Logomarca

Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Sexta, 5 de Março de 2021

Política

Soraya, Nelsinho, André e Riedel são os primeiros nomes lançados para a sucessão estadual

O jacaré

23 de Fevereiro de 2021 - 10:19

Soraya, Nelsinho, André e Riedel são os primeiros nomes lançados para a sucessão estadual
Soraya quer ser a 3ª mulher a disputar o Governo de MS. Foto: Arquivo

Faltando um ano e oito meses para as eleições de 2022, os partidos começam a definir os nomes para disputar a sucessão do governador Reinaldo Azambuja (PSDB). O PSL vai apostar as fichas na senadora Soraya Thronicke, que surpreendeu nas urnas em 2018, enquanto o PSDB quer testar o potencial eleitoral do Eduardo Riedel, que disputará um cargo eletivo pela primeira.

O senador Nelsinho Trad (PSD) começou as articulações para disputar o Governo pela segunda vez. O ex-governador André Puccinelli segue como a principal estrela do MDB. Outros nomes podem surgir no tabuleiro, como o procurador de Justiça, Sérgio Harfouche, que disputou a prefeitura da Capital pelo Avante e ficou em 2º lugar nas eleições do ano passado.

Ao contrário das últimas eleições, quando havia um favorito, a disputa de 2022 surge como cenário aberto a zebras. Não há favorito a ocupar a Governadoria. Puccinelli confirmou o favoritismo e ganhou no primeiro turno em 2006 e 2010. Delcídio do Amaral, então no PT, viu o favoritismo ser demolido na reta final por Reinaldo em 2014.

O tucano levou um susto, mas conseguiu impor o favoritismo cantado aos quatro ventos apesar da Operação Vostok, que prendeu o filho e o acusou de receber propina de R$ 67,791 milhões da JBS, e derrotou o juiz federal aposentado Odilon de Oliveira, então no PDT.

Zeca do PT levou um suador de Marisa Serrano (PSDB), mas conseguiu se reeleger no segundo turno em 2002. O petista atropelou o favoritismo de Pedro Pedrossian em 1998, quando surpreendeu o candidato do Governo, Ricardo Bacha, e se tornou o primeiro governador do PT em Mato Grosso do Sul.

Em 1994, Wilson Barbosa Martins (MDB) voltou ao Governo ao manter o favoritismo diante do candidato do governador. Pedrossian tinha confirmado as profecias quatro anos antes, em 1990. Marcelo Miranda (MDB) acabou eleito em 1986 na onda de euforia provocada pelo Plano Cruzado de José Sarney (MDB).

A eleição de 2022 não tem favorito. Riedel vai contar com o apoio da máquina estadual. No entanto, com fama de técnico e sem a experiência política, ele terá condições de superar o desgaste da gestão de Reinaldo, marcada por escândalos, aumento de impostos e congelamento de salários dos funcionários estaduais.

O sonho do tucanato é repetir a trajetória em São Paulo, governador pelo PSDB há mais de duas décadas. Para se capitalizar politicamente, Riedel vai apostar no pacote de obras, que inclui pavimentação de rodovias e vias urbanas, o hospital regional de Dourados e o Aquário do Pantanal. O PSDB pode repetir a estratégia de esconder Reinaldo, denunciado ao STJ por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, como ocorreu nas eleições municipais.

No entanto, caso o governador decida concorrer ao Senado, como vem planejando, ele poderá impor um desgaste à campanha de Eduardo Riedel. Sem Reinaldo, o secretário de Infraestrutura poderá expor a imagem de técnico e livre de denúncias de corrupção.

As denúncias de corrupção devem desgastar as candidaturas de Puccinelli e Nelsinho. O ex-governador segue em apuros com a Polícia Federal, que ainda não encerrou a Operação Lama Asfáltica. Sem André, o MDB poderá apostar na candidatura de Waldeli Rosa, ex-prefeito de Costa Rica. No entanto, o cacique da região norte não teve força nem para fazer o sucessor no município.

Nelsinho divide com André a Operação Coffee Break, cujo julgamento por improbidade administrativa começará em maio deste ano. O senador também responde a várias ações por improbidade por suspeita de desvios de recursos públicos e recebimento de propina na operação tapa-buracos e na polêmica licitação do lixo, vencida pela Solurb.

A senadora Soraya Thronicke parece escaldada dos erros do PSL na disputa municipal do ano passado e decidiu colocar o bloco na rua de forma planejada e antecipada. Nesta semana, ela lançou o Fórum de Integração MS Certo, no qual pretende discutir as principais prioridades dos municípios.

Ao promover o debate, ela começa a reunir aliados para o seu projeto de disputar a sucessão de Reinaldo, de quem se tornou a grande antagonista. Ela pediu o impeachment do governador e ainda ingressou com ação na Justiça para pedir o bloqueio dos bens de Reinaldo em decorrência da suspeita de propina e prejuízo milionário aos cofres públicos, conforme revelou a delação premiada da JBS.

Soraya pretende colocar como prioridade o combate à corrupção e a redução de impostos, apresentando-se como opção ao atual Governo. A senadora será a terceira mulher a disputar o Governo do Estado e pode fazer história caso seja a governadora. Marisa Serrano (PSDB) disputou em 2002 e Rita de Cássia (Prona) foi candidata em 1994.

O juiz Odilon encolheu politicamente após disputar o segundo turno contra Reinaldo em 2018. Ele não disputou nenhum cargo no ano passado e ainda não conseguiu reeleger o filho, Odilon Júnior (PSD), apesar de ter apostado todas as fichas no herdeiro.

O PT ainda não tem um nome para disputar o Governo do Estado. O ex-prefeito de Mundo Novo, Humberto Amaducci, também ficou menor ao perder a disputa pela prefeitura em 2020. A opção pode ser o deputado estadual Pedro Kemp (PT), que ficou em 3º na disputa de Campo Grande, mas ele deverá priorizar a reeleição no legislativo.

O Avante poderá recorrer ao procurador Harfouche ou o ex-vereador André Salineiro. O primeiro poderá tentar a vaga de senador, que perdeu por pouco em 2018. O policial federal pode tentar o Executivo, já que deixou claro em mais de uma ocasião a frustração com o trabalho no parlamento.

A eleição ainda poderá contar com surpresas, como o prefeito da Capital, Marquinhos Trad (PSD), o presidente da Cassems, Ricardo Ayache, o engenheiro e advogado Marcelo Bluma (PV), entre outros.