ECONOMIA
Com safra 35% maior, Sidrolândia assume 2º lugar na produção, mas preço baixo assusta produtor
A produção do município nesta safra foi 35% maior que a de 2013, passando de 591.300 toneladas para 799.200 toneladas, superando Ponta Porã
Flávio Paes/Região News
10 de Setembro de 2014 - 09:46
Com mais de 90% do milho safrinha colhido, os produtores de Sidrolândia estão convivendo com sentimentos antagônicos: entusiasmo pela grande safra e preocupação com a queda vertiginosa dos preços, com a oferta de R$ 14,50 pela saca de 60 quilos, 18,53% abaixo do preço mínimo fixado pelo Governo Federal (R$ 17,80). A situação está complicada, avalia o produtor Osório Straliotto, ex-presidente do Sindicato Rural.
De qualquer forma, não se pode ignorar que junto com este cenário de mercado desfavorável há uma colheita positiva de informações a partir dos números divulgados pelo IBGE. A produção do município nesta safra foi 35% maior que a de 2013, passando de 591.300 toneladas para 799.200 toneladas, superando Ponta Porã (que colheu 798 mil toneladas), atrás apenas de Maracaju (que alcançou mais de 1 milhão de toneladas). Resultado que não só foi reflexo do aumento da área plantada (de 134 para 148 mil hectares), mas também do aumento da produtividade (de 73 para 90 sacas por hectare).
O balanço final da safra, conforme o levantamento do IBGE consolida Sidrolândia como o terceiro polo de produção, que só foi superado por Ponta Porã (o segundo) porque sua produtividade (90 sacas por hectare) foi 10% menor que a da cidade fronteiriça (100 sacas). O agricultor sidrolandense colheu neste ano 799.200 toneladas, enquanto o ponta-poranense, obteve 798.000 toneladas. Houve incremento de 12,28% na produtividade, que saltou de 73 para 90 sacas por hectare, menores que o de Ponta Porã (100 sacas); São Gabriel do Oeste (95), mas melhor que de Maracaju (89 sacas) e Dourados (84 sacas por hectares).
No âmbito estadual, Mato Grosso do Sul colheu 7,9 milhões de toneladas do milho safrinha, resultado 12% a mais do que a projeção inicial, segundo informações divulgadas hoje pela Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul). O Estado ocupa a terceira posição no ranking de produção do país.
Conforme levantamento da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Mato Grosso continua em primeira posição em produtividade, com a safra de milho que soma 16,7 milhões de toneladas e o Paraná em segundo, com 10,2 milhões de toneladas.
A área destinada à cultura de inverno cresceu, passando da expectativa inicial de 1,5 milhão de hectares, para 1,6 milhão de hectares. Os municípios de Maracaju e Sidrolândia são os que mais destinaram área à safrinha 2013/14, já Dourados e Ponta Porã ficam em terceiro e quarto colocados, respectivamente.
Ainda de acordo com o levantamento de dados realizado em 29 municípios pelo Siga (Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio), Maracaju também teve a maior produção Estado, com 1,099 milhão de toneladas, seguido por Sidrolândia com 799,2 il toneladas, Ponta Porã 798 mil toneladas e Dourados, em quarto no ranking, com 659,4 mil toneladas.
Para a Aprosoja/MS a produção teve reflexos das altas produtividades, que ficou com média ponderada de 85,68 sacas por hectare, elevada por municípios como Alcinópolis, Coxim, Nova Alvorada do Sul e Pedro Gomes que tiveram produtividades acima de 92 sacas por hectare.
Segundo o presidente da Aprosoja/MS, Mauricio Saito, o sucesso na produção se deve à capacidade do agricultor e ao clima favorável. Os produtores rurais de Mato Grosso do Sul têm habilidade para tornar situações que não os privilegiam, em produtividade. Estrategicamente não empregaram tecnologia de ponta devido à projeção de preços do milho na época da aquisição dos insumos. Apesar disso, o clima foi peça fundamental que manteve a sequência de recordes na produção agrícola do Estado, afirmou Saito.




