SIDROLÂNDIA- MS
Furtos em Sidrolândia: estatísticas em alta e um ciclo difícil de romper
Comparando com anos anteriores, houve queda de 15,4% entre 2024 (390 ocorrências) e 2025 (330 ocorrências).
Redação/Região News
24 de Março de 2026 - 08:04

Nos primeiros três meses de 2025, Sidrolândia registrou 83 ocorrências de furto. Neste ano, em menos de 90 dias, já são 120 casos, representando um crescimento de aproximadamente 44,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Especialistas alertam, entretanto, que esses números podem subestimar a realidade, devido à subnotificação: muitos desistem de registrar boletins de ocorrência após tentativas frustradas, como ocorreu recentemente com o empresário Alysson Rocha, que, até as 8h30 de domingo, não conseguiu registrar o furto de sua caminhonete levado do barracão de sua empresa por volta da meia-noite.
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Comparando com anos anteriores, houve queda de 15,4% entre 2024 (390 ocorrências) e 2025 (330 ocorrências). Mas, mantendo a média atual, a projeção para 2026 é de 480 casos o que representaria um aumento de 45,5% em relação a 2025 e de 23,1% em comparação com 2024.
A polícia tem identificado um padrão entre os autores desses furtos: geralmente pessoas em situação de rua, dependentes químicos que trocam os produtos dos furtos por drogas. Como os crimes são praticados sem violência e as prisões em flagrante são raras, os suspeitos retornam rapidamente às ruas. Quando há condenações, as penas costumam ser leves e em regime aberto, e as orientações para participação em programas de reabilitação muitas vezes não são efetivas devido à falta de estrutura do município, incluindo longas filas para consultas psiquiátricas.
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Um exemplo recente é o caso de O.C.S.S., preso nesta segunda-feira no bairro Diva Nantes. Há dois anos, ele havia sido condenado por furtar uma bicicleta após invadir um imóvel no Jardim Paraíso II. À época, pulou o muro por volta das 2h da manhã e levou o veículo, sendo localizado horas depois queimando fios de cobre nas proximidades de uma fábrica. Com ele, os policiais encontraram a bicicleta, fios metálicos e uma pequena quantidade de droga. Durante a abordagem, confessou que pretendia trocar os objetos furtados por entorpecentes. O Ministério Público denunciou o suspeito por furto qualificado, com agravantes, e a Justiça concedeu liberdade provisória, determinando encaminhamento para tratamento de dependência química. A pena fixada foi de 1 ano de reclusão e 10 dias-multa, com aumento devido ao horário do crime.
Casos como este se repetem na trajetória de L.O.J., cujas iniciais aparecem dezenas de vezes nos registros policiais. Com cerca de 45 passagens entre adolescência e vida adulta, sua história revela ciclos difíceis de romper. Ainda jovem, surgiram os primeiros registros de pequenos furtos e conflitos em Nioaque, Jardim e Campo Grande, que se tornaram padrões na vida adulta. A Justiça já aplicou três sentenças por furto, duas delas qualificadas, mas o que se observa fora dos autos é uma rotina marcada por idas e vindas.
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O vício em drogas, especialmente pasta base de cocaína, intensificou o ciclo de furtos. Em setembro de 2022, L.O.J. foi preso após furtar uma bicicleta, justificando que pretendia trocá-la por drogas. Desde então, a sequência de tentativas frustradas de mudança, interrupções e retornos ao mesmo ponto evidencia que, por trás dos registros policiais, há sinais de um problema social e de saúde mais profundo. Entre erros, consequências e a força do vício, sua trajetória se constrói como tantas outras: marcada por repetição e pela dificuldade de encontrar uma saída.




