ECONOMIA
Crise na JBS não deve afetar frigorifico de aves instalado em Sidrolândia, garante Sindicato
Nesta terça-feira (17) a direção do grupo anunciou a suspensão da compra de boi e em consequência a paralisação das atividades nos 9 frigoríficos de bovinos que mantém no Estado.
Flávio Paes/Região News
17 de Outubro de 2017 - 22:56
Pelo menos nos próximos 40 dias o funcionamento da unidade JBS de Sidrolândia, a Seara, não está ameaçado. Este é o tempo do próximo ciclo de criação, engorda e abate do frango, que está garantido, mesmo com a empresa com seus bens e contas bancárias bloqueadas pela Justiça. Há insumo em estoque suficiente para que o frigorífico se mantenha funcionando.
Nesta terça-feira (17) a direção do grupo anunciou a suspensão da compra de boi e em consequência a paralisação das atividades nos 9 frigoríficos de bovinos que mantém no Estado. Ficaram de fora exatamente a unidade local (de frango) e a de Dourados (voltado ao abate de suínos).
Diferente do boi, que a empresa precisa comprar do pecuarista, tanto o frango, quanto o porco, são produzidos pela própria indústria, que remunera os produtores para engordá-los para abate. A JBS se antecipou e suspendeu as compras, pela simples razão que nenhum pecuarista se arriscaria seu gado a prazo, para um cliente com as contas bancárias bloqueadas.
De qualquer forma o anúncio trouxe apreensão não só entre os funcionários, mas em todos os segmentos econômicos, sobretudo o comércio, prestadores de serviço, que tem suas atividades ligadas ao conglomerado. São 2.500 trabalhadores (abrangendo um universo de 10 mil pessoas) e pelo menos outras 1.500 pessoas envolvidas na cadeia produtiva do frango, sem contar o comércio, quem tem nos funcionários da Seara, o seu maior contingente de clientes.
Segundo Sérgio Bolzan, presidente do sindicato (SINDAVES) que representa os funcionários da empresa, no curto prazo nada vai mudar na rotina da empresa. Os abates continuarão e no próximo dia 1º os salários serão pagos. Entretanto, ele admite, que é preciso encontrar uma solução rápida para a questão do bloqueio, sob pena de o colapso se tornar irreversível.
Há o temor de que haja um efeito domino. As unidades da JBS de outros estados também receberam incentivos fiscais e pelo visto, a empresa não cumpriu com os compromissos de investimento com os governos. Paraná e Mato Grosso, por exemplo, já querem adotar o mesmo modelo da CPI de Mato Grosso do Sul, para ressarcir os prejuízos, recorrendo ao mesmo expediente de bloqueio do patrimônio.
Esta situação foi discutida nesta terça-feira com o presidente da Assembleia Legislativa, Junior Mochi e integrantes da CPI, com representantes dos trabalhadores da JBS em todo o Estado. Ficou definido que em uma semana será realizada uma reunião de conciliação com o presidente do Tribunal de Justiça, sindicalistas, deputados, Ministério Público, Federal e do Trabalho, com representantes da empresa.
O objetivo é garantir que nesta reunião a empresa apresente uma proposta de pagamento parcelado dos R$ 730 milhões que o Estado quer receber como ressarcimento de ICMS não recolhido pela JBS, que recebeu incentivos fiscais, mas não honrou os compromissos de investimentos, como a expansão da unidade de Sidrolândia e a implantação de um frigorífico de peru em Dourados.
Acordo
O acordo terá de ser sustentado por três pilares: a garantia, com definição da forma de pagamento, do ressarcimento de recursos não investidos pela empresa em Mato Grosso do Sul, em troca de incentivos fiscais aos cofres estaduais, que a JBS se comprometa a garantir os empregos dos funcionários e nem fechar unidades no Estado, além de pagar os fornecedores.
O deputado Eduardo Rocha (PMDB) chegou a sugerir que a condição para o desbloqueio, fosse à inclusão de Mato Grosso do Sul, no acordo de leniência firmado com o MPF (Ministério Público Federal), estimado no valor de R$ 10,3 bilhões, no entanto os trabalhadores e colegas preferiram buscar um acordo estadual com a JBS.
Bloqueios
A 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais de Campo Grande bloqueou no dia 9 de outubro mais R$ 615 milhões da JBS. Somado aos R$ 115 milhões que já haviam sido bloqueados anteriormente, pela empresa não cumprir com suas obrigações, como empregos, investimentos em Mato Grosso do Sul e a CPI ter encontrado até irregularidades em notas fiscais que justificavam o acesso da indústria aos incentivos concedidos pelo governo.




