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JUSTIÇA

Após rodada de audiências, ação por morte de fiscal em Campo Grande entra na fase final

Midiamax

30 de Maio de 2026 - 08:58

Após rodada de audiências, ação por morte de fiscal em Campo Grande entra na fase final
Bernal com advogado de defesa. Foto: Madu Livramento, Jornal Midiamax

Após dois dias de audiências e mais de 10 testemunhas sobre o caso da morte do fiscal tributário Roberto Mazzini, a ação contra o ex-prefeito Alcides Bernal entrou em fase final, com o início das alegações finais.

O juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, abriu o prazo para a promotoria apresentar os pareceres finais. Após a juntada, é a vez da assistência de acusação, que inclui os familiares de Mazzini.

Antes das oitivas nesta semana, Garcete havia autorizado a família da vítima a atuar no caso. A defesa da família Mazzini havia pedido a habilitação da esposa e dos filhos de Roberto como assistentes de acusação, em meados de abril. Entretanto, a autorização só aconteceu em despacho na última sexta-feira (22), às vésperas da audiência.

Por fim, quem deve enviar as alegações finais é a defesa de Bernal. Na terça-feira (26), o juiz ouviu as testemunhas de acusação. Entre elas, estão o filho da vítima, Gabriel Mazzini —que deu um depoimento emotivo à Justiçao chaveiro, que é uma testemunha-chave; os funcionários da empresa de segurança contratada por Bernal; e policiais.

No dia seguinte, além do réu, foram ouvidos dois vizinhos, o piscineiro de Bernal, uma ex-servidora comissionada da Prefeitura e dois ex-secretários da sua gestão. Além deles, um delegado amigo do autor também prestou depoimento.

Ex-prefeito é denunciado por homicídio

A 19ª Promotoria de Justiça de Campo Grande denunciou o ex-prefeito Alcides Bernal pelo homicídio qualificado do fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini e porte ilegal de arma de fogo. O político e advogado está preso desde a data do crime, 24 de março de 2026.

Na denúncia, os promotores Lívia Carla Guadanhim Bariani e José Arturo Bobadilla Garcia ressaltam que Mazzini, de 60 anos, havia adquirido a casa de Bernal, no Jardim dos Estados, em um leilão da Caixa Econômica Federal, e foi ao local tomar posse do imóvel, junto de um chaveiro.

“O crime foi cometido por motivo torpe, visto que o denunciado agiu impelido pelo sentimento de vingança, mais precisamente porque não aceitava a perda do imóvel para a vítima e ainda acreditava ter direito sobre ele. Assim, decidiu ceifar-lhe a vida. Dada a repugnância da motivação do crime, caracterizada esta a qualificadora”, escreveram os membros do MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul).

Assim, o político foi denunciado por homicídio qualificado por motivo torpe, com recurso que dificultou a defesa, contra a vítima maior de 60 anos; e também por porte ilegal de arma de fogo.

Dias depois, o MP complementou a denúncia e pediu à Justiça a inclusão de mais um agravante ao assassinato, de meio cruel, e pelo crime de violação de domicílio.

“O homicídio é qualificado porque cometido com emprego de meio cruel, pois o denunciado, em atitude perversa, realizou um primeiro disparo em desfavor da vítima, atingindo-a, e, após incapacitada, efetuou o segundo à curta distância, quando a vítima estava caída. Continuamente, evadiu-se do local sem prestar socorro ao ofendido, revelando total insensibilidade”, pontuaram Lívia e José Arturo.

Bernal preso por assassinato

crime aconteceu em uma casa que pertenceu a Bernal, mas foi arrematada em um leilão por Mazzini, no ano passado. Na tarde de 24 de março, Roberto foi até lá, na presença de um chaveiro, a fim de tomar posse do imóvel, mas foi alvejado por ao menos dois tiros, que atingiram a região da costela, transfixando, e a dorsal da vítima.

O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 14h; eles realizaram, por cerca de 25 minutos, manobras de reanimação, mas o servidor não resistiu e morreu.

Após o crime, o ex-prefeito se entregou na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro. Já o chaveiro, que presenciou o assassinato, foi encaminhado para o Cepol (Centro Integrado de Polícia Especializada).