Logomarca

Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Quarta, 7 de Janeiro de 2026

Política

Com Flávio Bolsonaro no páreo, Tereza e Simone ganham força nacionalmente

Parte do entorno presidencial credita a vitória apertada do petista nas urnas.

Correio do Estado

05 de Janeiro de 2026 - 08:46

Com Flávio Bolsonaro no páreo, Tereza e Simone ganham força nacionalmente
A senadora Tereza Cristina (PP) e a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB) - Montagem

O lançamento da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República pelo próprio pai, o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL), fortaleceu um consenso nas rodas de conversa das festas de réveillon das principais lideranças de centro-direita e centro-esquerda no Brasil: o filho de Bolsonaro não tem cacife para vencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições gerais deste ano.

Com a saída do páreo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), diante da escolha do ex-presidente de lançar o filho como presidenciável, as articulações das duas principais vertentes políticas brasileiras estão a todo vapor e os nomes de duas lideranças políticas de Mato Grosso do Sul voltaram a ganhar força: a senadora Tereza Cristina (PP) e a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB).

De acordo com a imprensa nacional, enquanto a primeira é cotada para ser a pré-candidata de centro-direita à Presidência da República, principalmente para o setor do agronegócio brasileiro, a segunda já é vista pelo centro-esquerda como a virtual pré-candidata a vice-presidente na chapa de reeleição do presidente Lula.

Entre as lideranças nacionais dos partidos de centro-direita, o nome de Flávio Bolsonaro não é consenso e o setor do agronegócio já não faz mais nem questão de esconder isso, chegando a contratar uma pesquisa de opinião com o Instituto Paraná Pesquisas, incluindo entre os pré-candidatos a presidente testados com o eleitor o nome da senadora Tereza Cristina.

Até o lançamento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, a parlamentar sul-mato-grossense era vista como vice ideal em uma chapa de direita, sendo cotada para compor com Tarcísio de Freitas.

Agora que Flávio está pré-candidato, os partidos de centro-direita tentam construir uma alternativa e o agro começou a sonhar com o nome da ex-ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Bolsonaro como ponta de lança.

Os números, porém, não são animadores, pois, na sondagem sobre o primeiro turno, a maior pontuação dela é de 2,5% em um cenário em que disputam o presidente Lula (37,8%), o governador Tarcísio de Freitas (26,2%), o ex-ministro Ciro Gomes (8,7%), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (5%), e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (3,9%).

Nos cenários de segundo turno, Tereza também aparece com pontuação menor do que a dos outros pré-candidatos de centro-direita, com 30,3% contra 44,6% de Lula.

De acordo com o Paraná Pesquisas, quem teria melhor desempenho contra Lula no segundo turno seria Tarcísio, com 42,5% das intenções de voto contra 44% do presidente, enquanto Flávio, por sua vez, teria 41% contra 44% de Lula.

Por ora, portanto, a senadora e ex-ministra de Mato Grosso do Sul não demonstra grande potencial na disputa à Presidência da República, mas, apesar disso, o agro não se deu por vencido e tentará incluir o nome dela nas conversas para as eleições do dia 4 de outubro deste ano, nem que seja para depois levar mesmo uma vaga de vice.

Afinal, conforme as lideranças do agronegócio, o baixo desempenho de Tereza Cristina na pesquisa pode ser explicado pelo fato de que, desde o princípio, ela sempre foi colocada como postulante a vice-presidente.

Caso esse quadro mude, a senadora sul-mato-grossense pode surpreender e surgir como uma terceira via a Flávio Bolsonaro e, principalmente, a Lula, pondo fim à polarização das duas últimas eleições presidenciais – 2018 e 2022.

CENTRO-ESQUERDA

Dentro dos partidos de centro-esquerda, a chegada de Flávio Bolsonaro ao tabuleiro de xadrez político acirrou os debates no PT sobre qual seria a melhor estratégia para enfrentar o filho do ex-presidente da República e, nesse cenário, Simone Tebet é considerada uma peça capaz de desequilibrar o jogo.

Ganhou força o desejo de reeditar neste ano a frente ampla de 2022, agora substituindo o atual vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), que tentará o cargo de governador de São Paulo, pela ministra do Planejamento e Orçamento, que é considerada muito forte com o eleitorado paulista.

O objetivo real do PT é manter o patamar de votação semelhante ao alcançado em 2022, quando Lula fez 4,3 milhões a mais de votos no estado do que em 2018, quando Haddad concorreu à Presidência.

Parte do entorno presidencial credita a vitória apertada do petista nas urnas contra Bolsonaro ao desempenho do petista em São Paulo.

Para esse grupo, Simone Tebet conseguiu, nas eleições presidenciais passadas, 1.625.596 de votos dos paulistas, demonstrando a força da então senadora com o eleitorado daquele estado.

A projeção dela só aumentou na região depois que decidiu apoiar Lula no 2º turno de 2022 e após a boa gestão à frente do ministério de Planejamento e Orçamento.

Com base nesse panorama, os cenários vêm sendo discutidos, pois a força de Tebet cresceu tanto que ela é cotada até para disputar uma das duas cadeiras ao Senado por São Paulo. Tebet também está sendo sondada como pré-candidata a vice-governadora dos paulistas.

Dentro de uma chapa encabeçada por Geraldo Alckmin, ela seria o nome mais ao centro e com capacidade de buscar um eleitor que não vota tradicionalmente no PT. Se antes era irredutível sobre trocar domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul, agora Tebet já admite transferi-lo para São Paulo.

Segundo interlocutores, a ministra ficou animada depois da demonstração de apoio que recebeu em um jantar promovido pelo Grupo Prerrogativas, na cidade de São Paulo. A ministra já avisou ao seu grupo político que estará com Lula em 2026 e que aceitará o desafio que o presidente da República propor.

Petistas próximos ao presidente asseguram que Tebet está animada com a ideia de concorrer por São Paulo e toparia o Senado. Petistas descrevem Tebet como ministra afinada com Lula e como nome viável para ocupar a Vice-Presidência.

Os planos de Tebet, no entanto, encontram obstáculos na cúpula do MDB. Desde 2022, o partido apoia Tarcísio em São Paulo. E o presidente estadual do MDB, Rodrigo Arena, está organizando apoio à reeleição do governador.

Na prática, emedebistas não veem chance de Tebet disputar o Senado por São Paulo pela sigla com apoio de Lula. Assim, aliados da ministra admitem inclusive a possibilidade de mudança de legenda.