SIDROLÂNDIA- MS
Conselho do Povo Terena rebate PT e diz que retomada em Sidrolândia não teve motivação partidária
A entidade classificou as críticas como uma tentativa de instrumentalização política das comunidades indígenas para fins eleitorais.
Redação/Região News
16 de Junho de 2026 - 09:07

O Conselho do Povo Terena contestou a versão apresentada por lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) de que a ocupação das fazendas São Sebastião e Santa Clara, em Sidrolândia, teria sido organizada por "índios de direita". Em nota divulgada nesta segunda-feira (15), a entidade repudiou as declarações do deputado estadual Zeca do PT e manifestou apoio ao cacique Rodrigues Alcântara.
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No documento, o conselho afirma que a discussão central não deve ser reduzida a uma disputa entre direita e esquerda, mas sim à garantia dos direitos territoriais dos povos indígenas. A entidade classificou as críticas como uma tentativa de instrumentalização política das comunidades indígenas para fins eleitorais.
O povo Terena possui autonomia política e não admite ser tratado como massa de manobra por qualquer grupo ou partido", destaca um trecho da nota.
O coordenador do Conselho do Povo Terena, Célio Fialho, afirmou que a entidade tinha conhecimento da mobilização desde o início e atribuiu a iniciativa à insatisfação das comunidades com a demora na conclusão do processo demarcatório.
"Essa foi uma iniciativa da própria população, uma vez que o processo demarcatório está parado. A área já foi identificada, já existe portaria declaratória, mas o processo não avança", declarou.
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Segundo Célio, não havia necessidade de consulta prévia a todas as aldeias da região para a realização da ação.
"Quando os moradores de uma aldeia tomam uma decisão, não necessariamente precisam da ciência ou da participação de todas as outras aldeias", afirmou.
O coordenador também rejeitou qualquer vínculo da mobilização com grupos políticos ou partidos. "Essa mobilização não tem relação com política partidária. Esse é um direito nosso garantido pela Constituição de 1988", ressaltou.
Célio criticou ainda a posição adotada pelo PT de Mato Grosso do Sul e afirmou que o partido tenta transformar uma reivindicação territorial em disputa eleitoral.
"O PT de Mato Grosso do Sul não tem legitimidade para falar em nosso nome", declarou.
Apesar das críticas à direção estadual do partido, o coordenador fez questão de destacar o reconhecimento das comunidades indígenas às ações do governo federal voltadas aos povos originários.
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"Nós temos muito a agradecer ao governo Lula pela criação do Ministério dos Povos Indígenas e por garantir autonomia para que os próprios indígenas possam lutar pelos seus direitos. Temos representantes legítimos, como o ministro Eloy Terena. Ele conhece a nossa luta, participou dela e pode falar em nosso nome", concluiu.




