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Esporte

Fã de caipirinha, Ronda quer lutar no Brasil: Bethe e Cris Cyborg na mira

O país traz a ela boas lembranças, afinal, foi no Rio de Janeiro que Ronda conquistou a medalha de ouro no judô durante o Pan-Americano em 2007

Combate.com

15 de Setembro de 2014 - 08:53

O público de Brasília foi ao delírio com a presença de Ronda Rousey no Ginásio Nilson Nelson para o "UFC: Pezão x Arlovski". A supercampeã deu um passo importante para, quem sabe num futuro próximo, tornar-se a primeira estrangeira a defender cinturão no Brasil. O país traz a ela boas lembranças, afinal, foi no Rio de Janeiro que Ronda conquistou a medalha de ouro no judô durante o Pan-Americano de 2007. E a loura já até traçou todo um planejamento para realizar esse desejo.

- Adoraria defender meu cinturão aqui. Acho que seria o lugar perfeito para enfrentar a Bethe, na verdade. De repente no meio do ano que vem ou algo parecido. Tento não olhar muito lá na frente. Vou vencer quem estiver na minha mira. Espero que (a próxima luta) seja em 31 de janeiro (no card de Anderson Silva x Nick Diaz). E depois disso eu ficaria honrada em voltar ao Brasil e vencer aqui novamente - disse, em entrevista ao site.

A brasileira Bethe "Pitbull" Correia entrou na mira de Ronda após derrotar em seguida duas companheiras de treino da campeã, Jessamyn Duke e Shayna Baszler. A musa do MMA exaltou o trabalho feito por Bethe dentro e fora do octógono e disse discordar de quem acha que ela ainda não está credenciada o suficiente para disputar o título:

- Não sei por que dizer que ela não merece. Foi exatamente isso que as pessoas disseram sobre mim. Eu não estava bem ranqueada quando lutei pelo título (no Strikeforce, em 2012, em sua quinta luta profissional, contra Miesha Tate). As pessoas disseram que eu não merecia. Mas eu vejo uma garota que está invicta, que é uma das melhores do mundo. E ela não apenas derrotou minhas amigas, mas também foi um pouco desrespeitosa com elas. E isso foi muito inteligente da parte dela, porque, sim, você conseguiu chamar minha atenção. Eu quero te enfrentar. Mas não vai acabar muito bem para você.

Outra brasileira que está no radar de Ronda, só que há muito mais tempo, é Cris Cyborg. A campeã peso-pena (até 66kg) do Invicta FC pretende fazer um teste na divisão dos galos (até 61kg) no fim do ano e, se for bem, provavelmente terá uma chance no UFC. A loura, que no início da carreira também foi peso-pena, ironizou o fato de Cyborg já ter dito no passado que era impossível baixar de categoria. As duas costumam trocar farpas por meio da imprensa e das redes sociais.

- Sempre soube que ela consegue bater o peso. Foi ela que disse que morreria se fizesse isso, e vai acabar batendo o peso do mesmo jeito. Acho que ela terá uma performance extremamente boa. O negócio é que nunca fui a lugar nenhum. Tenho esperado para enfrentá-la. Foi ela que, 24 horas depois de o UFC anunciar que os atletas seriam testados fora de competição, pediu para ser liberada. Eu não saí daqui, foi ela que fugiu. Então, vá em frente. Baixe para 61kg, faça seu caminho até mim e terá a surra que merece há tantos anos. Eu estou ficando melhor a cada dia. Ela tem feito tanto contra o esporte, enquanto eu tenho feito tanto para ajudar a construí-lo. Ela envergonhou não só a ela própria, mas seu país. É uma péssima representante. Mal posso esperar para dar a ela o que merece.

Na visita ao Brasil, que ainda contará com uma passagem pelo Rio de Janeiro nesta terça-feira, Ronda se mostrou encantada com o país em vários aspectos. Um deles é uma bebida típica que é sucesso com os gringos em geral.

- Adoro o clima, a natureza, as pessoas, que são tão legais. Adoro a comida, aquele drink que vocês têm com álcool e açúcar... Caipirinha! Meu Deus, é tão bom (risos). Toda a comida, os monumentos, o turismo. A arquitetura daqui é ótima. Não consigo ficar tempo suficiente para fazer todas as coisas que quero. É um dos meus países preferidos. E sempre competi muito bem aqui. Tive alguns dos melhores dias da minha vida no Brasil. Só tenho boas associações a fazer - afirmou.

A viagem a Brasília, por sinal, teve problemas que resultaram num longo atraso entre quinta e sexta da semana passada. Ela relatou o ocorrido:

- Acho que nada poderia estragar minha viagem ao Brasil, porque é um dos meus lugares favoritos no mundo todo. Eu tive um incidente com o avião e fiquei muito "feliz" de ter sido no dia 11 de setembro. Pensei: "Bom dia para isso ter acontecido". As pessoas estavam pirando no avião. Eu dormi quando estávamos saindo de Atlanta e acordei quando estávamos chegando a Atlanta. Pensei: "O quê?". O voo atrasou 10 horas. Fiquei muito triste por não ter conseguido ir à pesagem, pois estava louca para interagir com os fãs brasileiros havia muito tempo.

Se Ronda já adiantou que pretende voltar ao octógono em 31 de janeiro, ela também deu a entender que espera que Cat Zingano seja a adversária. As duas deveriam ter se enfrentado ao fim do The Ultimate Fighter 18, mas Cat nem chegou a ser uma das treinadoras por conta de uma lesão no joelho e acabou substituída por Miesha Tate.

- Prometi a Cat Zingano que um dia ela teria a disputa de título que merece. Vou vencê-la, mas teremos a luta. Ainda estou esperando por ela - declarou.

Mas Cat Zingano primeiro tem de passar pela brasileira Amanda Nunes no UFC 178, dia 27 de setembro, em Las Vegas (EUA). A baiana, apesar de não ser vista como favorita por Ronda, também ganhou elogios da campeã:

- Acho que a Amanda é uma grande competidora. O nocaute dela sobre a Julia Budd foi um dos mais rápidos da história do MMA feminino (14 segundos de luta, pelo Strikeforce, em 2011). Não dá para descartá-la nunca. Acho que a Cat é favorita, mas nunca se sabe. Ela é uma daquelas lutadores que podem aparecer e ser brilhantes num dia, assim como pode cometer um erro e perder. Mas nunca se sabe, e a Amanda Nunes, em seus melhores dias, é uma das mais perigosas do mundo.

Consolidada como lutadora, Ronda Rousey tem investido na carreira de atriz, tanto que participou de "Os Mercenários 3" e "Velozes e Furiosos 7". Mas ela diz que está bem longe de se considerar uma superstar.

- Não sei como uma superstar se sente. Eu me sinto como sempre me senti. Não acordo de manhã pensando: "Sou uma estrela!". Acordo de manhã pensando: "Café da manhã". É a mesma coisa que faço todos os dias há muitos e muitos anos. Então, na verdade nem sei o que isso realmente significa - encerrou.