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Política

Denúncia é gravíssima e Delcídio precisa provar que não trai o PT, diz Zeca

Midia Max

03 de Julho de 2012 - 14:00

Indignado, o ex-governador Zeca do PT cobrou, nesta terça-feira (3), apuração rigorosa de denúncia de traição do senador Delcídio do Amaral para derrotar o PT e seus aliados em Mato Grosso do Sul. Segundo o ex-suplente do senador, Antonio João Hugo Rodrigues (PSD), Delcídio e o deputado federal Antônio Carlos Biffi (PT), participaram de reunião secreta com o governador André Puccinelli (PMDB) para bolar estratégia a fim de enfraquecer o PT nas eleições municipais.

A denúncia veio à tona na edição desta terça-feira (3) do jornal Correio do Estado e o ex-governador confirmou ao Midiamax a suspeita de traição. “Há sinalizações de que a denúncia confere e eu tinha, por outro caminho, informações de que de fato essa reunião aconteceu”, disse Zeca.

Ele, inclusive, deu detalhes do dia e de quem participou do suposto encontro. “Foi numa segunda-feira, que teve evento grande aqui em Campo Grande na Acrissul contra o monopólio da carne, que vieram várias figuras da política. A denúncia que eu tive que, antes de ir para a Acrissul, se reuniram às escondidas o senador Delcídio, o deputado Biffi, o Osmar Geronymo, chefe da Casa Civil, e o governador André Puccinelli para montar essa conspiração de derrotar o PT e seus aliados”, acrescentou.

Para piorar a situação, Zeca disse que percebeu atitudes suspeitas de Delcídio no período das articulações de coligação. Segundo ele, o correligionário tentou “na marra impor aliança” com os principais rivais do PT no Estado. Como exemplo, citou as tratativas em Três Lagoas e Sidrolândia.

“Fecharam entendimento com o Ângelo Guerreiro (PSD) em Três Lagoas e me estranhou que na última semana, ao fechar as cortinas da pré-campanha, apareceu lá exatamente as pessoas vinculadas aos dois (Delcídio e Biffi) propondo uma mudança de rumo para levar o PT a desfazer o acordo político com o Guerreiro para fechar aliança com a Márcia (atual prefeita pelo PMDB), representante dos interesses da Simone (Tebet) e do André em Três Lagoas”, relatou Zeca. “Isso foi o fim da picada”, completou.

Ainda de acordo com o ex-governador, em outros municípios a atitude suspeita se repetiu. “Em outras cidades também percebi a tentativa de na marra impor aliança com os nossos adversários. Em Sidrolândia, por exemplo, com muita dificuldade conseguimos uma aliança que não seja com o nosso principal adversário em 2014, que é o PSDB, como o senador queria”, emendou. “Enfim, são vários os sinais claros de que isso de fato pode estar acontecendo”, concluiu.

Diante da suspeita e dos indícios fortes de que a traição ocorreu, Zeca cobrou explicações de Delcídio e de Biffi e uma atitude do Diretório Regional do PT. “Estou extremamente preocupado, acho que é uma coisa séria, muito séria, por isso, exige urgentemente uma manifestação do senador e do deputado”, cobrou. “Merece também um posicionamento do diretório do PT, no mínimo dando conhecimento ao PT nacional”, completou.

Biffi nega reunião e Delcídio não é localizado

Indagado sobre a denúncia de traição, o deputado Antônio Carlos Biffi negou a reunião com o governador e atacou Antonio João, que tornou pública a suspeita. “Essa reunião nunca existiu”, assegurou. Ele, no entanto admitiu manter diálogo constante com os peemedebistas. “Agora, conversar com o PMDB é normal, assim como conversamos com outros partidos. Em todo o Estado temos 15 cidades com aliança com o PMDB”, disse.

O deputado ainda tentou mudar o foco da discussão, atacando o presidente regional do PSD. “Depois da encenação dele (Antonio João), passeando com o PT pelo Estado e agora indo pra aliança com PMDB mostra a credibilidade que ele tem. O que está querendo é polemizar, pois pregou o tempo todo que era oposição, mas agora está tentando atingir todo mundo, na tentativa de se limpar, atirando a lama dele nos outros”, acusou.

Procurado pela reportagem, Delcídio não deu retorno até o fechamento da matéria. Sua secretária, em Brasília, disse que talvez à tarde ele poderia falar, após reunião com a bancada federal. Seu assessor, em Campo Grande, informou que ele respondeu, via Twitter, as acusações.

Na página social, o senador se limitou a dizer que “dessa vez, AJ, você errou, e feio! Não se preocupe, meu velho, o PSD é maior que você!!!!!”. Em seguida, jogou a responsabilidade do caso à direção regional. “Quanto a unidade e as alianças do PT, ninguém melhor que a direção estadual para lhe responder”, finalizou.

Briga antiga

A troca de acusação de traição entre os petistas se arrasta desde as eleições de 2006. Depois de ter virado senador com o apoio de Zeca, Delcídio concorreu ao Governo do Estado e saiu indignado do pleito por supostamente não ter recebido ajuda do correligionário na campanha.

Quatro anos depois, foi a vez de Zeca não ver o correligionário “entrar de cabeça” no enfrentamento contra Puccinelli. Em 2010, Delcídio foi visto participando de carreatas em favor da eleição do atual deputado federal Edson Giroto (PMDB) e do senador Waldemir Moka (PMDB).

Dagoberto Nogueira (PDT), companheiro de chapa do senador, inclusive, rompeu com o PT em resposta à “dobradinha” de Delcídio com Moka. Passado o calor do debate eleitoral, o ex-governador e o senador selaram acordo de paz em favor do retorno do PT ao comando do Governo do Estado em 2014.

“Eu procurei o senador, disse que seria parceiro, cabo eleitoral em 2014, viajando pelo Estado, preparando o PT para um resultado positivo em 2012, de olho em 2014, mas que confiança nós temos agora, diante de tudo isso”, comentou Zeca.

Políticos de vários partidos, que pediram anonimato, dizem que a aproximação de Delcídio com Puccinelli seria uma tentativa de o senador tentar emplacar uma candidatura única ao Governo do Estado, em 2014.