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Política

Deputados querem anulação de questão do vestibular da USP sobre morte de indígenas

Na opinião dos parlamentares, a questão denigre a imagem de Mato Grosso do Sul e mostra uma realidade mentirosa sobre a questão indígena.

Assessoria

12 de Dezembro de 2013 - 13:30

Deputados estaduais encaminharão à Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular), responsável pelo processo seletivo para a USP (Universidade de São Paulo), pedido de anulação da questão número 50 do vestibular 2014. A pergunta faz referência ao assassinato de indígenas entre 2003 e 2012 e denigre a imagem de Mato Grosso do Sul, além de apresentar dados inverídicos.

A questão foi levantada pelos deputados Mara Caseiro (PTdoB) e Zé Teixeira (DEM), respectivamente presidente e vice-presidente da Comissão de Desenvolvimento Agrário e Assuntos Indígenas.

A Fuvest apresentou tabela, comparando os assassinatos de indígenas no Brasil e em Mato Grosso do Sul entre 2003 e 2012, e apresentou cinco alternativas. A últimas delas, que é a correta, traz a seguinte afirmação:

“No período abrangido pela tabela, a participação do Mato Grosso do Sul no total de indígenas assassinados é muito alta, em conseqüência, principalmente, de disputas envolvendo a posse de terras”. Pela tabela, dos 554 assassinatos de indígenas no período, 310 ocorreram no Estado. A questão foi elaborada pela Fuvest com base em dados do CIMI (Conselho Indigenista Missionário).

Ocorre que os dados enviados pela Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) à deputada Mara Caseiro comprovam que a maioria dos assassinatos foram cometidos entre índios, e não por conta da disputa por terras, como afirma a questão.

De acordo com a tabela divulgada pela secretaria, entre 2007 e 2013, das 214 ocorrências, 207 foram dentro das aldeias. Desse total, 192 homicídios foram cometidos pelos próprios indígenas, 16 têm como autor pessoas de fora das aldeias e 5 assassinatos constam como ocorrência a apurar.

Para Mara Caseiro, a questão da Fuvest apresenta dados incorretos, é capciosa e mentirosa. “Para que essa questão tenha validade, primeiro precisa apresentar dados corretos. Em segundo lugar, a questão é mentirosa, porque os assassinatos, quase que em sua totalidade, não ocorrem por conta das disputas de terras, mas são homicídios cometidos pelos próprios indígenas”, disparou.

Na opinião da deputada, a questão do vestibular 2014 da USP deveria apresentar uma sexta alternativa, afirmando que a morte dos indígenas é provocada, em sua maioria, pela ineficiência da Funai, omissão do governo federal, ausência de políticas públicas que impedem o desenvolvimento dos povos indígenas, a entrada de álcool e drogas nas aldeias, além do conflito cultural.

Mara Caseiro também reafirmou seu discurso de que os indígenas precisam ter as mesmas oportunidades de trabalho e de conforto que os outros povos. “No entanto, a Funai, o CIMI e as ONGs internacionais não estão interessadas nisso. Elas prestam um desserviço aos índios, tratando-os como massa de manobra”, afirmou.

Mara Caseiro, Zé Teixeira e o deputado Marquinhos Trad devem elaborar um documento nos próximos dias pedindo a anulação da questão do vestibular da USP.

Na opinião dos parlamentares, a questão denigre a imagem de Mato Grosso do Sul e mostra uma realidade mentirosa sobre a questão indígena.