SIDROLÂNDIA- MS
Frigoríficos reduzem até 40% dos abates em MS diante de pressão do mercado
O presidente do Sicadems, Régis Luís Comarella, explica que o setor enfrenta uma combinação de fatores que pressiona a atividade.
Redação/Região News
26 de Julho de 2026 - 19:52

A indústria frigorífica de Mato Grosso do Sul enfrenta um período de desaceleração. Após a paralisação temporária de duas plantas frigoríficas no Estado, a redução dos abates se espalhou pelo restante do parque industrial, com cortes de produção entre 35% e 40%, segundo o Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sicadems).
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Enquanto a unidade da JBS, em Campo Grande, e a Iguatemi Beef suspenderam temporariamente os abates durante o mês de julho, outras empresas optaram por reduzir o ritmo das operações. O presidente do Sicadems, Régis Luís Comarella, explica que o setor enfrenta uma combinação de fatores que pressiona a atividade.
O setor está passando um momento complicado. É um momento que exige cautela e estratégia. Tivemos uma redução de abates porque a cota da China completou. Agora só volta em janeiro", afirma.
De acordo com Comarella, os embarques de carne destinados à China que chegarem ao país asiático antes da abertura da nova cota anual estarão sujeitos à cobrança de 67% em tarifas percentual composto pela tarifa regular de 12% mais uma sobretaxa de 55% aplicada após o esgotamento da cota de importação de carne bovina.
Ao mesmo tempo, o dirigente destaca que, embora os Estados Unidos não tenham imposto tarifas adicionais sobre a carne brasileira, os preços pagos pelo mercado norte-americano não acompanham a valorização da arroba no Brasil. "O boi hoje está se mantendo entre R$ 330 e R$ 335, mas o mercado interno não comporta esse preço. Então está complicado."
Empresas reduzem ritmo e concedem férias coletivas
Além da paralisação das duas plantas, outras indústrias adotaram medidas para adequar a produção ao cenário atual. Segundo o Sicadems:
A Naturafrig reduziu o ritmo dos abates; a Boibras concedeu férias coletivas a aproximadamente 200 funcionários e a Frigosul passou a operar parcialmente. Apesar da queda no volume de abates, um aspecto chama a atenção da indústria: as escalas de compra continuam curtas.
"A escala não está alongada porque está tendo muito pouca oferta de boi. O mercado está bem restrito. A gente não sabe se o pecuarista está segurando esse problema de preço melhor ou se realmente está com falta de boi. Por mais que esteja abatendo bem menos, as escalas continuam muito curtas", explica Comarella.
Segundo ele, o atual cenário é sustentado por dois fatores principais: o encerramento temporário da cota chinesa e a baixa oferta de animais terminados para abate. "Primeiro, a China. Segundo, a falta de boi. E, quando esse boi chega, ele vem acima do preço que o mercado interno consegue pagar."
Na avaliação do presidente do Sicadems, ainda não há perspectiva de valorização imediata da arroba. "Não acredito em alta agora. Mais à frente pode ser."
Mercado deve reagir a partir de setembro
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O pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), Thiago Bernardino de Carvalho, avalia que o mercado vive um período de transição e que o principal desafio da cadeia da carne bovina é encontrar mercados capazes de absorver a produção enquanto a China reduz temporariamente as compras dentro da atual cota.
"O mercado está numa transição de incertezas, mas onde eu tenho uma oferta que está dando sustentação ao equilíbrio de mercado nesse momento."
Segundo o pesquisador, a pressão sobre os preços da arroba deve permanecer até meados de setembro. A partir desse período, a tendência é de recuperação gradual, impulsionada pela preparação dos frigoríficos para atender à nova cota chinesa, prevista para janeiro de 2027.
Isso ocorre porque os frigoríficos precisam comprar os animais, realizar os abates, processar a carne, obter as certificações sanitárias e embarcar os contêineres entre setembro e novembro para que os produtos cheguem aos portos chineses no início do próximo ano.
"Esse gado tem que ser abatido e comprado em outubro. Então a gente já começa a ter um movimento entre setembro e outubro visando essa nova cota China para 2027."
Mercado futuro indica melhora no fim do ano
As expectativas positivas já aparecem no mercado futuro. Segundo Thiago Carvalho, os contratos projetam a arroba acima de R$ 360 no encerramento de 2026, alcançando cerca de R$ 369 nos vencimentos de janeiro, indicando um cenário mais favorável para o último trimestre.
O pesquisador ressalta ainda que os fundamentos do mercado internacional seguem positivos para a carne bovina brasileira. Os Estados Unidos enfrentam o menor rebanho bovino desde a década de 1960, enquanto Canadá e Austrália também registram redução na produção, limitando a oferta mundial.
Ao mesmo tempo, mercados como Egito, Malásia, Filipinas e Indonésia ampliam as compras da carne brasileira, enquanto Japão e Coreia do Sul seguem negociando a abertura de seus mercados ao produto nacional.
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Na avaliação do Cepea, esse conjunto de fatores tende a favorecer uma recuperação gradual da demanda internacional e das compras por parte dos frigoríficos no último trimestre de 2026, à medida que a indústria se prepara para atender à nova cota de importação da China em 2027.




