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Ministério Público vai ouvir na próxima semana acusados de receber propina da Pharbox
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul deve apresentar, já na próxima semana, denúncia contra oito agentes políticos, três vereadores em exercício e cinco ex-vereadores.
Redação/Região News
21 de Novembro de 2025 - 13:00

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul deve apresentar, já na próxima semana, denúncia contra oito agentes políticos — três vereadores em exercício e cinco ex-vereadores — suspeitos de terem recebido propina, em outubro de 2022, para eleger uma Mesa Diretora de oposição à então prefeita Vanda Camilo no biênio 2023/2024.
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A oitiva dos investigados começará nos próximos dias conduzida pelos promotores Bianka Mendes e Adriano Libo Resende, além do procurador Humberto Lapa Ferri, que integram a força-tarefa do Gaeco responsável pela Operação Dirty Pix, deflagrada na sexta-feira.
Uma das possibilidades é que os agentes públicos sejam denunciados por corrupção passiva, peculato e organização criminosa, com pedido de afastamento dos que hoje ocupam cargos públicos. Se a Justiça acolher o pedido, poderão perder os mandatos os vereadores Cledinaldo Cotocio, Adavilton Brandão e Gabriel Auto Car. Também teriam de deixar suas funções os secretários Enelvo Júnior (Desenvolvimento Econômico), Cleyton Martins (Desenvolvimento Rural), a vice-prefeita Cristina Fiuza e o gerente da Ciretran, Eliel Vaz — todos investigados por envolvimento no esquema quando eram vereadores.
Formação do G-8 e origem da denúncia
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As investigações apontam que, em outubro de 2022, formou-se o chamado G-8, composto por Cledinaldo Cotocio, Ademir Gabardo, Eliel Vaz, Cristina Fiuza, Adavilton Brandão, Cleyton Martins, Junior Felini e Gabriel Auto Car.
As transferências consideradas propina ocorreram entre 27 e 28 de outubro de 2022, dois meses antes da assinatura do contrato para compra dos equipamentos hospitalares, formalizado em 19 de dezembro de 2022.
Preterido na disputa para encabeçar a chapa da Mesa Diretora, Cledinaldo Cotocio denunciou o esquema, exibindo a colegas de parlamento o print da transferência feita na sua conta pela empresa fornecedora dos equipamentos para o Hospital Elmíria Silvério Barbosa. A denúncia formal foi protocolada no Ministério Público pelo advogado Kenendi Forgiarini e pelos suplentes Joel Frete e Jonas Rodrigues (que morreu em janeiro de 2024).
Transferências diretas e contas de passagem
Três investigados receberam valores diretamente da Pharbox Distribuidora Farmacêutica de Medicamentos Ltda, sediada em Manaus:
- Izaqueu de Souza Diniz (Gabriel Autocar)
- Cledinaldo Cotócio
- Cleyton Martins Teixeira
Segundo os promotores, as transferências diretas demonstram “a confiança dos envolvidos na impunidade”.
Outros investigados receberam por meio de pooling accounts (contas de passagem), utilizadas para dissimular a origem do dinheiro:
- Enelvo Iradi Júnior
- José Ademir Gabardo
- Eliel da Silva
- Cristina Fiuza
- Yuri Morais, estagiário do Ministério Público, que recebeu R$ 13.200,00
Um dos intermediários chegou a movimentar R$ 482.500,00, quantia destinada à redistribuição entre os participantes do esquema.
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“Embora a formação de blocos políticos seja legítima, o contexto apurado – envolvendo repasses de dinheiro público a parlamentares – aponta para a possibilidade de que as articulações tenham sido impulsionadas por recursos ilícitos”, afirmam os promotores no pedido de buscas e apreensões.
Contrato, entrega dos equipamentos e disputa judicial
A empresa foi paga antecipadamente — com autorização da Secretaria de Saúde — para entregar uma ressonância magnética em até 100 dias e um autoclave em 70 dias. Após atraso, o Hospital Elmíria Silvério Barbosa ajuizou ações em 3 e 4 de agosto de 2023, obtendo liminar para que a entrega fosse realizada.
A ressonância só chegou em 5 de fevereiro de 2024, e em modelo inferior ao contratado:
- Valor contratado: R$ 5.078.263,00
- Valor estimado do equipamento entregue: R$ 3.258.457,01
- O autoclave não foi entregue.
Em 24 de janeiro de 2024, a Justiça condenou a empresa a ressarcir:
- R$ 1.819.805,89 — diferença entre o equipamento contratado e o entregue




