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Assentados que não abandonaram o lote esperam receber título ainda este ano

"Tomara que a nossa vez (de receber o título), chegue logo", afirma Valdecir que passou boa parte da adolescência junto com os irmãos, acampados.

Flávio Paes/RN

16 de Maio de 2021 - 20:31

Assentados que não abandonaram o lote esperam receber título ainda este ano
Nos próximos dias começa a colheita dos 60 mil pés de abacaxi prontos para venda em 2022. Foto: RN

A vinda do presidente Jair Bolsonaro a Mato Grosso do Sul para a entrega simbólica de 2.200 títulos de posse definitiva a assentados de Mato Grosso do Sul, animou os pequenos produtores remanescentes do grupo contemplado com o lote. Eles não sucumbiram a falta de estrutura, apoio erradico por parte do Incra, sem contar aqueles sem aptidão para a atividade no campo, transferindo a posse para terceiros.

"Tomara que a nossa vez (de receber o título), chegue logo", afirma Valdecir que passou boa parte da adolescência junto com os irmãos, acampados. A família foi para o acampamento em 1.998 quando tinha 16 anos. Só 4 anos depois, em 2002, o Governo Federal criou o Assentamento Santa Terezinha, às margens da BR-060, na saída para Nioaque. Transcorreram 18 anos, os irmãos estudaram, se formaram, foram para cidade, um deles, Itamar Souza, que enveredou para a política e está no segundo mandato de vereador.

Ele e os pais (já idosos) ficaram no lote de 15 hectares, que hoje é uma referência na produção de abacaxi (no primeiro semestre) e melancia (no segundo), cultivados em 4 hectares. Atua desde a correção do solo, acompanhamento da evolução das culturas, além da comercialização. Nos próximos dias começa a colheita dos 60 mil pés com frutos prontos para venda em 2022, mais 40 mil pés já estarão em produção. O ciclo de produção da fruta tem 17 meses, contados a partir do plantio da muda.

Assentados que não abandonaram o lote esperam receber título ainda este ano
Lote de 15 hectares, que hoje é uma referência na produção de abacaxi. Foto: RN

Receber o título de posse é também um anseio de assentados como Orivaldo Gonçalves da Silva, 62 anos. Em 2006, ele foi contemplado com um lote de 9,4 hectares no Assentamento Alambari CUT, com solo arenoso, impróprio para agricultura. Antes de entrar na área, foram sete anos vivendo e migrando de acampamentos, primeiro em Juti e depois em Nova Alvorada do Sul. Ele admite que após 15 anos de posse da área, não consegue sobreviver apenas das atividades produtivas que desenvolve: produção diária de 50 litros de leite que ele usa como matéria-prima do queijo e venda de bezerros.

O orçamento familiar é reforçado pela aposentadoria dele e da mulher. "Aqui é tranquilo, fica a 15 km do Capão Seco onde tem posto de saúde e um pequeno comércio. Foi uma luta pra chegar até aqui. Além do período acampado, ficamos mais sete anos morando em barraco de lona porque o Incra demorou para entregar todo o material", lembra. Ele crítica os vizinhos que optaram, como alternativa de renda, pelo arrendamento das áreas para fazendeiros da região plantarem soja e milho. "Eles recebem 2 sacas de soja por hectare, isto das 18 sacas num lote de 9 hectares", informa contemplados pela reforma agrária em outro extremo do município, quase na divisa com Nova Alvorada do Sul.

Se o título de posse ainda é só uma expectativa para os assentados do Alambari, pelo menos para Dilva Angelo, do Assentamento Sucesso, que na sexta-feira recebeu o título das mãos do presidente da República, o feito é uma realidade. O Sucesso fica em Nova Alvorada do Sul, às margens da BR-163, em frente da MS-258 estrada para o Capão Seco, perto do Alambari CUT. O assentamento foi criado há 14 anos (em 2007), tem 88 famílias que nos seus lotes de 7,7 hectares, produzem leite, mandioca e abacaxi.