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Policial

Cocaína diluída em madeira será extraída em processo químico e carga pode ser incinerada; entenda

Polícia Federal analisa carga de 260 toneladas de madeira com cocaína apreendida na fronteira. Material poderá ser incinerado após a perícia.

G1 MS

23 de Junho de 2026 - 13:23

Cocaína diluída em madeira será extraída em processo químico e carga pode ser incinerada; entenda
A droga foi encontrada em estado líquido e misturada à própria estrutura da madeira. — Foto: Receita Federal

Parte da carga de 260 toneladas de madeira impregnada com cocaína apreendida pela Polícia Federal e Receita Federal na fronteira entre Brasil e Bolívia, em Mato Grosso do Sul e no Mato Grosso, foi enviada para análises laboratoriais em Campo Grande. Os exames vão confirmar a presença da droga e ajudar a estimar a quantidade de cocaína existente no material, que poderá ser incinerado após a perícia, conforme informou a PF ao g1.

A apreensão ocorreu no domingo (21), em Corumbá (MS) e Cáceres (MT), durante uma operação internacional na região de fronteira. Cães farejadores ajudaram a identificar a presença de cocaína na carga.

Afinal, o que será feito com a madeira e com carga de cocaína? Entenda em três passos:

  1. 🧪🔬Peritos vão realizar testes químicos para confirmar a presença de cocaína e estimar a quantidade da droga impregnada na madeira;
  2. ⚠️⚠️A extração da cocaína será feita apenas em amostras da carga, já que o procedimento em todo o material é considerado inviável e muito caro;
  3. 🪵🔥Após a perícia, a carga apreendida deverá ser incinerada.

Segundo a investigação, a droga não estava armazenada em tabletes ou pacotes. A suspeita é de que os criminosos tenham impregnado a madeira com cocaína líquida, um método considerado incomum e de difícil detecção.

Carga demandaria operação industrial para retirar cocaína

Ao todo, 260 toneladas de madeira foram apreendidas na operação. Devido ao grande volume da carga, a retirada da droga de todo o material é considerada inviável pelas autoridades.

Por isso, a análise será realizada apenas em parte da carga. A extração da cocaína será feita por meio da imersão das toras em reagentes químicos. O processo faz com que a substância se desprenda da madeira, decante e se acumule no fundo do recipiente para coleta.

Após os exames laboratoriais, os peritos vão estimar a quantidade de cocaína presente na carga. Segundo fontes ligadas à operação, a extração completa da droga é inviável porque o procedimento é lento, tem alto custo e exigiria uma estrutura em escala industrial. Em seguida, a carga deverá ser incinerada.

A investigação também busca identificar os responsáveis pelo esquema criminoso.

Operação contou com apoio internacional

A apreensão ocorreu durante a Operação Timber Shield, realizada pela Receita Federal em parceria com a Polícia Federal, Exército Brasileiro e órgãos de inteligência dos Estados Unidos e da Bolívia.

As equipes fiscalizaram cerca de 260 toneladas de madeira transportadas em oito caminhões. Quatro veículos foram interceptados em Corumbá (MS) e outros quatro em Cáceres (MT).

Informações compartilhadas por autoridades brasileiras, norte-americanas e bolivianas indicavam a possibilidade de a carga estar contaminada com cocaína. Com base nesses dados, a fiscalização foi reforçada na região de fronteira.

Durante a inspeção, testes preliminares apontaram indícios da presença da droga na madeira.

Cão farejador ajudou a localizar a droga

Um cão farejador da Receita Federal foi fundamental para a identificação da carga suspeita. Durante as inspeções, o animal demonstrou interesse em um dos carregamentos, o que levou ao aprofundamento das análises.

Segundo a Receita Federal, as informações enviadas por autoridades dos Estados Unidos e pela Aduana da Bolívia já indicavam a possibilidade de a madeira estar contaminada, e a reação do cão reforçou as suspeitas das equipes.

Destino da carga ainda é investigado

De acordo com as informações obtidas durante a operação, a madeira tinha como destino Mato Grosso do Sul e Paraná. Parte dos caminhões seguiria para Campo Grande antes da distribuição da mercadoria.

Enquanto os exames continuam, os veículos permanecem sob custódia das autoridades. Em Corumbá, os caminhões estão armazenados no pátio da Agesa, principal porto seco da região e terminal logístico na fronteira entre Brasil e Bolívia.

As autoridades aguardam os laudos definitivos para confirmar a composição do material e a quantidade de cocaína existente na carga. Se as estimativas iniciais forem confirmadas, a apreensão poderá estar entre as maiores já registradas no país.