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SIDROLÂNDIA- MS

Baixos salários, avanço do trabalho autônomo e mudanças econômicas alteram mercado de trabalho em Sidrolândia

Embora janeiro de 2026 tenha registrado saldo positivo de vagas formais, os dados indicam transformações no perfil da mão de obra local.

Redação/Região News

15 de Março de 2026 - 13:35

Baixos salários, avanço do trabalho autônomo e mudanças econômicas alteram mercado de trabalho em Sidrolândia
Centro comercial de Sidrolândia. Foto: Arquivo Regiõa News

O mercado de trabalho em Sidrolândia passa por mudanças estruturais que ajudam a explicar tanto as dificuldades de contratação em alguns setores quanto a redução de empregos na indústria. Embora janeiro de 2026 tenha registrado saldo positivo de vagas formais, os dados indicam transformações no perfil da mão de obra local.

Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, a indústria foi o setor que mais perdeu postos de trabalho. O número de empregados com carteira assinada caiu de 4.319 para 3.826, uma redução de 493 vagas, equivalente a cerca de 11,4%.

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Parte dessa retração está ligada à automação de algumas etapas da linha de abate de frango da JBS, que reduziu a necessidade de mão de obra em determinados processos. Outro fator foi a recuperação judicial do Frigorífico Balbinos, que diminuiu pela metade o volume de abates.

Mesmo assim, o impacto não foi ainda maior devido à presença do complexo industrial da Inpasa, que mantém cerca de 400 trabalhadores e também gera efeitos indiretos nos setores de comércio e serviços.

Outro elemento que influencia o mercado de trabalho local é o nível salarial. Com remuneração média abaixo de R$ 2 mil em parte das vagas operacionais, cresce a rotatividade da mão de obra e diminui o interesse por determinadas funções industriais, especialmente nas vagas abertas pela JBS, considerada a maior empregadora do município.

Baixos salários, avanço do trabalho autônomo e mudanças econômicas alteram mercado de trabalho em Sidrolândia

Paralelamente, cresce o número de trabalhadores que optam por atividades autônomas. Dos 5.026 CNPJs ativos no município, 2.259 pertencem a microempreendedores individuais (MEIs), indicando o avanço do trabalho por conta própria em atividades como transporte por aplicativo, entregas e pequenos serviços.

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Esse movimento se intensificou ao longo da última década. Em 2014, o município tinha 1.072 MEIs registrados. Em 2025, esse número chegou a 2.259, mais que dobrando em pouco mais de dez anos e evidenciando uma mudança importante na forma de inserção no mercado de trabalho local.Estrutura do emprego

Atualmente, a população economicamente ativa do município é estimada em 36.865 pessoas. Dentro desse universo, 12.787 trabalhadores atuam com carteira assinada no setor privado, enquanto cerca de 1.580 são servidores públicos.

Os números mostram que o emprego formal ainda representa uma parcela significativa da economia local, mas cresce a participação do trabalho por conta própria e de formas mais flexíveis de geração de renda.

Comércio perde empresas

O comércio local também enfrenta um momento desafiador. Nos últimos 12 meses, 18 empresas do setor comercial encerraram suas atividades no município. Entre os fatores apontados por empresários está a crescente concorrência das vendas online, que tem impactado o faturamento de parte do comércio tradicional.

Bolsa Família diminui, mas pobreza cresce

O valor médio do benefício do Bolsa Família no município é de cerca de R$ 692,25, e o número de famílias atendidas tem diminuído. Em fevereiro de 2025, eram 3.753 beneficiários; no mês passado, esse total caiu para 3.371. Há dois anos, em fevereiro, o município registrava 3.696 benefícios concedidos.

Enquanto isso, outro indicador social chama atenção. A quantidade de pessoas formalmente registradas em situação de extrema pobreza com renda per capita inferior a R$ 218  aumentou em um ano, passando de 8.478 para 8.586 pessoas.

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Considerando a população estimada de 49.735 habitantes, esse contingente representa cerca de 17,3% da população vivendo em situação de extrema pobreza.

Dados do Cadastro Único também mostram que parte significativa das famílias de baixa renda mantém algum vínculo com o trabalho. Das 27.987 pessoas inscritas no sistema, 10.265 declararam ter exercido alguma atividade remunerada nos últimos 12 meses, o que indica que o acesso a programas sociais não necessariamente significa ausência de participação no mercado de trabalho.