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Policial

PF não descarta novos crimes após análise de documentos sobre Hospital do Câncer

Midia Max

20 de Março de 2013 - 07:41

Novas investigações podem ser abertas após a análise dos documentos apreendidos pela Polícia Federal, na manhã desta terça-feira (19), ao deflagrar a Operação Sangue Frio -- que investiga desvio de recursos públicos federais em dois hospitais de Mato Grosso do Sul.

O superintendente da PF, Edgar Paulo Marcon, explica que o foco da investigação é o desvio de dinheiro do SUS (Sistema único de Saúde), mas esclarece que outros inquéritos podem ser abertos após a análise dos documentos. "Se forem encontrados outros crimes, serão abertos quantos inquéritos sejam necessários", afirma. Marcon disse ainda que além de documentos, interceptações telefônicas autorizadas judicialmente foram utilizadas na construção de provas.

Marcon diz que há provas o suficiente para a condenação dos envolvidos. Mas adverte que tudo deve ser muito bem investigado porque há muito tempo eles estão 'nisso' e não há como saber de imediato onde termina o recurso lícito e começa o ilícito.

Os crimes investigados são: fraude em licitação, superfaturamento, corrupção passiva, peculato e formação de quadrilha. A delegada da Polícia Federal, Cecília Franco - que está coordenando a operação - informou que nesta terça-feira, oito pessoas foram intimadas para prestar esclarecimentos, sendo que destas, cinco já compareceram a sede da PF.

Desde às 6h da manhã, um efetivo de mais de cem policiais e 15 servidores da CGU (Controladoria Geral da União) estão cumprindo 19 mandados de busca e apreensão e 4 ordens judicias de afastastamento de servidores no HU. Os mandados de busca foram cumpridos no HU, HC, Neorad, escritório de contabilidade, empresa que possui contrato com o HU e em residências.

Prisão

Até o momento, apenas o diretor do Hospital do Câncer, Adalberto Siufi foi preso em flagrante por porte ilegal de armas. Na casa dele foram apreendidas uma espingarda, uma pistola e um revólver - todos de uso permitido.

O advogado Renê Siufi, primo de Adalberto, informa que Adalberto foi preso porque não tinha o porte das armas. Segundo ele, o diretor do HC não recebeu voz de prisão na casa dele, mas na delegacia, quando foi prestar esclarecimentos.

Por volta das 12h, Adalberto pagou fiança e foi liberado. A reportagem tentou falar com o médico, mas ele não quis falar sobre o assunto. A informação que chegou até a imprensa é de que a PF teria solicitado mandados de prisão à Justiça, mas que estes foram negados pelo juiz. O superintendente Edgar Marcon preferiu não falar sobre o assunto.

Durante as 'batidas', a PF apreendeu ainda R$ 200 mil em dinheiro. A informação é que os valores estavam em quatro casas, sendo que em uma delas os policiais encontraram R$ 100 mil em dinheiro. A polícia não citou o nome dos envolvidos, para não atrapalhar as investigações.

Hospital do Câncer

A investigação aponta que o Hospital do Câncer estaria sendo usado como fachada para desvio dos recursos. Os pacientes entravam pelo HC, mas todo o tratamento seria pago para a Neorad. A informação é que os tratamento são pagos à Neorad (empresa da família Siufi) com crescimo de 70% maior a tabela SUS.

A PF explica que a tabela é fixa para todos os hospitais, sem exceção. Além disso, lembra que há indícios de monopólio do tratamento do câncer no Mato Grosso do Sul.

A investigação, segundo o superintendente da PF, surgiu após denúncias, ações civis e inquéritos do Ministério Publico Federal, os quais apontam irregularidade no serviço de oncologia.

"Vários indícios de que havia algo errado", diz Marcon.

Hospital Universitário

Quatro pessoas foram afastadas da adminiatração do HU. Dois funcionários efetivos e dois terceirizados. A investigação no hospital é por superfaturamento de obras. A informação da CGU (Controladoria Geral da União) é que os valores estavam muito acima da tabela Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil).

A coordenadora da CGU (Controladoria Geral da União), Janaína Farias, informa que até agora já foram constatados R$ 3 milhões em desvios. Contudo, Faria esclarece que o valor pode aumentar após a análise do material apreendido.

Segundo o superintendente da PF, pelo menos sete pregões do HU tem sérios indicios de irregularidades.