Logomarca

Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Domingo, 22 de Fevereiro de 2026

SIDROLÂNDIA- MS

Escola Doralício Paim avança com força-tarefa e mobilização comunitária no Assentamento Valinhos

A Prefeitura montou uma força-tarefa com 18 trabalhadores para concluir até o próximo dia 1º as obras da Escola Doralício Paim.

Redação/Região News

22 de Fevereiro de 2026 - 19:43

Escola Doralício Paim avança com força-tarefa e mobilização comunitária no Assentamento Valinhos
Escola Doralício Paim

A Prefeitura montou uma força-tarefa com 18 trabalhadores para concluir até o próximo dia 1º as obras da Escola Doralício Paim, localizada no entorno do Assentamento Valinhos, a cerca de 70 quilômetros do perímetro urbano de Sidrolândia, na divisa com Maracaju. As equipes trabalharam inclusive no sábado para acelerar o cronograma.

Receba no WhatsApp as notícias do RN 

A construção é resultado de uma mobilização que atravessa duas décadas e tem como principal marca o esforço coletivo da própria comunidade rural. Pelo menos 80% da obra tenha sido viabilizada por meio de doações de materiais e custeio de mão de obra feitos por produtores e moradores da região.

Até o ano passado, a escola funcionava de forma improvisada em uma casa vizinha à igreja católica, no lado maracajuense do assentamento, como extensão da Escola Darci Ribeiro, do Assentamento Capão Bonito. No Valinhos vivem 86 famílias, 75 em Sidrolândia e 11 já na margem do Rio Brilhante, em território de Maracaju.

Em 2025, nove crianças da pré-escola dividiam uma única sala, enquanto outros 14 estudantes do 1º ao 5º ano estudavam em turmas multisseriadas. Além disso, cerca de 20 alunos do 1º ao 9º ano acordavam às 4h30 para enfrentar diariamente um trajeto de aproximadamente 50 quilômetros até Maracaju.

Duas vezes por mês, as aulas eram suspensas para que médicos enviados pela Prefeitura de Maracaju realizassem atendimentos à população no mesmo espaço improvisado onde funcionava a escola.

A nova unidade começou a ser erguida em 2023, em uma área de 1.325 metros quadrados. Em junho do ano passado, o Incra recebeu o georreferenciamento do terreno etapa necessária para a cessão de uso da área ao município.

✅ Clique aqui para seguir o RN no Facebook  

O projeto prevê três salas de aula, sala dos professores, secretaria, cantina, despensa e saguão. A obra entra agora na fase de cobertura, reboco e acabamento, incluindo instalação de telhado, forro, piso, portas, janelas e sanitários.

Dos alicerces às paredes, tudo foi executado sem recursos públicos. Produtores rurais contribuíram com materiais, enquanto Alzemiro Paim investiu cerca de R$ 70 mil em mão de obra e aproximadamente R$ 40 mil em materiais, garantindo o avanço até a etapa atual.

Legado que atravessa gerações

A história da escola se confunde com a da família Paim. Filho do pioneiro Doralício Garcez Paim, cuja família está na região desde 1934, Alzemiro resgata um sonho antigo. Na década de 1950, seu pai chegou a oferecer um hectare de terra ao município para a construção de uma escola, proposta que não prosperou.

Diante da ausência do poder público, Doralício contratou uma professora para alfabetizar seus filhos e outras crianças da região entre elas o próprio Alzemiro, que aprendeu a ler em casa.

Décadas depois, ao ver a comunidade novamente mobilizada, Alzemiro assumiu papel central na obra. Em reconhecimento ao legado da família, a unidade levará o nome de Doralício Garcez Paim.

Apoio político e fase final

✅ Clique aqui para seguir o RN no Instagram 

A vereadora Juscinei Claro articulou junto ao deputado estadual Gerson Claro a destinação de emenda parlamentar para aquisição de três aparelhos de ar-condicionado e dois notebooks.

A Prefeitura adquiriu materiais de acabamento, como piso, portas, janelas, vasos sanitários e pias. A mobilização comunitária foi liderada pela professora Roseli Pereira, moradora do assentamento e filha de assentados. A antiga escola chegou a ficar fechada entre 2013 e 2016.