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Política

Louzada tenta reverter situação melancólica do PTB em Mato Grosso do Sul

O dirigente conta que à época a dívida era de R$ 1,2 milhão, no entanto, não sabe dizer qual o total em valores corrigidos hoje.

Willams Araújo/Cojuntura Online

25 de Outubro de 2013 - 14:29

Além da dificuldade para conciliar a presidência do diretório regional do PTB e a do FIGV (Fundação Instituto Getúlio Vargas), Ivan Louzada informou nesta sexta-feira (25) que irá reunir à executiva na tentativa de reverter à situação “melancólica” pela qual passa o partido em Mato Grosso do Sul.

A maior reclamação do dirigente é com os parcos recursos oriundos do Fundo Partidário, montante que, segundo ele, não é suficiente sequer para manter em funcionamento a sede do diretório regional localizada em local privilegiado, no bairro Santa Fé, em Campo Grande.

Louzada, que vive entre uma ponte área e outra entre Campo Grande, Brasília e Rio de Janeiro por causa de suas atribuições à frente do FIGV, garante que o repasse mensal feito pelo diretório nacional do PTB gira em torno de R$ 9,8 mil, recursos insuficientes para pagar de seus funcionários, incluindo secretária-executiva, assessora de imprensa e faxineira, fora outras despesas como conta de água, luz, telefone, internet e o habitual cafezinho. 

Os valores do Fundo Partidário são rateados entre os diretórios regionais petebistas em todo o BrasilLouzada tenta reverter situação melancólica do PTB em Mato Grosso do Sul, conforme a legislação, entre os quais o de Mato Grosso do Sul.

De acordo com a legislação, o Fundo Especial de assistência aos partidos políticos é constituído pelas multas e penalidades eleitorais, recursos financeiros legais, doações espontâneas privadas e dotações orçamentárias públicas.

O critério de distribuição é definido por meio da Lei n° 11.459, de 21 de março de 2007. A falta de estrutura ameaça inclusive o desempenho do partido nas próximas eleições, já que a expectativa é eleger pelo menos um deputado estadual em 2014.

Além disso, o PTB convive há cerca de cinco anos com constantes bloqueios do Fundo Partidário para pagamento de uma dívida milionária que Louzada herdou de dirigentes anteriores.

Ele costuma culpar pelo rombo financeiro que herdou o ex-presidente da executiva regional, Antonio Cruz, ex-deputado federal.  Em meados de junho deste ano, o Fundo Partidário voltou a ser sequestrado pela Justiça para pagamento de dívidas antigas com uma empresa de publicidade de Campo Grande.

Contraída em 2004 durante a campanha de Antônio Cruz à prefeitura de Campo Grande, a dívida desta vez provocou o bloqueio até do Fundo Partidário do PTB Nacional. À época, foram bloqueados R$ 1,128 milhão do diretório nacional, mas o advogado do partido veio de Brasília a Campo Grande e conseguiu liberar a verba.

De acordo com informações do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o PTB nacional abocanha mensalmente em torno de R$ 8 milhões do Fundo Partidário, dos quais o diretório regional tem direito a R$ 9,8 mil por mês, conforme Louzada. 

Ele garante que, além de Antônio Cruz, a dívida foi contraída pelo candidato a vice-prefeito na chapa do ex-petebista, Luiz Pedro, à época filiado ao PP, junto a  empresa ZN Marketing e publicidade Ltda.  O dirigente conta que à época a dívida era de R$ 1,2 milhão, no entanto, não sabe dizer qual o total em valores corrigidos hoje.

CAMPANHA

Nas últimas eleições municipais, o PTB até conseguiu eleger um representante na Câmara de Vereadores da Capital, Edson Shimabukuro, o May Bode, mas para isto contou com o apoio logístico do governador André Puccinelli (PMDB).

Como já anunciou que a pretensão de seu grupo político é participar das eleições proporcionais do ano que vem com chapa puro sangue, ou seja, sem coligar com outros partidos, Louzada deve enfrentar novos desafios, até porque se vê um pouco distanciado do governador, principal articulador político do PMDB em Mato Grosso do Sul.

Atualmente, o PTB conta apenas com um prefeito, Edson de Davi (Aral Moreira) e 18 vereadores, incluindo o da Capital, mas chegou a ter no passado estrutura digna de um grande partido, incluindo vários prefeitos e uma bancada composta por cinco deputados estaduais, época de Jerson Domingos, Maurício Picarelli, Akira Otsubo e Raul Freixes.

De uns tempos para cá, o partido foi só perdendo espaços políticos e agora corre atrás do prejuízo na tentativa de melhorar seus quadros e a sua estrutura.

“Estamos trabalhando na base de pesquisas, e o nosso foco é uma chapa sem coligação na proporcional, já deu certo uma vez, e eu creio que dará de novo”, colocou Louzada, conforme nota recente distribuída por sua assessoria de imprensa, referindo-se a eleição de May Bode.