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ECONOMIA

Tendência é que consumidor pague "super" preço pela carne bovina, avalia analista

Midia Max

10 de Agosto de 2012 - 09:14

Com frigoríficos fazendo concentração de compra, o gado voltou a ser mercadoria rara no mercado. Além disso, o aumento do abate de vacas significa que a partir de 2013 o Brasil, e isto inclui Mato Grosso do Sul, terá menos gado e como consequência o consumidor vai pagar mais caro pelo quilo da carne.

O alerta para o atual comportamento da pecuária de corte e seu reflexo é do analista de mercado Júlio Brissac, um especialista no assunto. Ele avalia que o produtor rural é quem pode dar as cartas ao invés do supermercadista e começar a ditar as regras de como vai controlar as negociações. “O produtor moderno entende que só consegue avaliar o mercado por preços médios e saber tudo que está acontecendo em termos de gestão de seu negócio e como está se comportando o mercado hoje e ontem é um dos segredos”, garante.

Para o analista de mercado, o momento da pecuária de corte é um jogo de profissionais e não para amadores. Na sua visão, muito pecuarista vai quebrar e sair do mercado por não ter uma gestão eficiente na hora de negociar seu produto

Brissac orienta que de nada adianta o pecuarista pegar telefone e ligar no frigorífico e perguntar o quanto estão pagando pela arroba. O Brasil e o Estado, apesar das modificações de concentração de compra no Centro-Oeste, operam abaixo nas demandas. “Não adianta nada olhar pico de preço de entressafra quando tem pouco gado para vender”, afirma o consultor.

O consultor pondera que a margem de lucro não fica com o produtor ou o frigorífico. O supermercadista é o grande beneficiado com o comportamento do mercado. Ele dá como exemplo o preço pago pelo boi e pela vaca: historicamente a carne do boi tem 10% de valor agregado em relação à fêmea, porém, o consumidor paga pelo mesmo valor na gôndola.

“O Brasil deveria ser o país do Tributo Zero e não do Fome Zero como pregam certos governantes. A capacidade de consumo aumentou nos últimos anos. Conforme nossos estudos em relação ao comportamento de mercado, teremos um 2013 de carne cara ao consumidor”, alerta.

Se de um lado a pecuária vive uma margem ruim, o mercado de grãos vive um verdadeiro boom. Só para se ter uma ideia, o milho teve uma valorização de aproximadamente 30%. Um dos fatores é a forte seca nos Estados Unidos que já anunciou quebra na safra. Isto traz reflexos para o mercado brasileiro.