cenário político deixam investimentos voláteis e assuntam investidores.

Correio do Estado

12 de Novembro de 2022 - 11:25

Ainda sem equipe econômica, especialistas comentam alternativas para investimentos
Foto: Divulgação.

Desde a definição eleitoral no Brasil, investidores estão à espera da deinifinição da equipe econômica do presidente eleito Luís Inácio Lula da Silva. No entanto, com duas semans passadas, a indefinição deve durar ainda mais tempo.  =O consenso entre os especialistas é que o mercado está muito volátil, principalmente após as declarações do presidente eleito da última quarta-feira (09).

Ao falar para jornalistas, o futuro presidente Lula disse considerar como investimentos o que algumas pessoas veem como gastos. Além disso, as declarações fizeram a bolsa brasileira cair muito fortemente, no dia seguinte, quinta-feira (10).

De acordo com o Investing.com, os mercados mundiais tiveram um dia extremamente positivo, com o Brasil indo na contramão. A bolsa americana chegou a subir 3%, enquanto a brasileira atingiu queda de 4%, mas fechou em -3,42%.

Em dois dias, as empresas estatais, Petrobras, Eletrobras (recém-estatizada, mas em finalização do processo) e Banco do Brasil perderam R$ 101 bilhões em valor de mercado nas últimas 48 horas.

 A deterioração, dizem os economistas, tem muito a ver com o posicionamento de Lula que aponta para um estouro do teto de gastos, pouco preocupação com a responsabilidade fiscal e expectativas de gastos.

A incerteza deve seguir por mais algumas semanas, apesar de a equipe de transição trabalhar com nomes de mercado como Amino Fraga e Pérsio Arida, a definição só será feita após a COP 27, evento que reúne líderes mundiais para discutir demandas climáticas.

Proteção

De acordo com o doutor em economia, Michel Constantino, para proteger o capital, muitos investidores já estão migrando para compra de dólar e investimentos em previdência. “As empresas estão segurando os investimentos e aguardando mais informações e transparência”, analisa.

Com a taxa de juros estabilizada em um alto patamar, alguns setores penalizados por essa condição se tornam vantajosos com uma possível virada de ciclo econômico. “A expectativa é  que as empresas ligadas à construção, educação e consumo possam se valorizar”, comenta o professor de economia da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) Mateus Abrita.

Conforme Eliseu Nantes, especialista da Safra Invest, não há como ter uma previsão concreta do próximo governo porque não há definição na equipe econômica. “Isso é uma das coisas que o mercado está aguardando. Existe essa incógnita. Será que o governo vai ser de fato um que vai tentar radicalizar pra esquerda. Isso não está claro”, comentou.

Segundo o economista Márcio Coutinho, o historicamente o Partido dos Trabalhadores (PT) tem uma a ideia de que estado deve ser grande e ter uma grande participação na economia.

Para o especialista, a hora é de proteção da carteira de ativos mais seguros e que têm uma perspectiva de alta de acordo com o perfil da nova administração federal. “A ideia é manter no tesouro direto atrelado à Selic e a outra parte acompanhar também a inflação”, resume.

“Para sustentar tudo isso, obviamente, o governo tem algumas alternativas ou aumenta arrecadação, aumenta os impostos. Como aumentar impostos se o país está numa situação extremamente complicada”, indaga.

Para ele, a saída deve ser aumentar ainda mais a taxa de juros. “Em função disso, o investidor no meu entender, seria interessante se posicionar em títulos do governo, o Tesouro Direto que vai acompanhar a taxa de juros da economia”, sugere.

O racional por trás da indicação é que, segundo Coutinho, um governo que gasta muito precisa de dinheiro para aumentar as fontes de dinheiro é através de arrecadação ou de título. “Para vender títulos, o governo precisa ser mais atrativo, então aumenta a taxa de juros. Aí o investidor compra papel aqui do governo, consequentemente a inflação sobe”, finaliza.