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SIDROLÂNDIA- MS

RAIS aponta aumento da remuneração média, mas trabalhadores perdem poder de compra mesmo com expansão do emprego formal

A evolução dos salários também mostra desaceleração dos reajustes ao longo dos anos.

Redação/Região News

07 de Junho de 2026 - 18:10

RAIS aponta aumento da remuneração média, mas trabalhadores perdem poder de compra mesmo com expansão do emprego formal
Entre 2022 e 2025, o rendimento médio passou de R$ 3.042,19 para R$ 3.440,67, um aumento de 13,1%. Foto: Marcello Casal

Os dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho e Emprego, referente a 2025,  revelam que a remuneração média dos trabalhadores formais sidrolandenses apresentou crescimento nominal nos últimos anos, mas não foi suficiente para acompanhar a inflação acumulada do período. Entre 2022 e 2025, o rendimento médio passou de R$ 3.042,19 para R$ 3.440,67, um aumento de 13,1%.

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Apesar da elevação dos salários, a inflação acumulada entre 2023 e 2025 atingiu aproximadamente 14,53%. Caso a remuneração média tivesse acompanhado integralmente a variação dos preços, o valor deveria ter alcançado R$ 3.484,15 em 2025. No entanto, o rendimento efetivamente registrado foi de R$ 3.440,67, cerca de R$ 43,48 abaixo do necessário para preservar o mesmo poder de compra de 2022. Em termos reais, isso representa uma perda de aproximadamente 1,25%.

A evolução dos salários também mostra desaceleração dos reajustes ao longo dos anos. Em 2023, a remuneração média cresceu 6,33% em relação ao ano anterior. Em 2024, a alta foi de 3,94%, enquanto em 2025 o avanço ficou restrito a 2,33%, abaixo da inflação do período.

Os dados da RAIS apontam ainda uma leve retração no mercado formal de trabalho em 2025.''

Após atingir 12.064 vínculos com carteira assinada em 2024, o número de trabalhadores formais caiu para 11.940, uma redução de 124 postos de trabalho, equivalente a uma queda de 1,03%. Apesar do recuo, o estoque de empregos permanece superior ao registrado em 2022, quando havia 11.211 trabalhadores formais, representando crescimento acumulado de 6,5% no período.

Dois terços dos empregos formais são de trabalhadores celetistas

Do total de 11.940 vínculos formais registrados em 2025, 7.973 eram de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, o equivalente a 66,77% do mercado formal de trabalho local. A remuneração média desse grupo foi de R$ 2.860,41, valor cerca de 16,9% inferior à média geral do município, de R$ 3.440,67.

A diferença demonstra que a renda da maior parte dos trabalhadores formais permanece abaixo da média municipal. O resultado é influenciado pela presença de segmentos com remunerações mais elevadas, especialmente o funcionalismo público, que ajuda a elevar a média geral dos rendimentos.

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A composição do mercado de trabalho ajuda a explicar parte do comportamento da remuneração média. O número de servidores públicos passou de 1.735 em 2022 para 2.276 em 2023, recuou para 1.580 em 2024 e alcançou 2.798 em 2025, o maior contingente da série. Em termos proporcionais, os servidores passaram de cerca de 15,5% dos vínculos formais em 2022 para aproximadamente 23,4% em 2025.

Como os salários do funcionalismo público costumam ser superiores à média do setor privado, o aumento da participação dos servidores contribui para elevar a remuneração média geral. Dessa forma, parte da evolução do rendimento médio pode estar associada à maior presença do setor público na composição do emprego formal.

Serviços assumem liderança na geração de empregos

RAIS aponta aumento da remuneração média, mas trabalhadores perdem poder de compra mesmo com expansão do emprego formal

Os dados setoriais mostram ainda uma importante mudança na estrutura do mercado de trabalho local. Em 2025, o setor de serviços consolidou-se como o principal empregador do município, reunindo 5.530 trabalhadores, o equivalente a cerca de 46% dos vínculos formais. O número representa crescimento expressivo em relação aos 4.258 empregos registrados em 2024. Além de liderar a geração de empregos, o segmento apresentou remuneração média de R$ 4.085,44, valor superior à média geral do município.

A agropecuária também ampliou sua participação, passando de 2.340 trabalhadores em 2024 para 2.848 em 2025, consolidando-se como o terceiro maior empregador local. Já a indústria, que havia alcançado 4.339 empregos formais em 2024, encerrou 2025 com 3.893 trabalhadores, registrando redução de 446 postos de trabalho. O comércio também apresentou retração, passando de 2.449 para 2.183 vínculos, enquanto a construção civil avançou de 258 para 284 trabalhadores.

A distribuição dos empregos formais em 2025 ficou composta por 5.530 trabalhadores nos serviços, 3.893 na indústria, 2.848 na agropecuária, 2.183 no comércio e 284 na construção civil. Os números indicam que a geração de empregos no período foi sustentada principalmente pela expansão dos setores de serviços e agropecuária, que compensaram parte das perdas registradas na indústria e no comércio.

Mesmo com a melhora observada em alguns segmentos, o município continua abaixo da média salarial de Mato Grosso do Sul. Segundo a RAIS, a remuneração média estadual passou de R$ 4.071,33 em 2022 para R$ 4.339,57 em 2025. O valor é R$ 898,90 superior à remuneração média registrada em Sidrolândia no último ano analisado.

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O conjunto dos dados mostra uma economia em transformação, com fortalecimento do setor de serviços, crescimento da participação dos servidores públicos e expansão da agropecuária. Apesar do aumento nominal dos salários e da manutenção de um nível elevado de emprego formal, a inflação consumiu parte dos ganhos obtidos pelos trabalhadores. Para a maioria dos empregados do setor privado, que recebem em média R$ 2.860,41, a perda de poder de compra foi ainda mais perceptível, evidenciando os desafios para a ampliação da renda real da população ocupada no município.