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Mato Grosso do Sul

Fiscalização apreende mais de 2 mil produtos irregulares enviados pelos Correios em MS

As apreensões ocorreram entre os dias 2 e 4 deste mês, em Mato Grosso do Sul, e os produtos eram oriundos do Paraguai.

Redação/Região News

08 de Fevereiro de 2026 - 18:15

Fiscalização apreende mais de 2 mil produtos irregulares enviados pelos Correios em MS
 As apreensões ocorreram entre os dias 2 e 4 deste mês. Foto: André Lima

Nos primeiros três dias de operação, uma força-tarefa de fiscalização retirou de circulação 2.071 produtos irregulares, entre canetas emagrecedoras, esteroides anabolizantes, ampolas e comprimidos anorexígenos à base de lisdexanfetamina. As apreensões ocorreram entre os dias 2 e 4 deste mês, em Mato Grosso do Sul, e os produtos eram oriundos do Paraguai.

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A ação integra um trabalho contínuo de fiscalização realizado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), em parceria com os Correios, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e outros órgãos, com o objetivo de desmontar rotas de envio ilegal de medicamentos por meio de correspondências.

Produtos sem registro e camuflados em encomendas

Os itens apreendidos não possuíam registro na Anvisa e eram comercializados sem documentação fiscal. Para burlar a fiscalização, os medicamentos eram ocultados em meio a presentes e objetos comuns, como bolsas e copos térmicos, além de estarem camuflados em erva de tereré, frascos de óleo, cremes hidratantes, sacos de feijão e até materiais escolares.

A operação conta com a atuação integrada da Vigilância Sanitária Estadual, Anvisa, CVPAF-MS (Coordenação de Vigilância Sanitária de Portos, Aeroportos e Fronteiras), CRF/MS (Conselho Regional de Farmácia) e dos Correios. Os trabalhos intensivos seguirão ao longo de todo o mês.

Irregularidades no transporte e risco à saúde

As encomendas foram identificadas por meio de inspeção por raio-X no fluxo postal e retidas pela Gerência de Segurança Empresarial dos Correios, por apresentarem irregularidades sanitárias e condições inadequadas de transporte e armazenamento.

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Segundo a fiscalização, muitos dos medicamentos exigem refrigeração entre 2ºC e 8ºC, o que não foi respeitado, configurando risco adicional à saúde dos consumidores.

Embalagens sofisticadas passam falsa sensação de segurança

A SES alerta que a comercialização e o envio de medicamentos não nacionalizados, sem registro sanitário ou comprovação de origem, representam grave risco à saúde pública. Sem controle sanitário, esses produtos podem ter composição desconhecida, armazenamento inadequado e ausência de critérios mínimos de qualidade e segurança.

De acordo com o fiscal da Vigilância Sanitária Estadual, Matheus Moreira Pirolo, muitos dos produtos utilizam embalagens sofisticadas que indicam falsa procedência internacional. “Há embalagens que citam Reino Unido e Alemanha como origem, mas os produtos não são fabricados nesses locais. A intenção é gerar credibilidade”, explica.

Ele destaca ainda que algumas substâncias não são reconhecidas por agências reguladoras, como a Tirzepatida, enquanto outras ainda estão em fase experimental, sem aprovação para uso em qualquer país, como a Retatrutida.

Fiscalização permanente em 2026

Diante da expansão do risco em todo o país, a Anvisa intensificou, em 2026, a fiscalização desses produtos. Em Mato Grosso do Sul, foi criada uma força-tarefa permanente, por meio do programa Visa Protege, coordenado pela Vigilância Sanitária Estadual.

A ação teve início nesta semana, na segunda-feira (2), com atuação diária nos Correios, e será ampliada para outros pontos de trânsito de mercadorias, como transportadoras, aeroportos e rodovias federais e estaduais.

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Efeitos adversos e alerta à população

O uso indiscriminado desses medicamentos pode provocar eventos adversos graves, como pancreatite aguda, insuficiência renal, perda de massa muscular e efeitos decorrentes de superdosagem.

“Esse tipo de medicação só deve ser utilizado quando registrado e com acompanhamento de endocrinologista ou nutrólogo, aliado à reeducação alimentar e prática de atividades físicas. Caso contrário, há efeito rebote e reganho de peso”, alerta Pirolo.

Ele também ressalta que a falta de investigação prévia sobre predisposição genética ao câncer de tireoide e a outros cânceres do sistema endócrino pode levar ao desenvolvimento da doença após o uso irregular desses medicamentos.