Policial
Morre de tornozeleira homem envolvido em execução de policial em 2018
Robson Dantas Moreira estava sob monitoramento eletrônico e cumpria pena em regime semiaberto por envolvimento na emboscada Wescley Vasconcelos Dias há quase uma década.
Correio do Estado
08 de Julho de 2026 - 10:54

Ligado e respondendo pela participação em um crime de 2018, Robson Dantas Moreira, de 35 anos, foi morto na manhã desta quarta-feira (08), durante ação do chamado programa Brasil contra o crime organizado, na Operação Protetor das Fronteiras em Ponta Porã. De tornozeleira eletrônica, o indivíduo foi condenado por envolvimento na execução do investigador de Polícia Judiciária Wescley Vasconcelos Dias, em 2018.
A ação policial aconteceu dentro da operação coordenada pela Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi), que é vinculada à Coordenação-Geral de Fronteiras (CGFron) e, por sua vez, faz parte da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
Conforme a Polícia Civil em nota, na última segunda-feira (06) equipes da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos (Derf) deslocaram-se da Capital do Mato Grosso do Sul rumo ao município de Ponta Porã, que é fronteiriço com a cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero (PJC).
Esses agentes localizaram hoje (08) na cidade fronteiriça com o Paraguai um dos condenados por envolvimento na morte do investigador de Polícia Judiciária Wescley Vasconcelos Dias, argumentando que Robson teria reagido à abordagem e utilizado arma de fogo na ação, morrendo após intervenção da equipe policial.
Segundo a PC em nota, a presença dos agentes da Derf no município fronteiriço com o Paraguai têm o objetivo de “intensificar ações de repressão à criminalidade na região de fronteira”. Nesse sentido, ainda na noite de terça-feira (07) teriam recebido informações de inteligência sobre um homem com substâncias entorpecentes e armas em um endereço.
Com isso os agentes se deslocaram até a casa que fica na Vila Ministro Salgado Filho em Ponta Porã, distante aproximadamente 3,5 quilômetros do popular Shopping China. Ao tentarem a abordagem, os policiais teriam recebido uma reação do indivíduo que portava uma arma de fogo, que foi considerada uma agressão suficiente para uma intervenção fosse necessária.
“Logo após a ação, os próprios policiais prestaram imediato socorro ao autor, que foi encaminhado ao hospital da cidade. Apesar dos esforços da equipe médica, ele não resistiu aos ferimentos”, complementa trecho da nota divulgada pela Polícia Civil.
Com o deslocamento imediato da Perícia Criminal e do delegado plantonista da Polícia Civil de Ponta Porã, arma e entorpecentes foram apreendidos e devem ser devidamente periciados.
Relembre
Identificado posteriormente como Robson Dantas Moreira, atualmente com 35 anos, esse indivíduo em questão foi condenado por fazer parte do homicídio de Wescley Vasconcelos Dias, investigador de Polícia Judiciária natural de Brasília (DF) morto a tiros de fuzil Ak 47 e 7.62 em 06 de março de 2018, enquanto se deslocava de carro com uma estagiária da delegacia.
De acordo com a base consultada pela Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos, Robson cumpria pena em regime semiaberto, com monitoramento por tornozeleira eletrônica.
A morte de Wescley foi alvo de grande repercussão há cerca de oito anos, noticiada pelos principais veículos de comunicação, crime esse descrito como "execução após emboscada", em uma região à época comandada pelo terror imposto por criminosos.
Após a execução do policial que dirigia uma viatura descaracterizada, uma força-tarefa foi montada em busca dos responsáveis, resultando inclusive na morte de Kleber da Silva Rodrigues, vulgo "Klebinho", que teria inclusive velório e ônibus para transportar seus familiares até o enterro custeados pela facção criminosa por supostamente ser integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Além desse, entre os principais nomes buscados pela polícia à época estava o de Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, conhecido como 'Minotauro', acusado de ser o principal mentor da execução do investigador da Polícia Civil em Ponta Porã. Até mesmo um laboratório de cocaína foi estourado pela Polícia Nacional do Paraguai na busca por esse indivíduo.
Entretanto, ainda que tenham usado mais de um carro na execução do crime, o "pistoleiro" em questão seria um indivíduo identificado como Edson de Lima, que teria recebido ordens de "Minotauro" para matar o policial em retaliação aos trabalhos investigativos na região de fronteira.
Para auxiliar a família do investigador, o Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul (Sinpol/MS) chegou a abrir campanha em busca de arrecadar doações para custeio da mudança da mulher e do filho de Wescley, que morreu quando o pequeno ainda tinha apenas cinco anos




