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SIDROLÂNDIA- MS

Com ajuda de guincho, tetraplegia não impede Gabriel de voltar a dirigir trator

Tetraplégico desde um grave acidente, o jovem emocionou as redes sociais ao aparecer em um vídeo sendo içado por um guincho para entrar na máquina e, novamente, conduzi-la.

Redação/Região News

02 de Janeiro de 2026 - 09:33

Com ajuda de guincho, tetraplegia não impede Gabriel de voltar a dirigir trator
Gabriel de Souza Ramos Sobrinho

Depois de três anos de luta, superação e saudade da rotina no campo, Gabriel de Souza Ramos Sobrinho, de 21 anos, residente no Assentamento Eldorado, em Sidrolândia, voltou a fazer o que sempre considerou seu maior dom: dirigir trator. Tetraplégico desde um grave acidente, o jovem emocionou as redes sociais ao aparecer em um vídeo sendo içado por um guincho para entrar na máquina e, novamente, conduzi-la.

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Desde os 7 anos de idade, Gabriel já lidava com tratores e máquinas agrícolas. Criado no meio rural, encontrou ali não apenas um trabalho, mas um propósito de vida. Tudo mudou em 10 de dezembro de 2021, quando sofreu um grave acidente de moto que interrompeu bruscamente seus planos.

Na época com 17 anos, ele voltava para casa quando um carro saiu de ré de uma chácara. “A preferência era minha. Tentei parar, mas não deu tempo e bati na lateral do veículo”, relembra. Com o impacto, Gabriel fraturou a coluna cervical e perdeu os movimentos. Segundo ele, a situação se agravou quando o motorista retirou o capacete e a mochila antes da chegada do socorro.

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“Quando acordei, fui diagnosticado como tetraplégico. O primeiro médico disse que eu nunca mais andaria e que só conseguiria mexer os olhos.”

Exames posteriores trouxeram uma pequena esperança: a lesão era incompleta e a juventude poderia ajudar na recuperação. Mesmo assim, o caminho foi longo e doloroso. Gabriel passou por cirurgia, ficou em coma induzido, precisou de traqueostomia e desenvolveu uma escara devido ao longo período acamado.

Após 25 dias, foi encaminhado ao Hospital São Julião, onde permaneceu por dois meses em reabilitação. Com fisioterapia intensa, conseguiu retirar a traqueostomia e recuperar alguns movimentos. Depois, deu continuidade ao tratamento em Sidrolândia, passou por outros hospitais e, em março de 2024, finalmente conseguiu atendimento especializado em Brasília.

“Antes disso, minha qualidade de vida era muito difícil. Eu usava fralda, tinha limitações para sair de casa. Depois, aprendi a controlar o intestino e a urina, ganhei movimentos nas pernas, nos dedos e recuperei sensibilidade”, conta. Apesar dos avanços físicos, o maior sofrimento era emocional.

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“Me sentia imprestável. Via as máquinas passando em frente de casa e pensava que eu podia estar ajudando. Eu não conseguia mexer um dedo.”

O reencontro com o trator aconteceu recentemente. Com ajuda de amigos e de um guincho, Gabriel foi colocado na cabine e voltou a conduzir a máquina. O momento foi registrado em vídeo e compartilhado nas redes sociais.

“Foi um sonho realizado. Quando saí do hospital, eu jamais me via mexendo com trator de novo. Foi uma conquista, um sentimento de vitória e realização”, afirma. Hoje, Gabriel ainda enfrenta limitações, mas visita o campo sempre que pode para, mesmo que ocasionalmente, voltar a dirigir. O sonho, garante, continua vivo.

“Enquanto houver uma chance, eu não vou desistir".