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Economia

Redução de 10% na safra de grãos não deve impactar as exportações de MS

Em janeiro, a soja registrou aumento de 616% nos envios ao exterior, na comparação com o ano passado

Correio do Estado

26 de Fevereiro de 2024 - 08:59

Redução de 10% na safra de grãos não deve impactar as exportações de MS
Dados da Conab apontam que, enquanto na safra 2022/2023 foram produzidos 28,050 milhões de toneladas de grãos, neste ciclo 2023/2024, a produção projetada é de 25,129 milhões de toneladas - Foto: Gerson Oliveira.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que a safra de grãos 2023/2024 de Mato Grosso do Sul registra redução de 10,4% na produção. Enquanto em 2023 foram produzidos 28,050 milhões de toneladas, neste ano, a produção projetada é de 25,129 milhões de toneladas. Segundo os especialistas, apesar da queda, as exportações não deverão ser impactadas.

O especialista em mercado exterior Aldo Barrigosse aponta que os grãos e seus produtos derivados estão com alta demanda, e seus preços seguem firmes no mercado mundial.

“Isso nos gera uma expectativa de termos valores maiores no mercado mundial em 2024. A perspectiva é de menores quantidades de toneladas exportadas e maiores valores recebidos por tonelada, que resultarão em um valor final exportado maior”.

Vale destacar que o complexo da soja, composto por bagaço, óleo e grão, teve uma participação histórica na balança comercial, acima de 20%, no início deste ano. “Isso demostra sua força motriz para alavancar a economia local e seu alcance global”, destaca.

Em sua análise, Barrigosse ainda aponta um ano aquecido para as commodities, em especial para a oleaginosa, que, mesmo com queda na projeção de produtividade, deve movimentar o mercado externo do Estado.

O economista do Sindicato Rural de Campo Grande, Corguinho e Rochedo (SRCG) Staney Barbosa Melo aponta a possibilidade de que as exportações de MS para os principais produtos e para os principais clientes se mantenham em alta. Podem surgir ainda novas oportunidades de negócios, o que, em sua visão, possibilitará, nos próximos meses do ano, um superavit.

“Quando o País exporta mais do que importa, consegue diversos benefícios econômicos, como a valorização de sua moeda e a relativa queda de preços de bens importados, reduzindo, consequentemente, a inflação interna e aumentando o poder de compra de outros setores de nossa economia”, finaliza o economista.

EXPORTAÇÕES

Com negociação de US$ 124,666 milhões em janeiro deste ano, houve aumento de 616,13% no volume financeiro, na comparação com o mesmo mês de 2023, quando foram movimentados US$ 17,408 milhões com vendas externas.

O salto nas vendas externas da oleaginosa em janeiro, em um período em que os embarques costumam ser baixos, deve-se ao aumento das compras pela China, que aproveita as cotações baixas do grão para fazer estoque.

Conforme dados da Carta de Conjuntura do Setor Externo, divulgada pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), a oleaginosa teve 18,35% de participação na atividade comercial externa do Estado em termos de valor.

A celulose aparece como primeiro produto na pauta de exportações, com movimentação financeira de US$ 137,535 milhões em janeiro, equivalente a 20,24% do total exportado em termos de valor, e crescimento de 3,10% em relação ao mesmo período do ano passado.

No quesito volume, foram enviadas 329.122 toneladas do derivado de eucalipto para fora do País, enquanto no mesmo período do ano passado foram exportadas 382.164 toneladas – recuo de 13,88%.

“Ele [setor de celulose] representa uma participação histórica em nossa balança comercial, acima de 20%. O setor vem realizando muitos investimentos em nosso estado nos últimos anos, o que nos faz ter uma expectativa de bons resultados para as exportações deste segmento em 2024”, avalia Barrigosse.

A carne bovina foi o terceiro item mais exportado, aparecendo logo depois da soja. Conforme o levantamento, no mês passado, o faturamento com as exportações do produto totalizou US$ 87,074 milhões, e o volume comercializado foi de 18.119 toneladas.

O doutor em Administração Leandro Tortosa salienta que, em janeiro, apenas os dois principais compradores de MS, China (41,07%) e Estados Unidos (8,49%), foram responsáveis por adquirir mais da metade dos produtos exportados.

Quanto ao destino das exportações, a China permanece como o principal comprador de produtos de Mato Grosso do Sul, tendo sido responsável por cerca de 81% do valor total arrecadado com as vendas externas em janeiro.

“Principal destino das exportações, a China vem desacelerando sua economia. Economia girando mais lenta, menos compra. Isso preocupa também por causa da grande participação da China em nossas compras, pois, se tivermos algum problema nessa economia, nós sofreremos aqui”, ressalta Barrigosse.

Como alternativa, o especialista em mercado externo pontua que o caminho é exportar em maiores volumes para outros mercados e diversificar os países importadores de produtos sul-mato-grossenses.