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Política

Dilma terá que lidar com "peso" do Brasil na política externa

O professor espera que Dilma dê continuidade ao legado do antecessor e mentor político

Dourados News

18 de Dezembro de 2010 - 10:29

Em seus quase oito anos de mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez mais de 200 viagens internacionais, prova da importância dada por ele à política externa, um dos campos em que mais investiu esforços durante seu governo.

A petista Dilma Rousseff receberá de suas mãos a tarefa de dar continuidade a uma diplomacia que ficou marcada, sobretudo, pela articulação com as demais nações do hemisfério Sul e pela busca por uma crescente integração com os vizinhos sul-americanos.

Trata-se de uma missão que, para o cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira, especialista em política externa brasileira, deve ter como objetivo maior preservar a conquista principal de Lula: a autonomia internacional do Brasil e a sua transformação em uma potência política global.

O professor espera que Dilma dê continuidade ao legado do antecessor e mentor político. Em novembro, os dois foram juntos à reunião de cúpula do G20, na Coreia do Sul. Foi a estreia da ex-ministra da Casa Civil em fóruns internacionais já como presidente eleita.

- O governo do presidente Lula tratou de ampliar a autonomia internacional do Brasil e projetá-lo como uma potência política global. Não há a menor dúvida de que Dilma dará continuidade a essas diretrizes da política externa.

Em um documento que apresentou no fim da campanha, intitulado “13 compromissos programáticos para debate na sociedade brasileira”, Dilma reservou um tópico à política externa.

Nele, a presidente eleita menciona alguns dos principais eixos da linha seguida pelo atual governo, como o compromisso com os processos de integração sul-americana e latino-americana, a cooperação Sul-Sul e a solidariedade com países pobres e em desenvolvimento.

O documento cita ainda o Bric - bloco formado Brasil, Rússia, Índia e China - e o Ibas, do qual fazem parte Índia, Brasil e África do Sul. “Nossas parcerias tradicionais serão preservadas e ampliadas”, diz o texto.

Também foram apresentados como compromissos de Dilma o respeito aos princípios de não intervenção, a defesa dos direitos humanos, a luta pela paz e pelo desarmamento e a democratização dos fóruns internacionais - bandeiras de Lula em seus anos de governo.

Outro indicativo de que Dilma poderá dar continuidade às linhas principais da política externa do atual governo é a escolha do diplomata Antônio de Aguiar Patriota para comandar o Ministério das Relações Exteriores, ainda não oficializada. Patriota é hoje secretário-geral do Itamaraty, segundo posto na hierarquia do órgão, e próximo do chanceler Celso Amorim. Os dois trabalharam juntos em Nova York e Genebra.