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Economia

Reajuste do preço da gasolina deve ficar para depois das eleições

Os últimos dados do IPCA, índice usado para balizar a meta, indicaram que deve haver margem para o reajuste sem comprometer a meta

Folha

13 de Agosto de 2014 - 09:04

Se a inflação continuar comportada nos próximos meses, o governo Dilma planeja reajustar o preço da gasolina e do diesel em novembro ou dezembro para reforçar o caixa da Petrobras. 

O percentual do aumento ainda não está fechado, mas técnicos estimam que ele fique entre 5% e 6%. A avaliação é que o reajuste deve ficar para depois das eleições, apesar de alguns técnicos defenderem que, tendo espaço, poderia ser feito já, para tentar desfazer a imagem de que o tema é tratado politicamente. 

Segundo um assessor presidencial, a intenção é manter a regra de pelo menos um reajuste por ano, mas a presidente Dilma não quer encerrar seu mandato com a inflação estourando o teto da meta, de 6,5% ao ano. 

Os últimos dados do IPCA, índice usado para balizar a meta, indicaram que deve haver margem para o reajuste sem comprometer a meta. Em julho, o indicador ficou em 0,01%, o menor em mais de três anos. Uma elevação de 6% no preço da gasolina teria impacto de alta de 0,3% na inflação.

O governo, porém, prefere aguardar os próximos números da inflação. Se a de julho surpreendeu positivamente, as dos próximos meses costumam serem maiores. As previsões do mercado apontam para inflação de 0,2% em agosto e de 0,4% em setembro, o que vai manter o IPCA acumulado em 12 meses perto ou no teto da meta. 

O aumento dos combustíveis pode vir em novembro caso as previsões do mercado não se confirmem e a inflação fique menor. Ficaria para dezembro na hipótese de um IPCA mais pressionado na reta final de 2014. 

Dessa forma, uma parte do impacto do reajuste em dezembro recairia sobre o próximo ano, evitando o estouro. O governo trabalha oficialmente com projeção de 6,2% de alta do IPCA neste ano, mas considera plausível o índice terminar o ano em 6,4%. 

No domingo (10), a presidente Dilma disse que "em algum momento do futuro" haverá aumento, o que elevou o valor das ações da estatal.  O assunto voltou ao centro do debate depois que o lucro da Petrobras no primeiro semestre caiu 25% em relação ao mesmo período de 2013. 

Os preços de combustíveis represados prejudicam o caixa da estatal, que precisa importar gasolina e diesel a preços mais elevados para suprir a demanda interna. Segundo o Centro Brasileiro de Infraestrutura, a defasagem atual no preço em relação aos preços internacionais é de 9,6% para a gasolina e de 8,4% para o diesel. 

Além de sinalizar à Petrobras que há grandes chances de reajuste neste ano, o governo prometeu à estatal que, se continuar no comando, vai conduzir uma política "mais realista" de reajuste em 2015.