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Política

Penhora pode inviabilizar campanha do PTB em Mato Grosso do Sul

A dívida do partido, que à época de Antonio Cruz era de R$ 1,2 milhão, gira hoje na casa dos R$ 6 milhões.

Willams Araújo

24 de Março de 2014 - 07:25

Mergulhado em uma dívida milionária, o PTB corre o risco de ter sua estrutura de campanha inviabilizada por falta de dinheiro. Se não bastasse a preocupação do presidente regional do partido, Ivan Louzada, com a dívida impagável contraída em 2004 durante a campanha do deputado federal Antônio Cruz, à prefeitura de Campo Grande, novas pendências estão sendo questionadas na Justiça.

“Nosso Fundo Partidário foi bloqueado mais uma vez”, atestou Louzada, referindo-se a outra dívida feita por Antonio Cruz com outra empresa de comunicação, que entrou na Justiça para receber pelos serviços prestados.

O dirigente garante que este mês o dinheiro que sobrou na conta corrente do partido só deu para pagar funcionários e manter a sede do diretório regional, em Campo Grande.

Sem representatividade na Assembleia Legislativa, o PTB planeja eleger dois deputados estaduais nas eleições de outubro por meio de chapa pura, quer dizer, sem se coligar com outras legendas. No entanto, a situação financeira do partido não é boa para as suas pretensões.

Cobiçado por outros grupos políticos interessados em seu tempo no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão, o PTB está desidratado desde que perdeu vários prefeitos e tenta se reerguer em Mato Grosso do Sul.

Apesar de ser ligado ao governador André Puccinelli (PMDB), o partido se diz aberto ao diálogo para conversações com outras lideranças políticas e já conversou com o ex-prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad, pré-candidato do PMDB ao governo do Estado.

Louzada também garante estar disposto a ouvir as propostas do senador Delcídio do Amaral, pré-candidato do PT ao governo estadual. O partido teria encontro marcado com o prefeito de Dourados, Murilo Zauith (PSB), que está sendo motivado a entrar na disputa.

A dívida do partido, que à época de Antonio Cruz era de R$ 1,2 milhão, gira hoje na casa dos R$ 6 milhões. Em julho do ano passado, além de bloquear a conta do diretório regional, a Justiça seqüestrou R$ 1,128 milhão do diretório nacional por conta do mesmo débito.

Além de Antônio Cruz, a dívida foi contraída pelo candidato a vice-prefeito na chapa do ex-petebista, Luiz Pedro, à época filiado ao PP, junto a empresa ZN Marketing e publicidade Ltda.

De acordo com informações do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o PTB nacional abocanha mensalmente em torno de R$ 8 milhões do Fundo Partidário, dos quais o diretório regional tem direito a R$ 9,8 mil por mês, conforme Louzada.

O PTB conta com um único representante na Câmara de Vereadores de Campo Grande, Edson Shimabukuro, responsável por garantir espaço na prefeitura ainda durante as articulações visando salvar o mandato do prefeito Alcides Bernal (PP).

Como Shimabukuro traiu o acordo assumido com o prefeito cassado, o PTB deve se manter à frente do comando da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito).

Apesar das dificuldades e de suas limitações, os petebistas ainda vislumbram lançar Sérgio Longen, presidente da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul) ao governo estadual.

CRITÉRIO DE DISTRIBUIÇÃO

Os valores do Fundo Partidário são rateados entre os diretórios regionais petebistas em todo o Brasil, conforme a legislação, entre os quais o de Mato Grosso do Sul.

De acordo com a legislação, o Fundo especial de assistência aos partidos políticos é constituído pelas multas e penalidades eleitorais, recursos financeiros legais, doações espontâneas privadas e dotações orçamentárias públicas. O critério de distribuição é definido por meio da Lei n° 11.459, de 21 de março de 2007.