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Economia

Dólar fecha em alta e volta a R$ 3,28 em meio a temor com agenda econômica

Moeda norte-americana subiu 1,17% frente ao real, após forte valorização na semana passada.

G1

30 de Outubro de 2017 - 18:00

O dólar fechou em alta ante o real nesta segunda-feira (30), após alcançar a maior valorização semanal em quase cinco meses, em meio a temores com a cena política e o avanço de medidas econômicas no Congresso Nacional.

O dólar avançou 1,17% frente ao real, a R$ 3,2819 na venda. Veja a cotação. No mês de outubro, o dólar acumula valorização de 3,60%.

Cenário externo

No exterior, na semana passada os mercados respiraram um pouco mais aliviados após notícias de que o atual diretor do Federal Reserve, banco central norte-americano, Jerome Powell estaria na frente para ser escolhido como próximo chair do Fed.

Por ele ser menos conservador, os investidores reduziram os temores de mais altas de juros nos Estados Unidos.

Para o estrategista-chefe do banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno, o dólar pode voltar a operar próximo de R$ 3,20 caso seja escolhido um candidato que mantenha a postura gradualista do Fed, segundo o Valor Online. As especulações de que Jerome Powell pode assumir o cargo contribuem para a perspectiva de manutenção do que vem aplicando a atual presidente Janet Yellen.

Agenda de reformas

Um alívio maior, entretanto, dependeria da cena local. “Para voltar retomar a banda de R$ 3,10 e R$ 3,20, devemos esperar avanço na agenda de reformas”, diz o especialista do banco Mizuho ao Valor. Neste momento, a leitura é de que o governo vai avaliar o apoio no Congresso e o quanto vai ter de desidratar da proposta de reforma previdenciária. “A redução do escopo da reforma pode dar noção ao mercado do que ainda pode ser aprovado”, acrescenta.

Hoje, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que o texto que está em trâmite na Câmara dos Deputados é o que o governo defende. A aprovação da reforma é possível, afirmou Meirelles. Caso não ocorra neste ano, o governo vai insistir no tema em 2018.

A cena política no Brasil também é motivo de cautela por causa da disputa eleitoral. A pesquisa do Ibope, divulgada no fim de semana, apontou que o segundo turno da disputa eleitoral de 2018 seria disputada por ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o deputado Jair Bolsonaro (PSC).

Profissionais de mercado apontam que a eleição ainda estaria longe e os resultados das consultas populares não seriam motivo de estresse no mercado. Por outro lado, como aponta o estrategista de uma corretora paulista, a pesquisa “mostra que o populismo ainda tem chances, sim, de voltar ao poder”, trazendo algum desconforto para os investidores.

Última sessão

Na última sessão, o dólar fechou a R$ 3,2438, em baixa de 1,24%.

Na semana passada, a moeda norte-americana acumulou alta de 1,70%, maior valorização semanal frente ao real desde meados de maio, quando veio à tona a delação de executivos da JBS, que atingiu em cheio o governo do presidente Michel Temer.

Permaneceu no ar o ceticismo do mercado sobre a capacidade de Temer de dar continuidade à agenda econômica, em especial a reforma da Previdência, no Congresso Nacional.