Logomarca

Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Quarta, 25 de Novembro de 2020

Política

Após pedido de prisão, PF aguarda Roberto Jefferson na porta de casa

Por volta das 7h, Jefferson apareceu na sacada, acenou para os policiais federais e perguntou apenas se o mandado de prisão chegou.

Folha.com

22 de Fevereiro de 2014 - 08:30

A Polícia Federal aguarda na porta do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), delator do mensalão, desde o início da madrugada deste sábado, na cidade de Levy Gasparian, interior do Rio de Janeiro, onde ele mora com a família.

Após a Justiça determinar a sua prisão na noite de ontem (21), ao menos quatro policiais foram deslocados para o local. Eles aguardam em uma Mitsubishi Pajero, sem o mandado em mãos. Ele ainda tem que ser remetido à Justiça Federal do Rio e encaminhado à Superintendência da PF no Estado.

Jefferson disse à polícia –assim que percebeu o movimento deles em sua porta, por volta da 0h– que irá se entregar e que eles podem imprimir o mandado em sua casa.

Ele passou a noite com a mulher Ana Lúcia, a filha Cristiane Brasil, o genro, e outros dois filhos. Por volta das 6h45, só havia movimento de policiais e jornalistas na porta do ex-deputado.

Por volta das 7h, Jefferson apareceu na sacada, acenou para os policiais federais e perguntou apenas se o mandado de prisão chegou. A polícia respondeu que não e o ex-deputado agradeceu e retornou para casa.

Após ser preso, Jefferson seguirá para a Superintendência da PF, na praça Mauá, centro do Rio. A ordem de prisão foi expedida ontem pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Joaquim Barbosa.

O ex-deputado terá que cumprir sete anos e 14 dias de prisão em regime semiaberto, no Rio. Jefferson foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e a uma pena de sete anos e 14 dias de prisão em regime semiaberto, mais o pagamento de R$ 720,8 mil em multas.

Em entrevista à Folha em 2005, Jefferson, então presidente do PTB, revelou o mensalão, que foi entendido pelo STF como o esquema de compra de apoio político no Congresso Nacional durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A condenação apontou o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), preso desde novembro no complexo penitenciário da Papuda, como o chefe do esquema. Jefferson é o vigésimo dos 25 condenados do mensalão que teve prisão decretada –os outros cinco ou tiveram a pena convertida em restrição de direitos, multas e prestação de serviços à comunidade ou ainda têm recursos a ser analisados.

Jefferson já havia dito em entrevistas que não tinha mais o câncer. Segundo ele, os problemas de saúde de hoje são decorrentes da cirurgia à qual foi submetida para a retirada do tumor no ano passado quando, segundo ele, sua saúde ficou frágil. Por isso, sua defesa solicitava a prisão domiciliar.

Jefferson criticou, inclusive, laudo médico do Inca (Instituto Nacional do Câncer), divulgado no fim do ano passado, que considerou desnecessária sua prisão domiciliar ou mesmo em unidade hospitalar.

Em dezembro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, opinou, em parecer enviado ao STF, ser contrário a prisão domiciliar, o que facilitou a decisão de Barbosa.

No documento enviado ao presidente do STF, o procurador diz que recebeu informações da Divisão Médico Ambulatorial da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro de que há condições de Jefferson ter acompanhamento clínico e consultas periódicas com médicos oncologistas do sistema público, uma vez que ele é tratado pelo Inca.