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Economia

Preço da arroba do boi dispara, bate novo recorde e produtor faz festa

O preço é um dos melhores já registrados. Em 2010, a arroba chegou a custar R$ 110, depois, por muito tempo, empacou nos R$ 80”, comentou Araújo.

Campo Grande News

21 de Março de 2014 - 07:54

Após amargar prejuízos e perder espaço para a soja, a cana e o eucalipto, a pecuária sul-mato-grossense dá sinais de reação diante do aumento de 24,3% do preço da arroba do boi. O valor é recorde histórico e empolga os produtores por garantir lucratividade. O bom momento é reflexo da redução da oferta e do aquecimento das exportações do produto.

 “Agora, o preço está chegando à realidade, dá para cobrir os custos e ganhar um pouco mais”, destacou o comprador de gado de Chapadão do Sul, Nilson Freitas de Araújo. “O produtor está animado e a pecuária deu uma reagida”, emendou.

De acordo com dados da Famasul (Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), nesta quinta-feira (20), o preço da arroba do boi gordo está custando R$ 120, 24,3% a mais que a média paga em março do ano passado, de R$ 90,80.

“O preço é um dos melhores já registrados. Em 2010, a arroba chegou a custar R$ 110, depois, por muito tempo, empacou nos R$ 80”, comentou Araújo.

Para ele, o bom momento é resultado da falta de oferta. “A chuva atrasou, a pastagem não chegou e faltou alimento para engordar o boi”, explicou. Associado a isso, ele citou a perca de terreno para a soja, cana, eucalipto e seringa. “Os produtores estavam apanhando muito, porque as contas não fechavam e o resultado foi a redução do rebanho”, analisou.

Presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Chico Maia, atribuiu o aumento à demanda. “Esse atual preço da arroba é mais decorrente da demanda forte, tanto interna quanto externa, do que o fator clima”, comentou.

Só para fora do país, a comercialização de carne bovina aumentou 22,55% em fevereiro de 2014 em comparação ao mesmo período do ano passado. Segundo levantamento do Ministério do Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, o produto gerou US$ 97,1 milhões contra US$ 79,2 milhões, no mesmo período de 2013.

Para o presidente da Acrissul, os preços da carne bovina continuarão em patamares altos e o limite será a capacidade de pagamento pelo consumidor. Ele destacou ainda a característica de o brasileiro gostar de consumir carne. “Esse ano, especialmente, será de muito consumo, temos eleição e Copa do Mundo e isso ajuda reunir gente e quando as pessoas se reúnem querem comer carne”, disse.

O presidente da ACNB (Associação dos Criadores de Nelore do Brasil), Pedro Gustavo Novis, inclusive, aposta em novas altas e arrisca que o preço pode chegar a R$ 135. “Nos últimos anos, os valores da arroba ficaram estagnados na casa dos R$ 90 (base São Paulo) e só agora voltaram a subir. Nominalmente, os preços são altos, mas se deflacionados ainda têm espaço para chegar aos R$ 135”, declarou.