ECONOMIA
Atendimento ao cliente por call center está com as horas contadas
Uma das exigências da Anatel é ampliar a cobertura do 4G (internet de alta velocidade). Hoje, essa rede cobre 54% do território do país
FolhaPress
04 de Agosto de 2017 - 09:42
Eduardo Navarro, presidente da Telefônica Brasil desde o começo deste ano, dá dias contados para o atendimento de clientes via call centers, motivo de 17% das queixas sobre a Vivo no Reclame Aqui nos últimos 12 meses.
O executivo também comenta sobre investimentos em infraestrutura, após o termo de ajuste de conduta firmado com a Anatel (agência reguladora de telefonia) em 2016 e que requer investimento de R$ 4,9 bilhões em rede e atendimento.
Uma das exigências da Anatel é ampliar a cobertura do 4G (internet de alta velocidade). Hoje, essa rede cobre 54% do território do país, segundo a consultoria OpenSignal -Coreia do Sul e Japão têm mais de 90% de cobertura.
Pergunta - O
investimento da Telefônica Brasil caiu no primeiro trimestre. Isso está dentro
dos planos anunciados no ano passado?
Eduardo Navarro - A meta, de
investir R$ 24 bilhões de 2017 a 2019, está mantida. Não estamos abdicando de
investimentos. Os últimos acontecimentos não mudam os planos de longo prazo. No
segundo trimestre, o investimento cresceu 2,7% ante 2016.
Os investimentos vão crescer
com a retomada da economia?
Eu não faria essa associação, até porque a Telefônica tem histórico de investir
em momentos de crise no Brasil. Aumentamos nossa participação na telefonia no
país logo depois da crise cambial de 1999. Compramos a GVT em 2015, no auge da
crise. Na Espanha, há essa cultura de agressividade, no bom sentido, ou seja,
de altíssima ambição empresarial.
Quanto do investimento
recente é em infraestrutura e atendimento, como pede o termo de ajuste de
conduta negociado com a Anatel?
Cerca de 80% do nosso investimento é fibra e celular 4G, e o restante é em
tecnologia da informação para melhorar serviços digitais.
Os usuários de 4G ainda não
chegam a metade da população brasileira [segundo a consultoria IDC]. Não
estamos atrasados nessa expansão?
Já temos 71,4% da população urbana morando em regiões com 4G. Quase todos os
telefones novos têm a tecnologia, e a Vivo foi de 516 para 1.600 cidades
cobertas com 4G de janeiro até julho.
A Telefônica já está
participando de negociações para investir em 5G [próxima geração da internet
móvel] na Europa?
Não há conversas ainda. 5G ainda é especulação, é plano para 2020, ou 2021, e
olhe lá. Não vai estar no Brasil nem na Europa no futuro próximo. Talvez a
gente veja uma corrida para fazer demonstrações como na Olimpíada de Tóquio, em
2020, mas só.
O que impede a rede de
crescer, bater 81% do território, como nos Estados Unidos?
A reforma do setor não está vindo com a velocidade que deveria. Estamos gastando
recursos com telefonia fixa que poderiam ser direcionados para coisas de maior
interesse da população, se mudássemos a lei [de telecomunicações]. Estamos
perdendo uma chance de ir mais rápido.
A Vivo ainda tem muitos
problemas no atendimento, é a terceira no ranking de reclamações na Anatel. A
empresa está gastando R$ 1 bilhão por ano em tecnologia da informação para
melhorar como nos relacionamos com os clientes, 15% de todo nosso investimento.
É um processo longo, para trocar todos os nossos sistemas de informação, usando
a tecnologia de várias companhias que incorporamos à Telefônica ao longo dos
anos.
Qual o efeito concreto
disso?
Nosso objetivo é acabar com os call centers, que é algo de que as pessoas não
gostam. Se o cliente pode resolver o problema por um aplicativo, ele prefere.
Por isso vamos facilitar o uso do app Meu Vivo, para que toda interação possa
ser digitalizada. As chamadas aos call centers já caíram 8% em maio deste ano
em relação ao mesmo mês de 2016, o que é um ritmo bom.
A ideia é desinvestir em
call centers, deixar de contratar?
Não, não dá para dizer isso ainda. O serviço vai estar lá se o cliente quiser,
mas entendemos que ele vai usar cada vez menos. Queremos evoluir nessa direção.




