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Já em casa, professor Paiva se recupera de cirurgia e sonha em voltar à sala de aula

O procedimento consistiu na retirada de um tumor renal de aproximadamente 6,2 a 7 centímetros de diâmetro.

Redação/Região News

20 de Julho de 2026 - 08:22

Já em casa, professor Paiva se recupera de cirurgia e sonha em voltar à sala de aula
Professor Antônio Luiz Paiva, de 56 anos passou por uma cirurgia no sábado. Foto: Divulgação

Menos de 24 horas após passar por uma cirurgia considerada um marco para a medicina brasileira, o professor Antônio Luiz Paiva, de 56 anos, já está em casa e concentra todas as energias na recuperação. A operação, realizada no sábado, foi um sucesso, e o educador recebeu alta hospitalar neste domingo. Agora, seguindo orientação médica, ele inicia um período de recuperação com alimentação leve, caminhadas a partir de 30 dias e a expectativa de voltar à sala de aula.

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O procedimento consistiu na retirada de um tumor renal de aproximadamente 6,2 a 7 centímetros de diâmetro, localizado no polo superior do rim, em uma região de elevada complexidade cirúrgica. A cirurgia começou às 6h30 e terminou por volta das 10h30. A operação foi conduzida pelo urologista Nilo Jorge, que comandou o robô cirúrgico a partir do Instituto de Treinamento Robótico (IART), em Salvador, enquanto o paciente permanecia no Hospital Cassems, em Campo Grande, a mais de 2.300 quilômetros de distância.

A nefrectomia parcial robótica entrou para a história por ser a primeira telecirurgia robótica desse tipo realizada no Brasil, a primeira da Bahia e uma das primeiras do mundo utilizando internet via satélite de baixa órbita (Starlink). Durante todo o procedimento, os comandos realizados pelo cirurgião foram transmitidos em tempo real ao robô, com latência entre 48 e 60 milissegundos, permitindo movimentos extremamente precisos.

Já em casa, professor Paiva se recupera de cirurgia e sonha em voltar à sala de aula
Nefrectomia parcial robótica. Foto: Divulgação

O objetivo da cirurgia foi retirar completamente o tumor, preservando a maior quantidade possível de tecido renal saudável. A precisão da plataforma robótica permitiu a retirada da lesão com margens oncológicas seguras, mantendo a função do rim.

Professor há 30 anos na rede pública de ensino, Paiva dirigiu por 12 anos a Escola Municipal Catarina de Abreu e foi diretor-adjunto da Escola Paulo Eduardo de Souza Firmo, no Assentamento Eldorado, por quatro anos.

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No ano passado, ele foi aposentado por invalidez em razão do avanço da doença de Parkinson. Em fevereiro deste ano, passou por outra cirurgia inovadora, quando recebeu um marca-passo cerebral com implante de eletrodos para estimulação cerebral profunda, tratamento que eliminou sintomas como tremores, rigidez e lentidão.

Ao falar sobre o procedimento, Paiva explicou que o sucesso da cirurgia foi resultado da integração entre especialistas de diferentes áreas da medicina, e não apenas da equipe de urologia.

Na verdade, é um processo de integração entre os cirurgiões. O acompanhamento começou pela urologia, mas a complexidade do caso exigiu uma abordagem multidisciplinar. Fui o primeiro paciente no mundo a realizar o terceiro procedimento dessa natureza, uma nefrectomia parcial robótica", afirmou.

Segundo o professor, a primeira orientação médica que recebeu era para retirar completamente o rim. A possibilidade de preservar o órgão surgiu após consultar o cirurgião robótico Dr. Bruno Rosa.

"Outros profissionais entendiam que seria necessário retirar o rim inteiro. O Dr. Bruno acreditou que era possível fazer uma cirurgia preservadora. Como a margem para retirar o tumor era de apenas dois milímetros, a precisão da plataforma robótica foi decisiva. Graças à tecnologia e à competência da equipe, foi possível remover completamente o tumor, preservar o tecido renal saudável e manter todas as funções do rim", explicou.

Paiva destacou que o caso demonstra o potencial da integração entre especialistas por meio da telecirurgia, permitindo que médicos de diferentes regiões trabalhem em conjunto, compartilhando conhecimento e experiência em tempo real para oferecer um tratamento mais seguro e preciso aos pacientes.

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Agora, após vencer mais esse desafio, o professor afirma que seu maior sonho é retornar ao convívio dos alunos e voltar a fazer o que mais gosta: ensinar.

Durante a recuperação, ele seguirá uma dieta baseada em alimentos cozidos, com grande consumo de legumes, frutas, frango e peixe. A recomendação médica também prevê repouso e retorno gradual às atividades físicas, com caminhadas liberadas após 30 dias, sempre sob acompanhamento da equipe responsável pelo tratamento.

Além de representar um avanço tecnológico para a medicina brasileira, o procedimento abre caminho para a expansão da telecirurgia robótica no país, ampliando o acesso de pacientes de cidades distantes a especialistas de alta complexidade, sem necessidade de deslocamento.