ECONOMIA
Quebra na produção de mandioca encarece preço em 186,66% e obriga importação
O preço aumentou no atacado 186,66% (a caixa de 25 kg pulou de R$ 15,00 para R$ 43,00) e no varejo o consumidor já está pagando em média R$ 5,50 o quilo.
Flávio Paes/Região News
25 de Outubro de 2016 - 13:00
A mandioca, um item tradicional da culinária sul-mato-grossense, está num ciclo sazonal de queda da produção regional e com isto metade da demanda de consumo do mercado está sendo atendido por estados como Paraná e Goiás.
O preço aumentou no atacado 186,66% (a caixa de 25 kg pulou de R$ 15,00 para R$ 43,00) e no varejo o consumidor já está pagando em média R$ 5,50 o quilo, 57% a mais cara do que há dois meses, quando era encontrada a R$ 3,50. A projeção é que até dezembro o consumidor esteja pagando até R$ 7,00 por um quilo.
Segundo
o produtor Juscelino
Pereira, que também é proprietário de uma agroindústria no distrito
de Quebra
Coco (a Raiz), hoje metade da
matéria-prima vem de outros estados, exigindo uma logística com frete que envolve
buscar as cargas na Capital onde são deixadas pelos fornecedores de outros
estados.
A safra dos produtores parceiros não foi boa e foi preciso trazer de Goiás 500 caixas por semana para atender o compromisso com os clientes em Sidrolândia, Maracaju e Campo Grande. Ele lembra que de uma hora para outra, o preço subiu de R$ 15,00 para R$ 50,00, R$ 2,00 o quilo. Hoje entrega a mandioca descascada por R$ 3,50, embutindo os custos de beneficiamento e a margem de lucro da empresa.
Com
a importação dos estados vizinhos e a compra de uma lavoura no Assentamento
Barra Nova, conseguiu elevar para 4 quilos a produção semanal, numa escalada
que começou com 1.800 quilos, saltou para 2.800 quilos até atingir o nível atual. A
perspectiva é chegar ainda neste ano a 20 mil quilos por mês. A agroindústria
gera 5
empregos permanentes e mais 30
eventuais, tendo um custo mensal de R$ 15 mil com pessoal.
Esta tendência de preço alto ainda vai demorar algum tempo. É que só em maio de 2017 vai estar em ponto de colheita à mandioca plantada agora (entre setembro e outubro). A empresa de Juscelino tem hoje 40 produtores integrados com 60 hectares cultivados. O mercado da mandioca oscila por conta da instabilidade do preço. Entre 2012/2013 houve uma explosão de preços (76,69%).
Isto levou os produtores a expandirem as lavouras no ciclo 2013/2014. O excesso de oferta fez os preços despencarem (em média 10,76%) entre 2014/2015. Resultado, muita gente se desanimou com a baixa rentabilidade e neste ano desistiu da atividade ou reduziu drasticamente as lavouras. Como o mercado é de demanda alta e baixa oferta, os preços competitivos vão gerar um novo ciclo de muita produção.
Além
da questão de mercado (o preço muito baixo) a produção de mandioca em Sidrolândia
caiu por conta de questões climáticas. No Eldorado II, no lote 522, dona Maria
perdeu quase toda sua produção da lavoura de cinco hectares, depois de uma chuva
forte, acompanhada de granizo. Está trazendo mandioca de fora, para abastecer o
Supermercado
Nutrimais, que compra por R$ 3,50 e vende ao consumidor por R$ 4,98 o
quilo.




