Policial
Para amigos, apesar de ser vítima, Mayara é julgada como se não fosse
Jovem de 27 anos foi morta a marteladas
Midiamax
27 de Julho de 2017 - 14:08
Mayara virou mais um número entre tantos casos de feminicídio registrados em Campo Grande. Morrer por ser mulher, por ser considerada alvo fácil e ainda ser julgada como se não fosse vítima por aquele velho discurso foi ela que provocou, mas, até quando?
A musicista Mayara Amaral, 27 anos, foi vítima de um crime arquitetado três homens, que queriam roubar seu carro, um Gol ano 1992. Ela foi a um motel com um Luis Alberto Bastos Barbosa, 29 anos, músico a jovem. O desfecho triste veio com um coro grosso questionando o comportamento, mas, e se fosse um homem no motel com duas mulheres, qual seria o julgamento?
A despedida nesta quinta-feira reuniu colegas da faculdade, da música e familiares. O sentimento era de tristeza, mas no meio da dor, teve quem tivesse força para falar sobre machismo, o que para amigos levou Mayara embora. A questão é: até quando vai ser assim? Enquanto isso sempre vai ter um pai e uma mãe chorando, disse uma amiga que não aguentou segurar o choro.
No 'tribunal' da internet, entre as opiniões um homem justificava a tragédia fazendo relação de caráter: "Seja uma pessoa honrada, coisas boas atraem boas". Para se ter ideia, uma pesquisa feita pelo Datafolha no ano passado mostrou que mais de 33% da população brasileira considera a mulher culpada pelo estupro. A culpabilização da vítima é comum com as mulheres e nesses casos. É como se a gente tivesse que andar sempre de determinada forma, porque fora disso, é porque a gente buscou, disse uma colega da época da faculdade.
É um puritanismo que não existe. Ele era mulher independente, trabalhava, e ir ao motel não pode colocar em cheque o caráter, defende outra colega.
A jovem se foi, mas deixou aqui muita gente para levantar a bandeira do feminismo. A sociedade ainda vela o machismo, mas é nossa obrigação continuar lutando, porque toda mulher corre o risco de ser vítima como a Mayara. Atualmente ele se dedicava à um trabalho sobre musicistas, contou uma amiga.
Crime
Luís foi o primeiro a ser preso. Ele estava em casa, e no local a polícia encontrou roupas sujas de sangue, computador, telefone, CNH e o instrumento de Mayara.
Na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário), da Piratininga, Luís confessou que conhecia a vítima e a atraiu para um motel na Avenida Euler de Azevedo. A entrada no estabelecimento foi registrada às 22h de segunda-feira. O comparsa Ronaldo da Silva Olmedo, 30 anos, Ronaldo da Silva Olmedo, 33 anos, entrou no motel escondido.
Em seu depoimento, Luís admitiu que manteve relação sexual com a vítima. A Polícia Civil acredita que Mayara foi morta a golpes de martelo quando percebeu que seria roubada e tentou reagir.
O corpo de Mayara Amaral foi encontrado na noite desta terça-feira (25) por peões de fazendas da região do Inferninho, ainda em chamas. O fogo que queimou parcialmente a vítima se alastrou pelas margens da estrada e mobilizou moradores da região e o Corpo de Bombeiros.




