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Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Quinta, 26 de Maio de 2022

Economia

Do gasto excessivo com varanda de casa, a um negócio milionário; conheça a história de Geraldo Campos

Um negócio que atingiu tal nível de profissionalização, que trouxe para a cidade uma tecnologia moderna de construção onde o tijolo foi substituído pelo concreto.

Flávio Paes/Região News

11 de Novembro de 2015 - 11:00

Aos 32 anos de idade, Geraldo Campos Bernardes Mura, formado em administração de empresas, mais conhecido por “Geraldinho da Auto Peças São Geraldo”, cognome desde a época em que ajudava o pai a tocar o negócio da família, hoje continua sendo “Geraldinho”, forma como é carinhosamente chamado pelos amigos e os próprios colaboradores, mas numa outra atividade.

Junto com outros três sócios, Geraldo é dono da Ideal Construtora, uma empresa que calcula terá um faturamento de R$ 11 milhões este ano, já construiu e entregou mais de 300 casas e está se preparando para expandir seus negócios para além dos limites territoriais do município que Sidrônio Antunes de Andrade, há poucos menos de seis décadas, ajudou a fundar.

Um negócio que atingiu tal nível de profissionalização, que trouxe para a cidade uma tecnologia moderna de construção onde o tijolo foi substituído pelo concreto armado. Metodologia que reduz o desperdício de material, barateia custo, tornar possível terminar uma casa (das fundações iniciais até o acabamento) em pouco mais de duas semanas.  

Apesar do sucesso da empresa, tudo começou lá no distante ano de 2008, quando Geraldinho recém voltando da lua de mel, teve de enfrentar o problema de orçamento com uma varanda construída em sua casa, obra que planejava gastar R$ 1.500,00, mas que acabou saindo por R$ 10 mil. 

http://regiaonews.com.br/uploads/20151111101241geraldinho3.jpgO empresário recebeu a reportagem do RN no canteiro de obras do condomínio Parque dos Ipês, no Bairro São Bento. Ele conta que teve de queimar as economias que ainda tinha conseguido guardar depois dos gastos com os festejos nupciais para cobrir o gasto excessivo com a tal varanda. 

O episódio serviu de inspiração para a ideia de se lançar num negócio que pudesse ajudar as pessoas a se livrar das dores de cabeça que reformas e construções trazem para o dia-a-dia das pessoas, especialmente, aqueles que não têm experiência em lidar com planilhas, custos, mão-de-obra.

Construir casa para revender poderia ser um bom negócio, para um jovem de 25 anos na época que buscava um caminho profissional próprio. Geraldinho nunca não se imaginou apenas um mero gestor dos negócios e do patrimônio construído pelo pai. Sempre quis alçar carreira-solo profissionalmente.   

Para iniciar no ramo, emprestou dinheiro recorrendo aos bancos, para materializar a ideia inspirado num problema doméstico de construção. Construiu uma casa que lhe custou R$ 60 mil, como não tinha todo o dinheiro convidou um amigo para investir no negócio, conseguiu vender por R$ 80 mil.

A partir daí não parou mais. Recorreu a parcerias com parentes residentes em São Paulo, que apostaram no seu projeto como um bom investimento. Aliou-se a sócios como o engenheiro André Cavalhiere, seu primo, que aceitou o desafio de trocar a capital paulistana por Mato Grosso do Sul.

Foto: Marcos Tomé/Região News

http://regiaonews.com.br/uploads/20151111101800geraldinho2.jpg

Geraldo Campos Bernardes Mura (esquerda) ao lado do engenheiro civil, André Cavalhiere, que além de sócio é seu primo.

A empresa consolidou-se no mercado, gera mais de 100 empregos (entre diretos e indiretos) e sem abandonar suas raízes sidrolandenses, está literalmente instalando acampamento em Campo Grande. Já adquiriu área e nos próximos meses deve iniciar seu empreendimento na capital, do mesmo porte do Condomínio Residencial Parque dos Ipês.

Apesar de ser um empreendimento de padrão popular, tem projeto arquitetônico arrojado, equipamentos de uso comunitário, que muita gente não imaginava ser possível fazer ao custo de R$ 90 mil a unidade, com uma prestação de aproximadamente R$ 450,00, valor que se encaixasse no orçamento do trabalhador típico de Sidrolândia, basicamente funcionários da Seara, com renda familiar de no máximo R$ 2 mil.

A maioria da clientela são pessoas que não conseguiram casas nos programas habitacionais da Prefeitura, se veem obrigados a pagar aluguel em quitinetes que se espalharam pela cidade ao longo dos últimos anos, de acelerado crescimento populacional.

O novo empreendimento da Construtora Ideal transformou o cenário urbanístico de uma das regiões da cidade mais carentes (em termos de infraestrutura) e de população de baixa renda a cidade, a região do Sidrolar, nos fundos do Bairro São Bento.