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Policial

Canibal confessa crime durante júri em Pernambuco

Os acusados, que estão presos desde 2012, respondem pelos crimes de homicídio quadruplamente qualificado, vilipêndio e ocultação de cadáver

Veja.com

13 de Novembro de 2014 - 15:25

Jorge Negromonte, um dos três acusados de matar, esquartejar, comer e comercializar salgadinhos recheados com os restos mortais de suas vítimas, confessou nesta quinta-feira todos os crimes contidos na denúncia apresentada pelo Ministério Público, segundo o Tribunal de Justiça de Pernambuco. Ao lado da mulher, Isabel Cristina Pires, e da amante Bruna Cristina da Silva, ele é julgado pelo assassinato da moradora de rua Jéssica Camila da Silva, de 17 anos.

O crime ocorreu em Olinda, em maio de 2008. Os acusados, que estão presos desde 2012, respondem pelos crimes de homicídio quadruplamente qualificado, vilipêndio e ocultação de cadáver. Os três já confessaram os crimes em depoimentos à Polícia Civil, mas ainda não haviam se manifestado nas audiências premilinares ao julgamento. O júri começou por volta das 10 horas, com os depoimentos do perito médico Lamartine Hollanda e do delegado da Polícia Civil Paulo José Belenguer. 

O primeiro réu a depor é Negromonte, que afirmou, de olhos fechados, estar arrependido de ter matado Jéssica, segundo o jornal Diário de Pernambuco. "Foi um momento de extrema fraqueza e me sinto na posição das pessoas que perderam seus entes queridos. Minha verdadeira prisão é minha consciência", disse.

Entenda o caso - Segundo a polícia, o grupo acreditava fazer parte de uma seita intitulada de Cartel, que pregava a redução populacional e a purificação do mundo. Em depoimento, os réus relataram que escolhiam as vítimas de acordo com missões recebidas por entidades sobrenaturais. Depois de executar as mulheres, o grupo tirava a pele, desossava e fatiava os cadáveres. Em seguida, guardava porções das nádegas, coxas e do fígado na geladeira. O restante do corpo era enterrado no quintal da casa.  Além de encontrar os restos mortais das vítimas, a polícia achou na casa um livro, escrito por Negromonte, que detalhava o modo e os motivos dos assassinatos. Os réus consideravam a ingestão de carne humana como um processo de “purificação da alma”.

No caso do processo que corre em Olinda, o grupo atraiu a moradora de rua, que na época tinha uma filha de 1 ano, oferecendo-lhe abrigo. Como não tinha condições biológicas de ter filhos, o casal Negromonte e Isabel planejava roubar a menina, segundo denúncia do Ministério Público. De acordo com a polícia, Jessica foi imobilizada no banheiro da casa, e em seguida levou um corte de faca na jugular. Todo o seu sangue foi retirado com a ajuda de um garrote. Depois, seu corpo foi esquartejado e a pele retirada. A carne foi fatiada e guardada na geladeira. No dia seguinte, foi ingerida grelhada, temperada com sal e cominho. A criança também comeu da carne da mãe. O resto foi enterrado em forma de cruz no quintal. 

Com Jéssica morta, Isabel assumiu a identidade dela e passou a cuidar da menina. O assassinato da jovem só foi descoberto depois de a polícia prender a dupla pela morte das duas mulheres em Guaranhuns, e encontrarem com eles a criança, que tinha, então, cinco anos. Na ocasião, ela foi entregue ao Conselho Tutelar. A terceira integrante do grupo, Bruna, apontada como amante de Negromonte, relatou à polícia que vendia empanadas e coxinhas feitas com os restos morais das vítimas pelas ruas de Guaranhuns.