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ECONOMIA

Maior porto de minério em MS vai duplicar capacidade

Expansão deve viabilizar o embarque de 15 milhões de toneladas de minério por ano.

Correio do Estado

05 de Junho de 2026 - 09:56

Maior porto de minério em MS vai duplicar capacidade
Ilustração de como ficará a obra do porto depois de pronta - Divulgação

A mineradora LHG Mining, da holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, encaminhou projeto de expansão do Porto Gregório Curvo, que fica às margens do Rio Paraguai, para aumentar a capacidade de armazenamento de minério das atuais 700 mil toneladas por ano já licenciadas para 1,5 milhão de toneladas de capacidade estática.

Além disso, a proposta envolve viabilizar que a estrutura permita o embarque de 15 milhões de toneladas de minérios de ferro e manganês por ano. Para garantir essa reestruturação, é preciso uma nova autorização de órgãos ambientais.

O porto vem sendo operado com a licença de operação nº 220/2019, emitida pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). A estrutura fica na margem esquerda do Rio Paraguai, na altura do km 2.628, no distrito de Porto Esperança, a cerca de 90 quilômetros da cidade de Corumbá.

Para conseguir a autorização dessas obras, é preciso que o projeto passe por audiência pública, agendada para ocorrer em Corumbá na quinta-feira, a partir das 18h.

MEDIDAS

As medidas que envolvem essa iniciativa e outras intervenções foram orçadas em R$ 1.911.513.680,00, conforme consta no projeto apresentado para discussão na audiência pública.

Para garantir a expansão das operações, também será necessária a implantação de estrutura ferroviária, sistema de virador de vagões, transportadoras de correias, um novo pátio de estocagem de produtos e um píer com sistema de embarque de minério.

Com essas cifras, o projeto está entre as grandes intervenções previstas para o Estado, mas ainda distante das construções das megafábricas de celulose na região leste, que têm investimentos a partir dos R$ 16 bilhões.

A definição de garantir escoamento da produção por meio fluvial vem sendo sustentada diante de questões ambientais.

“Foram estudadas alternativas tecnológicas para definição do tipo de transporte do minério produzido na mina, para seu escoamento. Foram comparados o transporte fluvial (barcaças), rodoviário e ferroviário, verificando-se aquele que emite menos gases de efeito estufa. A emissão para 15 mil toneladas/ano (em CgCO2e) corresponde para o meio rodoviário a 562, 433 para o ferroviário e 263 para as barcaças”, apontou relatório.

As medidas destacadas no relatório correspondem a gigagramas de equivalente de dióxido de carbono (CO2), ou GgCO2e, sendo 1 GgCO2e equivalente a mil toneladas de CO2.

Pelo cronograma de ações da empresa, principal mineradora em Mato Grosso do Sul, entre este ano e 2029 haverá a etapa de implantação, e a operação está prevista para acontecer a partir de 2029.

Porém, a viabilização da obra depende da autorização ambiental e vai atuar diretamente com alterações em áreas do Pantanal.

Para garantir que haja a interligação da área das instalações do pátio de estocagem, do peneiramento e da pera ferroviária com as instalações do píer, será preciso criar uma ponte de acesso por um corixo que separa as regiões.

Nessas intervenções ainda estão previstas remoção de vegetação em 66,52 hectares, terraplanagem e abertura de acessos para viabilizar a ponte que vai transpor o corixo.

O aterro previsto para a pera ferroviária vai necessitar de um volume aproximado de 1.505.167,38 m³ de terra, o que corresponde à movimentação de mais de 107 mil caminhões do tipo truck, que podem carregar até 14 m³. Para as outras estruturas previstas no projeto, o aterro será de 162.669,9 m³.

VOLUME

A mineradora ainda sustentou que, com a autorização das obras, 1.642 trabalhadores vão atuar diretamente na terraplanagem e em obras civis, montagem eletromecânica, comissionamento, gerenciamento e na área operacional.

“Os vagões carregados de minério chegarão pela ferrovia e ingressarão na pera ferroviária, onde passarão pelo virador de vagões para descarregamento automático dos vagões. Após descarregado, o minério seguirá para o pátio de estocagem por meio de transportadores de correia, onde estão previstas sete pilhas de estocagem de minério. A área de formação das pilhas será descoberta e, por isso, são previstas unidades aspersoras para controle de poeiras. Foram projetados 22 transportadores de correia (TC) para atender a pera ferroviária e o pátio de estocagem de minério”, especificou a empresa no projeto.

O projeto em análise ambiental reconheceu que a ampliação do porto pode influenciar na qualidade do ar, por conta da emissão de poeira e gases vindos de maquinários e veículos.

“Os resultados indicaram, de forma geral, que o comportamento da dispersão da poeira é semelhante ao observado no cenário atual, com algumas variações que incluem o deslocamento das emissões para a direção contrária de Porto Esperança e a redução das concentrações de poeira na comunidade. Essa redução ocorre principalmente em função da substituição do transporte rodoviário de minério pelo transporte ferroviário”, ponderou.

A calha do Rio Paraguai também deve sofrer alterações em razão da dragagem. A medida sugerida pela LHG Mining antecipa, inclusive, discussões da concessão da hidrovia. Esse tipo de intervenção está prevista no processo de concessão, que ficou para 2027.