SIDROLÂNDIA- MS
Prefeitura fecha primeiro semestre com mais de R$ 40 milhões em dívidas com fornecedores, transporte e entidades filantrópicas
O montante reúne débitos com fornecedores, prestadores de serviço, transporte escolar, subvenções e convênios destinados a entidades filantrópicas.
Redação/Região News
05 de Julho de 2026 - 10:11

A Prefeitura de Sidrolândia encerrou o primeiro semestre de 2026 com R$ 40.156.130,59 em despesas liquidadas e ainda não pagas. O montante reúne débitos com fornecedores, prestadores de serviço, transporte escolar, subvenções e convênios destinados a entidades filantrópicas e organizações não governamentais que atuam nas áreas de saúde, assistência social, educação e proteção animal.
✅ Receba no WhatsApp as notícias do RN
Conforme a execução orçamentária do município, foram liquidados R$ 198.048.196,71 em despesas, enquanto R$ 157.893.066,12 foram efetivamente pagos, restando um saldo de R$ 40.156.130,59.
Pela legislação orçamentária, despesa liquidada é aquela em que a administração pública reconhece que o serviço foi prestado, o produto foi entregue ou a entidade cumpriu as condições previstas no convênio, assumindo oficialmente a obrigação de pagamento. O valor pago corresponde às despesas efetivamente quitadas. Assim, os mais de R$ 40 milhões representam compromissos já reconhecidos pela Prefeitura, mas que permanecem em aberto.
Além das dívidas com fornecedores e entidades filantrópicas, a Prefeitura também acumula atrasos nos repasses destinados ao transporte de estudantes. A execução orçamentária aponta R$ 1.663.545,16 em despesas liquidadas e não pagas referentes ao transporte escolar. Também permanece pendente o pagamento de R$ 175,5 mil da subvenção destinada ao transporte universitário, benefício que auxilia acadêmicos de Sidrolândia no deslocamento diário para instituições de ensino superior em outros municípios.
Entre os maiores credores está o Hospital Elmíria Silvério Barbosa, que aguarda o pagamento das subvenções referentes aos meses de maio e junho. A instituição acumula R$ 10.815.593,46 em despesas liquidadas, recebeu R$ 8.918.112,03 e ainda tem R$ 1.897.481,43 a receber.''
Na semana passada, a Prefeitura repassou uma emenda da senadora Soraya Tronicke destinada ao custeio da instituição. Os atrasos nos repasses ao hospital, que em diversas ocasiões precisou recorrer à Justiça para receber os valores devidos, foram um dos principais motivos da crise que marcou o relacionamento entre a administração hospitalar e a ex-prefeita Vanda Camilo.
✅ Clique aqui para seguir o RN no Facebook
No mês passado, o Tribunal de Contas determinou o repasse de R$ 1,2 milhão em emendas parlamentares destinadas ao hospital pelos vereadores nos anos de 2022 e 2023. Neste ano, a instituição também deverá receber novas emendas, entre elas R$ 175 mil indicados pelo vereador Juscinei Claro e uma emenda coletiva de R$ 1.846.547,66, apresentada por oito vereadores: Marcos K Beça, Carlos Alexandre, Cledinaldo Cotocio, Shirlei Basso, Adavilton Brandão, Izaque de Souza, Edilaine Tavares e outros parlamentares.

A APAE também enfrenta atraso nos repasses. Dos R$ 941.588,00 liquidados, a instituição recebeu R$ 780.713,00, permanecendo um saldo de R$ 165.875,00.
Os atrasos atingem ainda entidades que desenvolvem importante trabalho social no município. A Associação dos Laçadores do Bem, que desde 2017 atende cerca de 50 crianças, sendo 20 com autismo, por meio da equoterapia, suspendeu as atividades na semana passada. Três meses após firmar convênio com previsão de R$ 240 mil anuais, em parcelas mensais de R$ 24 mil, a entidade deixou de receber quatro parcelas consecutivas, acumulando um crédito de R$ 96 mil junto ao município. A associação também aguarda o pagamento de uma emenda parlamentar de R$ 15 mil, destinada pela vereadora Shirlei Basso.
Sem os recursos, a entidade enfrenta dificuldades para pagar o aluguel de R$ 5 mil da sede e os salários dos dez funcionários. A equoterapia auxilia no desenvolvimento da coordenação motora, fortalecimento muscular, autoestima, socialização e autoconfiança das crianças atendidas.
A Associação Bom Samaritano, que atua na recuperação de dependentes químicos e alcoólicos, também enfrenta sérias dificuldades financeiras. Do convênio anual de R$ 240 mil, apenas R$ 53 mil foram liquidados e somente R$ 26.666,66 chegaram à entidade. Também continua pendente uma emenda parlamentar de R$ 60 mil, de autoria do ex-vereador Gilson Galdino, prevista no orçamento de 2025 para a construção de um muro. Sem os repasses, a instituição encontra dificuldades para pagar funcionários e manter o atendimento.
✅ Clique aqui para seguir o RN no Instagram
A Comitiva dos Amigos, entidade que presta assistência a mais de 400 pacientes com câncer e seus familiares, também sofre com os atrasos. Do convênio anual de R$ 240 mil, recebeu apenas R$ 26.666,66, ficando sem a maior parte dos recursos necessários para manter os atendimentos e as ações desenvolvidas.
A Associação Conviver, que desenvolve projetos voltados à terceira idade, também possui R$ 60 mil em subvenções pendentes de pagamento. Outra entidade em situação delicada é a Associação Protetora dos Animais Abrigo dos Bichos. O convênio firmado com o município prevê R$ 280 mil, mas até agora foram repassados apenas R$ 31.111,11.
O abrigo mantém 235 animais, sendo 120 gatos e 115 cães. Com a falta de recursos, a entidade acumula dívidas com a clínica veterinária responsável pelo atendimento dos animais e com fornecedores de medicamentos veterinários. Também enfrenta dificuldades para custear serviços de manutenção elétrica e hidráulica, adquirir produtos de limpeza e reconstruir as fossas sépticas, obra considerada urgente para garantir condições adequadas de funcionamento.
Enquanto entidades de Sidrolândia aguardam recursos para manter serviços considerados essenciais, a Prefeitura já repassou R$ 194 mil à comunidade terapêutica Esquadrão da Vida, de Campo Grande. O contrato firmado com a instituição totaliza R$ 644 mil para a oferta de 25 vagas. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, neste ano 48 moradores de Sidrolândia já passaram pelo tratamento, enquanto 20 pacientes permanecem acolhidos na comunidade terapêutica.




