SIDROLÂNDIA- MS
PT acusa secretário filiado ao MDB de organizar invasão de indígenas a fazendas em Sidrolândia
Rodrigues Alcântara é filiado ao MDB, partido do ex-governador André Puccinelli, e teria liderado o movimento sem o conhecimento de outras lideranças.
Redação/Região News
15 de Junho de 2026 - 10:00

Em nota distribuída pela assessoria do deputado estadual Zeca do PT, lideranças indígenas ligadas ao partido atribuíram ao secretário de Assuntos Indígenas de Dois Irmãos do Buriti, Rodrigues Alcântara, a organização das ocupações de propriedades rurais registradas nos últimos dias em Sidrolândia.
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Segundo o comunicado, Rodrigues Alcântara é filiado ao MDB, partido do ex-governador André Puccinelli, e teria liderado o movimento sem o conhecimento de outras lideranças da região da Terra Indígena Buriti.
A nota afirma que nenhuma outra liderança indígena da região tinha conhecimento prévio da iniciativa e que o movimento foi conduzido por Rodrigues Alcântara e outros indígenas envolvidos nas ocupações.
O comunicado também sustenta que o secretário integra um grupo político de direita na região, que apoiaria as pré-candidaturas de Reinaldo Azambuja, Viviane Luiza, ex-secretária estadual de Cidadania, e Odilon Ribeiro, ex-prefeito de Aquidauana. Os organizadores associam ainda o grupo ao projeto político do governador Eduardo Riedel.''
As acusações serão debatidas durante reunião marcada para as 14h30 desta segunda-feira (15), na Câmara Municipal de Sidrolândia, que reunirá caciques e lideranças da região da Terra Indígena Buriti para discutir os desdobramentos das ocupações.
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Até a publicação desta matéria, Rodrigues Alcântara não havia se manifestado sobre as acusações. O espaço permanece aberto para manifestação do secretário e dos demais citados.
Contraponto
A versão apresentada por lideranças do PT de que a ocupação das fazendas Santa Clara e São Sebastião teria sido articulada por indígenas alinhados à direita para desgastar o presidente Lula é contestada pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI).
Em nota, a entidade afirma que a decisão pela retomada ocorreu porque “na última década não houve avanço no procedimento demarcatório, mantendo o povo alijado de parte importante do seu território tradicional”.
Segundo o CIMI, a mobilização está relacionada à paralisação do processo de ampliação da Terra Indígena Buriti, reivindicação histórica das comunidades terenas da região. A entidade também relata intensa movimentação de fazendeiros na área, cenário que teria contribuído para o aumento das tensões no local.
“O processo de ampliação da Terra Indígena Buriti encontra-se sem qualquer avanço na última década. Diante disso, os indígenas decidiram retomar parte do território tradicional que segue pendente de regularização”, destaca a nota.
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Dessa forma, o conselho atribui a retomada à demora na conclusão do processo demarcatório, divergindo da interpretação apresentada pelo deputado estadual Zeca do PT, que classificou a ação como uma articulação política conduzida por um grupo de “indígenas de direita”. A manifestação do CIMI reforça a tese de que a ocupação está ligada a uma reivindicação territorial histórica das comunidades indígenas da região.




