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Economia

"Prévia" do PIB aponta crescimento de 0,6% no terceiro trimestre

Para 2014 e 2015, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos

G1

17 de Novembro de 2014 - 08:21

A economia brasileira saiu da "recessão técnica" dos dois primeiros trimestres, e cresceu 0,6% entre julho e setembro, indicam dados do Banco Central divulgados nesta segunda-feira (17).

O Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br), criado para tentar antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), registrou expansão de 0,59% no terceiro trimestre deste ano, na comparação com os três meses anteriores. Trata-se da maior expansão desde o segundo trimestre de 2013 – quando o indicador avançou 1,47%.

O resultado oficial do PIB do terceiro trimestre, porém, será conhecido somente no dia 28 de novembro, quando será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O PIB corresponde à soma de todos os bens e serviços produzidos pelo país.

Mês de setembro
Somente em setembro, ainda de acordo com informações do BC, a prévia do PIB cresceu 0,4%. Segundo números revisados, teria crescido 0,2% em agosto e 1,47% em julho deste ano.

Para o Banco Central, a economia brasileira registrou, em setembro, o terceiro mês consecutivo de crescimento. O último mês que o IBC-Br teve retração foi no final do segundo trimestre, em junho, quando houve queda de 1,49%.

Acumulado deste ano
Apesar da recuperação no terceiro trimestre deste ano, o resultado parcial deste ano mostra estagnação do nível de atividade. De acordo com o Banco Central, o crescimento da "prévia" do PIB, no acumulado de janeiro a setembro deste ano, foi zero. Neste caso, a comparação foi feita sem ajuste sazonal. Já no acumulado de 12 meses até setembro, a prévia do PIB registrou alta 0,60%.

O mercado financeiro acredita que o Produto Interno Bruto terá crescimento de 0,21% neste ano. A estimativa oficial do governo, até o momento, é de uma alta de 0,9%, mas este número poderá ser revisto para baixo ainda neste mês. A última previsão do Banco Central, para o crescimento da economia brasileira neste ano, divulgada no fim de setembro, é de 0,7%.

Resultados do IBC-Br x PIB
O IBC-Br foi criado para tentar ser um "antecedente" do PIB. O índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos. Os últimos resultados do IBC-Br, porém, não têm mostrado proximidade com os dados oficiais do PIB, divulgados pelo IBGE.

Em 2012, por exemplo, o IBC-Br mostrou um crescimento de 1,6%. Posteriormente, o resultado oficial do PIB mostrou uma alta menor, de 1%. O mesmo aconteceu em divulgações trimestrais do PIB, quando o indicador não correspondeu aos resultados oficiais do PIB – divulgados pelo IBGE.

O Banco Central já avaliou, em 2013, que o IBC-Br não seria uma medida do PIB, mesmo que tenha sido criado para tentar antecipar o resultado, mas apenas "um indicador útil" para o BC e para o setor privado. "Se o IBC-Br acertasse na mosca é que seria surpreendente", afirmou o diretor de Política Econômica da entidade, Carlos Hamilton, no fim de 2012.

IBC-Br
Antes divulgado por estados e por regiões, desde o início do ano passado o indicador passou a ser calculado com abrangência nacional.

"A estimativa do IBC-Br incorpora a produção estimada para os três setores da economia acrescida dos impostos sobre produtos, que são estimados a partir da evolução da oferta total (produção mais importações)", explicou o Banco Central.

Definição dos juros
O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo Banco Central para definir a taxa básica de juros (Selic) do país. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária. Atualmente, entretanto, os juros básicos estão em 11,25% ao ano e a expectativa do mercado é de terminem este ano em 11,50% ao ano.

Pelo sistema de metas de inflação que vigora no Brasil, o BC precisa calibrar os juros para atingir as metas preestabelecidas. Quanto maiores as taxas, menos pessoas e empresas dispostas a consumir, o que tende a fazer com que os preços baixem ou fiquem estáveis.

Para 2014 e 2015, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Desse modo, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerada a inflação oficial do país e medida pelo IBGE, pode ficar entre 2,5% e 6,5%, sem que a meta seja formalmente descumprida.