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Mato Grosso do Sul

Em todo o Estado, 185 crianças foram vítimas de pedofilia no último ano

Nesta terça-feira, 18 de maio, é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Correio do Estado

18 de Maio de 2021 - 09:31

Em todo o Estado, 185 crianças foram vítimas de pedofilia no último ano
Em todo o Estado, 185 crianças foram vítimas de pedofilia no último ano - Divulgação

Conforme dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sejusp), 185 crianças e adolescentes foram vítimas de pedofilia em Mato Grosso do Sul no último ano. Só em Campo Grande, foram 83. De maio de 2020 para cá, também foram registrados em Mato Grosso do Sul 220 casos de corrupção de menor, e três de exploração sexual.

Hoje é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, data determinada oficialmente pela Lei 9.970/2000, em memória à menina Araceli Crespo, de 8 anos. Há exatos 48 anos, a criança desapareceu em Vitória, no Espírito Santo e só foi encontrada seis dias depois. Espancada, estuprada, drogada e morta. Seu corpo foi desfigurado com ácido.

A violência pode ocorrer desde bebês, até adolescentes, e em todas as classes sociais. O abuso sexual é caracterizado pelo uso da criança ou do adolescente para práticas de algum ato de natureza sexual. Já exploração sexual é o uso de crianças e adolescentes com propósito de troca, ou de obter lucro financeiro, ou ainda de outra natureza em turismo sexual: tráfico, pornografia, ou também rede de prostituição.

De acordo com a assistente social e gerente de projetos da ONG Plan International, Elaine Amazonas, identificar os sinais de um abuso não é fácil, pois na grande maioria das vezes, o abusador não deixa sinais físicos. É preciso estar atento às mudanças repentinas de comportamento.

“Muitas vezes a criança se apresenta mais irritadiça, apresenta ansiedade, dores no corpo, na cabeça, barriga, sem uma explicação mais lógica. [Apresenta] alterações gastrointestinais. Raiva, rebeldia. Muitas crianças ficam mais introspectivas, não querem conversar, têm pesadelos constantes voltam a fazer xixi na cama, chupar dedos”, enumera.

Denúncia

Qualquer pessoa pode denunciar casos de violência sexual por meio do canal Disque 100.

O canal é gratuito e funcionada 24h, inclusive sábados, domingos e feriados. A denúncia pode ser feita também na Polícia Militar, pelo número 190, ou Polícia Rodoviária Federal, pelo 191. O sigilo é garantido, e as ligações podem ser feitas por aparelhos fixos ou móvel.

Videoconferência

Será realizado uma videoconfência nesta terça, às 14h, para debater sobre o tema e os dilemas do profissional que atende a criança e adolescente vítima de abuso e exploração sexual. O encontro é promovido pela Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho (Sedhast), por meio da Superintendência da Política de Assistência Social (Supas).

Participarão a psicóloga Fernanda de Miranda, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG), e do diretor do Departamento de Proteção Social Especial de Média e Alta Complexidade, da Secretaria Municipal de Assistência Social de Três Lagoas, Luís Fernando Tondeli Fochi.

"Não podemos nos furtar enquanto governo e sociedade de discutir essa temática presente no cotidiano de crianças e adolescentes", disse a superintendente da Supas, Salette Marinho de Sá.

O evento pode ser acessado aqui.