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Política

Vitória de Reinaldo tira do protagonismo político lideranças como Puccinelli, Nelsinho e aposenta Londres Machado

Candidato à vice na chapa do senador Delcidio do Amaral, Londres elegeu a filha Graziele Machado para sua vaga na Assembleia.

Flávio Paes/Região News

27 de Outubro de 2014 - 19:35

A vitória de Reinaldo Azambuja na disputa pelo Governo representa também o sepultamento político ou pelo menos retira do protagonismo do poder  o governador André Puccinelli, Nelson Trad Filho, prefeito por 8 anos da Capital, Londres Machado, que após 40 anos de parlamento estadual está fora da Assembleia Legislativa.

Candidato à vice na chapa do senador Delcidio do Amaral, Londres elegeu a filha Graziele Machado para sua vaga na Assembleia, mas esta eleição deve marcar sua aposentadoria da vida pública. O mesmo destino terá o presidente da Assembleia Legislativa, Jerson Domingos, principal articulador da fracassada candidatura de Delcidio ao Governo, junto com os seus cunhados, Pedro Chaves dos Santos (suplente de senador) e Jamil Name.

Quem também saiu menor do que entrou nesta disputa foi o senador Delcidio do Amaral, derrotada pela segunda vez (a primeira foi em 2006) na sua tentativa de chegar ao Governo do Estado. Para quem até março se considerava o virtual futuro governador, surfando sobre todos os partidos (avaliava-se que o senador de todos, seria inevitavelmente o governador de todos) perdeu até o protagonismo dentro do próprio PT, onde o ex-governador Zeca do PT, consagrado por uma votação recorde para deputado federal, ressurge como a maior estrela petista no Estado.

Zeca, em 2010, contra  a mega estrutura que sustentava a reeleição do governador André Puccinelli, da qual Delcidio participava, teve mais de 42% dos votos, resultado muito parecido com os 44,66% obtidos agora pelo senador.  Zeca, que viabilizou a eleição de Delcidio em 2002 quando por pouco não se reelegeu governador, se credencia para disputar em 2018, uma das duas vagas ao Senado, colocando em risco uma eventual segunda reeleição do senador que até aqui se apresentava como de todos. Restaria a Delcidio, a aventura de buscar o Governo do Estado pela terceira vez.

O resultado das eleições de 2014 marcou o fim da perpetuação do PMDB no poder no Estado. Desde a primeira eleição para o governo estadual, em 1982, quando o peemedebista Wilson Barbosa Martins sagrou-se vencedor, o partido ou comandava Mato Grosso do Sul ou a Capital. O PMDB está no poder há 32 anos.

O PT também saiu perdendo, já são 12 anos longe do Governo do Estado, e o partido mantém o tabu de nunca ter vencido uma eleição para comandar Campo Grande. Também perde o deputado estadual Londres Machado (PR), que não conseguiu ser eleito vice-governador após 40 anos no parlamento estadual. 

“Quem mais ganhou em Mato Grosso do Sul, foi o PSDB, que sempre ocupou um papel de 2º plano ao lado do PMDB, dessa vez inverteu, com o Reinaldo, que já tinha vindo de uma boa eleição para prefeito de Campo Grande”, explica o cientista política Eron Brun.

Está já é a segunda vez consecutiva que o PMDB não consegue fazer um sucessor, já que em 2012 o então prefeito Nelsinho Trad viu o candidato do partido, Edson Giroto, sair derrotado das urnas. E este ano, o atual governador André Puccinelli, maior liderança estadual da sigla, viu se eleger Reinaldo Azambuja, um dos principais críticos de sua gestão.

“O Estado ganhou com isso. A polarização entre PT e PMDB dessa vez toma outro rumo, para a democracia. Se olharmos para o passado, desde o Pedro Pedrossian, Wilson Barbosa Martins, Zeca do PT e Puccinelli, sempre governaram com maioria, e o Reinaldo já vai entrar com essa maioria, porque recebeu o apoio das principais lideranças do PMDB”, pontua Brum.

Na opinião do cientista político, o maior perdedor destas eleições foi o Partido dos Trabalhadores. “Eles tinham um candidato quase imbatível. Já falavam em vitória no 1º turno, e com esses escândalos todos, o partido saiu arranhado. Mas, continua uma oposição forte”, emenda.

A aliança nacional do PT com o PMDB, que juntos reelegeram a presidente Dilma Rousseff (PT), deve ser benéfica para o PSDB, já que tucanos e peemedebistas retomaram a aliança regional e, à exceção dos eleitos Zeca do PT, Vander Loubet (PT) e Dagoberto Nogueira (PDT), também elegeram a maior bancada na Câmara Federal. O PMDB também ampliou sua presença no Senado, com a eleição de Simone Tebet, agora colega de Casa de Waldemir Moka.

Outro que perdeu foi o PR, que diminuiu sua bancada na Assembleia Legislativa, e ainda viu o decano Londres Machado, candidato a vice-governador na chapa petista, perder sua primeira eleição em quase meio século. Ele conseguiu ser eleito deputado estadual por 10 mandatos consecutivos.

“O Londres não está acostumado a perder. Elegeu a filha (deputada estadual eleita Grazielle Machado), mas perdeu sua última eleição. Mas, o PR sempre coliga com o governo, não tem luz própria, é uma sigla que tende para onde for mais favorável”, finalizou Eron Brum.

Apesar de também integrar a chapa petista, o PDT aumentou sua presença na Assembleia Legislativa, terá três deputados estaduais, e voltou a ter representatividade no Congresso, com a eleição de Dagoberto.

O PSB também ganhou, mesmo integrando a chapa derrotada do PMDB ao governo estadual, porque passou a ter um representante na Assembleia (José Carlos Barbosa) e um na Câmara Federal (Tereza Cristina da Costa Corrêa).

Já o PROS, que tinha dois deputados estaduais, não terá bancada no legislativo do Estado em 2015. Lauro Davi não conseguiu ser reeleito e Osvane Ramos, ex-prefeito de Dois Irmãos do Buriti, desistiu da disputa.