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Economia

Trabalhadores em plataformas online recebem 85% a mais que os tradicionais em MS

Pesquisa do IBGE revela dados inéditos sobre teletrabalho e atuação em aplicativos de serviços no estado.

Campo Grande News

25 de Outubro de 2023 - 16:35

Trabalhadores em plataformas online recebem 85% a mais que os tradicionais em MS
Motorista de aplicativo em atuação em Campo Grande (Foto/Arquivo/Henrique Kawaminami).

Mato Grosso do Sul tem observado mudanças significativas em seu mercado de trabalho nos últimos anos, especialmente impulsionadas pela pandemia da covid-19 e a ascensão do trabalho em plataformas digitais.

Pesquisa inédita divulgada nesta quarta-feira (25) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apresentou informações sobre como os sul-mato-grossenses têm se adaptado a essas novas realidades profissionais.

Os dados revelam que, em 2022, cerca de 23 mil pessoas no estado atuaram por meio de plataformas digitais de serviços, obtendo clientes e efetuando vendas por meio de plataformas de comércio eletrônico no trabalho principal, representando 1,1% da população ocupada em Mato Grosso do Sul.

Embora o percentual seja inferior à média nacional de 1,7%, o estado surpreende com um rendimento médio consideravelmente mais alto para os trabalhadores nessas plataformas. No ranking de Estados, Mato Grosso do Sul ocupa 18º maior proporção de trabalhadores utilizando plataformas online.

Os rendimentos médios dos “plataformizados” no Estado alcançaram R$ 5.155, o que representa um aumento de 85,0% em relação aos “não plataformizados”, cuja média de rendimentos foi de R$ 2.786. Além disso, a jornada de trabalho dos trabalhadores nas plataformas digitais é ligeiramente maior, com uma média de 42,4 horas semanais, em comparação com 41 horas para os demais ocupados.

A pesquisa também destacou o teletrabalho no estado, com 105 mil pessoas realizando trabalho remoto em 2022. Esse contingente representa 7,5% do total de ocupados em Mato Grosso do Sul. Dentre os teletrabalhadores, 83 mil pessoas utilizavam dispositivos eletrônicos pessoais, como computadores e smartphones, para realizar suas atividades remotamente.

Além das informações específicas de Mato Grosso do Sul, a pesquisa do IBGE trouxe à tona dados a nível nacional que oferecem uma visão das condições de trabalho de entregadores e motoristas que atuam em plataformas digitais de serviços.

Os motoristas de aplicativos no Brasil tiveram uma média de remuneração de R$ 11,80 por hora trabalhada, enquanto os motoristas tradicionais, que atuam através de contratos, receberam R$ 13,60 por hora. No entanto, os motoristas de aplicativos trabalharam em média 47,9 horas por semana, em comparação com 40,9 horas para os motoristas convencionais.

Os motoboys que fazem entregas por aplicativos enfrentam uma situação ainda mais desafiadora, com uma remuneração média de R$ 8,70 por hora trabalhada, em contraste com os demais motociclistas que ganharam R$ 11,90 por hora. Essa disparidade no rendimento reflete-se na jornada de trabalho, com os motoboys de aplicativos trabalhando, em média, 47,6 horas semanais, enquanto seus colegas autônomos atuam 42,8 horas por semana.

Apesar das mudanças significativas no mercado e formas de emprego, o procurador-geral do trabalho, José de Lima Ramos Pereira, alertou para a importância de respeitar os direitos dos trabalhadores que atuam via aplicativo e garantir o cumprimento do patamar mínimo civilizatório conquistado ao longo de muitos anos de luta da classe trabalhadora.

“Entregadores e motoristas que não trabalham via aplicativo trabalham menos e recebem mais, além de representarem quase o dobro do total dos trabalhadores por aplicativo que contribuem com a Previdência. Ou seja, estamos criando uma subcategoria, com subempregos, sob uma falsa premissa de modernização. Esses trabalhadores precisam ser respeitados e terem seus direitos assegurados”, afirmou o procurador.

Em resumo, a pesquisa destaca que os entregadores e motoristas que não trabalham por meio de aplicativos têm jornadas menores e recebem remunerações mais elevadas, indicando a necessidade de assegurar direitos e proteções adequados a todos os trabalhadores, independentemente do formato de contratação.

Em nível nacional, a pesquisa aponta que há 2,1 milhões de pessoas trabalhando por meio de aplicativos de serviço, dos quais 61,3% possuem ensino médio completo ou superior incompleto.