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Política

Riedel discute o fortalecimento dos laços econômicos com Lula e presidente da Bolívia

Um dos temas debatidos foi a alteração de pontos regulatórios do gás natural boliviano, importado para o Brasil passando por Mato Grosso do Sul.

Correio do Estado

17 de Março de 2026 - 08:46

Riedel discute o fortalecimento dos laços econômicos com Lula e presidente da Bolívia
Riedel e Verruck participaram de reunião com presidentes do Brasil e Bolívia em Brasília - Foto: Reprodução / Instagram

O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), se reuniu nesta segunda-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, para discutir o fortalecimento dos laços econômicos entre Bolívia e Brasil, em especial com Mato Grosso do Sul.

A discussão ocorreu em almoço realizado no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, e também contou com a participação do secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck.

Um dos temas debatidos foi a alteração de pontos regulatórios do gás natural boliviano, importado para o Brasil passando por Mato Grosso do Sul, onde corresponde a importante fatia de arrecadação e também é tido como mola propulsora do desenvolvimento industrial do Estado.

Outra questão abordada foi a integração logística de Mato Grosso do Sul com a Bolívia, que envolve questões como a Hidrovia do Rio Paraguai e uma conexão entre a Ferroviaria Oriental, já operante em território boliviano, com a Malha Oeste, prevista para ir à leilão pelo governo federal até novembro.

Riedel destacou que o encontro foi importante para avançar nas discussões sobre gás, hidrovia, ferrovia e energia elétrica, iniciativas consideradas fundamentais para ampliar investimentos, fortalecer a infraestrutura e gerar novas oportunidades de desenvolvimento para o Estado.

"Foram discussões muito importantes para o Mato Grosso do Sul, como a reformulação da legislação referente ao gás, algo fundamental para que esse setor tenha mais investimentos, beneficiando diretamente o nosso Estado. Conversamos ainda sobre a hidrovia no Rio Paraguai, algo que cabe ao Governo Federal avançar, e a situação da ferrovia Malha Oeste. Lá na Bolívia eles já tem a linha Oriental", explica o governador.

Acordo bilateral

Riedel e as autoridades presentes conversaram também sobre os avanços que a interconexão da rede elétrica boliviana à brasileira podem render para o Brasil e particularmente para o Mato Grosso do Sul, estado onde vai ocorrer a conexão.

Um acordo bilateral para interconexão elétrica com a Bolívia, ligação entre a província de Germán Busch, no departamento de Santa Cruz, e Corumbá, no interior do Estado, foi assinado hoje e prevê intercâmbio energético, especialmente em situações de emergência.

"Hoje foi assinado um tratado sobre energia elétrica que para o Mato Grosso do Sul será extremamente importante, pois está garantindo mais suprimento de energia para o país e, consequentemente, para o Estado. Certamente todos esses debates feitos hoje vão chegar a uma consolidação de importantes investimentos e da uma integração econômica e estrutural Mato Grosso do Sul-Brasil-Bolívia", avaliou Riedel.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, o acordo inclui a instalação de uma estação conversora de frequência no lado brasileiro e a construção de linhas de transmissão com capacidade aproximada de 420 megawatts (MW), consolidando a integração das infraestruturas.

O intercâmbio de energia ocorrerá principalmente a partir de excedentes de geração de cada país, sempre preservando o atendimento prioritário das demandas internas.

O documento também prevê a possibilidade de trocas emergenciais em situações de contingência nos sistemas elétricos. Cada país será responsável por financiar, construir e operar sua própria infraestrutura.

"A interconexão elétrica cria as bases para o intercâmbio de energia entre Brasil e Bolívia, ampliando a segurança energética regional e permitindo o melhor aproveitamento dos recursos disponíveis nos dois países", disse o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em nota.

Com esse acordo assinado, a coordenação técnica dos estudos e da implementação ficará a cargo do Comitê Técnico Binacional Brasil-Bolívia (CTB). Conforme o documento, cada país será responsável por financiar, construir e operar a infraestrutura localizada em seu respectivo território.