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ECONOMIA

Queda no preço e na produtividade do milho safrinha reduz em até 74% margem dos agricultores

Esta situação de Sidrolândia, se reproduziu no Estado inteiro, consequência da estiagem prolongada registrada em abril.

Flávio Paes/Região News

18 de Setembro de 2016 - 23:14

A combinação de quebra da produtividade (25% em relação à obtida ano passado e 40% abaixo das 100 sacas esperadas) do milho safrinha, reduziu em até 74% a lucratividade dos produtores, especialmente, os de pequeno porte, como o gaúcho Abrelino Coldebela, que plantou 52 hectares na sua propriedade na região do Bolicho Seco. Ele esperava uma produtividade média de 100 sacas por hectare. Em função dos problemas climáticos durante o período de desenvolvimento do milho, acabou conseguindo 60 sacas.

Pelas suas contas teve um custo médio de 46 sacas. Acabou tendo que entregar para a Cooperativa por R$ 28,00 a saca, evitando assim a inadimplência. Resultado, se tivesse obtido as 100 sacas de produtividade teria uma receita de R$ 1.512,00 por hectare, descontando os R$ 1.288,00 do custo de produção. Acabou ficando com um saldo de R$ 392,00, o equivalente a 14 sacas. Em três meses, à medida que a colheita avaliou o preço do milho sofreu redução de 31%, depois que atingiu R$ 41,00.

Esta perda não é sentida por grandes produtores que são mais capitalizados, bancaram seus custos, portanto não tem divida a pagar podendo segurar a produção à espera de reação do preço, quando a oferta do grão no mercado cair. É o caso, por exemplo, do produtor Vicente Carrara, que plantou 10 mil hectares e está concluindo a colheita. O produtor Felix Bernart, ainda precisa colher 600 das 2.200 hectares da sua lavoura.

O presidente do Sindicato Rural, Rogério Menezes, calcula uma quebra de 25% na produtividade do milho safrinha, com isto, o produtor vai deixar de faturar mais de R$ 10,2 milhões, referente a 3,400 milhões de sacas que não serão colhidas. Ao invés de 85 sacas por hectare, obtidos na última safra, estão sendo obtidos em torno de 64 sacas, abaixo da média (prevista em 85 sacas/hectare).

Com isto a produção do município vai cair de 912 mil toneladas, para 684 mil toneladas. Se fosse mantida a produtividade do ano passado, esta produção chegaria a 816 mil toneladas. Esta situação de Sidrolândia, se reproduziu no Estado inteiro, consequência da estiagem prolongada registrada em abril.

Crédito - A partir desta segunda-feira (16), iniciam as contratações de operações de milho safrinha e trigo inverno 2017. Para isso, o Banco do Brasil irá disponibilizar R$ 717 milhões para Mato Grosso do Sul.

Segundo a assessoria de comunicação da Superintendência Estadual MS do Banco do Brasil, os recursos estarão disponíveis aos médios produtores, que possuem faturamento de até R$ 1,76 milhão ao ano por meio do Pronamp (Programa Nacional de Apoio aos Médios Produtores Rurais) com taxas de 8,50% ao ano até o teto de R$ 900 mil. Os outros produtores acessam o crédito com encargos de 9,50% a.a. até o teto de R$ 1,8 milhão por beneficiário.

De acordo com superintendente estadual do Banco do Brasil, Evaldo Emiliano de Souza, a antecipação dos financiamentos de custeio permite aos produtores melhores condições para o planejamento de suas compras junto aos fornecedores, contribui para o incremento das vendas de sementes, fertilizantes e defensivos, produzindo reflexos positivos à toda cadeia produtiva e na economia como um todo.

2011- 82 mil hectares – 255 mil toneladas

2012 - 110 mil hectares - 426 mil toneladas

2013 - 135 mil hectares - 591,3 mil toneladas

2014 - 148 mil hectares – 799 mil toneladas

2015 - 160 mil hectares - 912 mil toneladas (estimativa IBGE)

2016 - 160 mil hectares - 816 mil toneladas (estimativa no início da colheita)

2016 - Nova estimativa – 684 mil toneladas, com produtividade média de 63,75 por hectare